Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

A tragédia de Brumadinho

Até quando vidas humanas serão perdidas, matas derrubadas, espécies animais extintas e rios serão poluídos para atender à ganância sem fim dos grandes empresários?


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A tragédia ocorrida em Brumadinho, além da justíssima comoção nacional que gerou por causa dos inúmeros danos ambientais e humanos, também nos traz uma oportunidade para refletirmos sobre as relações entre nós, seres humanos, e a natureza que nos cerca.

É fato que o rompimento da barragem da mineradora Vale é consequência direta da ganância capitalista, um sistema econômico que, conforme bem sentenciou Karl Marx, somente desenvolve a técnica e a combinação do processo de produção social na mesma medida em que destrói as fontes de toda a riqueza: a terra e os trabalhadores.

A Vale (antiga Vale do Rio Doce, fundada em 1942, durante o mandato presidencial de Getúlio Vargas) foi privatizada pelo governo brasileiro há duas décadas, vendida por um valor irrisório, no auge da demanda global por minério de ferro, sobretudo por parte da China. Desde então, o funcionamento da mineradora deixou de atender aos interesses do Estado brasileiro, passando a ser voltado, exclusivamente, para gerar vultuosos rendimentos aos seus acionistas.

Seguindo essa lógica, investimentos em uma infraestrutura que possa trazer a mínima segurança para os funcionários da mineradora e para as comunidades próximas às áreas de exploração mineral são considerados "gastos desnecessários" e a fiscalização das atividades de empresas privadas como a Vale pelo poder público é vista como "indústria de multas".

Não por acaso, nos últimos anos muito se tem falado sobre flexibilizar as leis ambientais. Os resultados dessa realidade perversa são cada vez mais trágicos. Enquanto os lucros são privados, ou seja, vão para poucos; os prejuízos são socializados.

Até quando vidas humanas serão perdidas, matas derrubadas, espécies animais extintas e rios serão poluídos para atender à ganância sem fim dos grandes empresários? Portanto, a necessidade de se superar o capitalismo, não apenas como modelo econômico, mas também como modelo civilizacional, é cada vez mais evidente.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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