Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

A direita nunca foi popular no Brasil

Apesar de as ideias conservadoras estarem bem presentes em nossa sociedade; eleitoralmente, os tradicionais partidos de direita, com suas propostas antipopulares, são rejeitados nas urnas.


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Apesar de, direta ou indiretamente, sempre ter estado no Poder, a direita nunca foi popular no Brasil. Em outras palavras, isso quer dizer que, ao longo da história, os principais partidos de direita - como UDN, PFL e PSDB - em eleições minimamente limpas, geralmente foram rejeitados pelos eleitores.

Conforme é do conhecimento de todos, após a independência, nosso país adotou o regime monárquico.

Portanto, como entre 1822 e 1889 não havia eleição para o cargo político máximo da nação, a direita se manteve no Poder sem precisar passar pelo crivo popular.

Os primeiros presidentes do Brasil - Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto - também direitistas, não foram escolhidos pelo voto.

No decorrer da "República Velha", apesar de haver eleições diretas para presidente, os candidatos eram escolhidos em processos eleitorais altamente fraudulentos, através do chamado "voto de cabresto".

Entre 1930 e 1945, tivemos a "Era Vargas", em que não houve eleição direta para presidência da República. Já no pleito de 1945, Eurico Gaspar Dutra - candidato de Vargas - superou o candidato oficial da direita - Eduardo Gomes, da UDN.

Cinco anos depois, foi a vez de "botar o retrato do velho, outra vez, no mesmo lugar"; isto é, Vargas, contra a vontade da direita, foi escolhido para voltar a ocupar a cadeira presidencial. Mais uma derrota de Eduardo Gomes, da UDN e da direita.

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Embora Juscelino Kubitschek, vencedor do primeiro processo eleitoral após o suicídio de Vargas, estivesse bem distante de ser considerado um político progressista; ele não era o candidato preferido da direita tradicional, que contou com a candidatura derrotada do militar Juarez Távora.

Não por acaso, como tradicionalmente a direita não sabe perder, nem para o candidato mais moderado, JK quase foi impedido de assumir.

Percebendo a impopularidade de seus candidatos, para a eleição de 1960, a direita embarcou na candidatura laranja de Jânio Quadros, do nanico PTN. Apesar de eleito, Jânio não durou nem um ano no Poder.

Após um longo hiato autoritário, em 1989, a direita brasileira, desgastada por duas décadas de Regime Militar, e ciente de que os candidatos mais populares na época – Brizola e Lula – estavam no campo esquerdista, mais uma vez aderiu a uma candidatura laranja: o “caçador de marajás”, Fernando Collor de Melo, que, assim como Jânio Quadros, foi eleito, mas não cumpriu o mandato até o final.

Em 1994, o candidato oficial da direita – Fernando Henrique Cardoso do PSDB – foi eleito, porém a partir de uma manobra midiática que utilizou o Plano Real como propaganda política, fator que se constituiu em um verdadeiro estelionato eleitoral.

Em 1998, FHC foi reeleito, mas com toda a imprensa escamoteando da população as maldades das políticas neoliberais (tanto é que, após a população tomar conhecimento sobre quais os verdadeiros objetivos tucanos, o PSDB jamais venceu uma eleição).

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Nas primeiras décadas do século XXI, a direita perdeu quatro eleições seguidas para o PT – duas para Lula e duas para Dilma Rousseff – e só votou a ocupar o Palácio do Planalto por causa do golpe de 2016.

Em 2018, com os partidões da direita – DEM, PSDB e PMDB – em grave crise, as forças conservadoras novamente se agruparam em uma candidatura laranja, dessa vez aderindo a um nome explicitamente fascista: Jair Bolsonaro (diga-se de passagem, uma candidatura muito mais “laranja” do que as anteriores).

Também é importante frisar a maior fraude da última eleição: o impedimento da candidatura Lula, a preferida da população.

Se Bolsonaro não completará o mandato, assim como ocorreu com Jânio e Collor, só o tempo dirá.

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Em suma, este breve histórico demonstrou que, apesar de as ideias conservadoras estarem bem presentes em nossa sociedade; eleitoralmente, os tradicionais partidos de direita, com suas propostas antipopulares, são rejeitados nas urnas.

É fato: a direita só consegue estar no Poder através de regimes autoritários, fraudes eleitorais, estelionatos políticos ou candidaturas laranjas.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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