Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Atletas reacionários

Este breve texto busca demonstrar que muitos atletas, ao se concentrarem apenas em desenvolver suas habilidades físicas, não se preocuparam em também “exercitar” um dos principais órgãos do ser humano: o cérebro.


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Encerrar a carreira nem sempre é tarefa fácil para um atleta profissional.

Alguns encaram com naturalidade o final precoce de suas atividades (geralmente antes dos 40 anos); já outros parecem não assimilar bem a ideia de que não atuarão mais em gramados, quadras e pistas mundo afora; ou que ficarão distantes dos holofotes da grande imprensa.

Sendo assim, devido a impossibilidade de não se destacarem mais por seus dotes esportivos, muitos atletas buscam outras formas de chamar atenção do grande público como, por exemplo, por meio de postagens polêmicas sobre assuntos políticos, ligadas à direita do espectro ideológico.

Tratam-se dos ex-atletas reacionários.

A jogadora de voleibol Ana Paula, cansada de perder para seleção cubana quando atuava pela seleção brasileira nos anos 90, deve ter tomado asco a tudo que remeta à esquerda e ao socialismo.

Em sua militância de direita nas redes sociais, Ana Paula têm feito várias declarações anti-petistas, endossado a moralista campanha contra a corrupção (mas apoiou Aécio em 2014), defendido o Estado mínimo e tecido críticas a movimentos minoritário como o feminismo e o LGBT.

O anti-petistmo de Ana Paula também é compartilhado pelo ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet.

Conforme afirmou o próprio filho do tricampeão mundial durante um evento ligado ao automobilismo brasileiro, Piquet tinha o hábito de falar vários palavrões quando Lula fazia pronunciamentos na TV.

Típico preconceito da classe média contra o presidente que colocou em prática políticas que se dirigiram para os estratos menos favorecidos da população.

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É até esperado que nomes como Nelson Piquet se posicionem favoravelmente aos interesses de sua classe social, mas o que leva ex-atletas de origem humilde a se direcionarem à direita ideológica?

Paulo Freire já dizia: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

É o caso do ex-pugilista Acelino Popó Freitas, eleito suplente de deputado federal pelo PRB, partido que representa os interesses da elite.

Em entrevista para um jornal baiano, Popó, que tem um filho homossexual, afirmou que o Brasil está “muito liberal” em relação aos costumes.

Já o futebol, esporte mais popular do Brasil, também têm os seus reacionários.

O senador Romário foi favorável ao golpe contra Dilma Rousseff; Renato Portaluppi, ex-jogador e atual treinador do Grêmio, declarou recentemente que quem não apoia Sergio Moro e Bolsonaro é contra o Brasil e Felipe Melo do Palmeiras, “ex-atleta em atividade”, é um conhecido militante bolsominion, caminho seguido por Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Edmundo e Cafu.

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Evidentemente, o universo dos ex-atletas não é habitado apenas por indivíduos alienados.

Joanna Maranhão, Ana Moser, Juninho Pernambucano, Raí, Paulo César Caju e Reinaldo são alguns dos exemplos de posturas críticas frente à realidade e engajamento social.

O que este breve texto buscou demonstrar é que muitos atletas, ao se concentrarem apenas em desenvolver suas habilidades físicas, não se preocuparam em também “exercitar” um dos principais órgãos do ser humano: o cérebro.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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