Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

A nova pedagogia da República Fundamentalista Fascista Neoliberal do Brasil

O principal objetivo da pedagogia da República Fundamentalista Fascista Neoliberal do Brasil é eliminar a "doutrinação comunista" nas escolas, responsável por formar milhões de alunos dispostos a fazer uma "revolução" no Brasil a todo custo e a disseminar em larga escala o chamado "marxismo cultural" (difundido também pelas telenovelas e programas da "comunista" Rede Globo).


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Na "República Fundamentalista Fascista Neoliberal do Brasil", medidas reacionárias, em todas as áreas, ditam o andamento do governo.

E, como todo "projeto de poder" que se preze também tem o seu próprio "projeto de educação", mudanças no sistema de ensino são inevitáveis.

Sendo assim, um novo "currículo", baseado no que há de mais obscuro, e tendo como base o retrógrado projeto "Escola sem Partido", provavelmente será implantado na educação brasileira.

O principal objetivo dessa nova pedagogia é eliminar a "doutrinação comunista" nas escolas, responsável por formar milhões de alunos dispostos a fazer uma "revolução" no Brasil a todo custo e a disseminar em larga escala o chamado "marxismo cultural" (difundido também pelas telenovelas e programas da "comunista" Rede Globo).

Em vez de os professores cantarem a "Internacional Socialista", como fazem todas as segundas-feiras com os seus alunos, agora terão que filmar os discentes cantando o Hino Nacional e proclamado o novo lema de nossa nação: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

A "pedagogia petista" - de autores subversivos como Marx, Paulo Freire ou Gramsci - será substituída pela obra de nosso maior pensador contemporâneo: o grande astrólogo e youtuber Olavo de Carvalho.

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Em Geografia, nos conteúdos relacionados à "localização e orientação", nada de "movimentos da Terra" ou "globo terrestre".

Enfim, todas as mentiras cartográficas serão devidamente expostas. Não seremos mais enganados. Agora os alunos terão contato com a única verdade geográfica: A Terra é Plana.

Nos tópicos sobre geopolítica, "planos globalistas", como o projeto de implantação da URSAL - União das Repúblicas Socialistas da América do Sul - serão trabalhados em sala de aula para que os alunos possam conhecer os grandes perigos de nosso tempo.

A "Nova Ordem Mundial", já denunciada pelo Cabo Dáciolo, finalmente será questionada nos bancos escolares. Disciplinas que contrariam a natureza humana como "Biologia, "Ciências" e "Química" deverão ser banidas das matrizes curriculares.

O "kit gay" de Fernando Haddad, que ensina os nossos alunos a serem homossexuais, será recolhido das escolas.

A "Ideologia de gênero", responsável por desvirtuar nossos jovens, será banida do currículo. Como já sentenciou a nossa ministra e grande pensadora contemporânea "Damares que vem para bem", "meninas vestem rosa e meninos vestem azul".

O "cientificismo" de nomes como Charles Darwin também não terá mais influência sobre a mente de nossos discentes, pois não viemos do macaco.

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Nessa mesma linha, os professores de Física estarão proibidos de mencionar o Big Bang.

Somente o criacionismo será abordado em sala de aula.

Filosofia e Sociologia - matérias de "maconheiros" - serão substituídas por Educação Moral e Cívica, essencial para a formação do "cidadão de bem".

Agora os alunos poderão saber que Nazismo é de esquerda, que comunistas comem criancinhas, que o Foro de São Paulo quer implantar o comunismo no Brasil, que os direitos humanos foram criados para proteger bandidos e que "mito" mesmo, só existe um.

Já a História não será mais aquela contada por autores comunistas. Os alunos terão acesso à "verdade" sobre o que aconteceu em nosso país: não existiu escravidão, nem genocídio de indígenas, tampouco ditadura militar.

O "guia politicamente incorreto" será o novo livro didático de História.

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Seguindo a lógica privatista do neoliberalismo, as universidades públicas, antro de subversivos e cabides de empregos, deverão passar para a iniciativa privada e unificadas sob uma grande instituição, responsável por divulgar as novas verdades do regime: a "Unizap".

Enfim, "doutrinação comunista", "ditadura gayzista" ou "feminazis" nunca mais.

As escolas (preferencialmente militares) formarão apenas "cidadãos de bem". Nossos alunos aprenderão que a nossa bandeira jamais será vermelha; ela terá, no máximo, uma leve tonalidade alaranjada.

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Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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