Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Geografia do Bozo

É bom estar atento às novas diretrizes do MEC, que seguirão a linha de pensamento do atual governo federal. Nada de doutrinação comunista, marxismo cultural, ideologia de gênero, balbúrdias, cientificismo ou distribuição de kit-gay, como era na época do “Brasil socialista”.


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Chegamos ao final de mais um ano letivo e, conforme é de costume, já começamos a nos planejar para o próximo período escolar.

Nesse sentido, é bom estar atento às novas diretrizes do MEC, que seguirão a linha de pensamento do atual governo federal.

Nada de doutrinação comunista, marxismo cultural, ideologia de gênero, balbúrdias, cientificismo ou distribuição de kit-gay, como era na época do “Brasil socialista”.

Acabou o tempo em que os professores/doutrinadores comunistas recitavam versos de O Capital ou do Manifesto Comunista nas escolas.

Agora os alunos cantarão o Hino Nacional. E, o que é melhor, serão filmados pelos diretores.

Estes vídeos serão enviados para o MEC.

Daqui pra frente, o tipo de instituição escolar predominante será o modelo cívico-militar, para formar “cidadãos de bem”.

Nada de aluno questionador ou pedagogia petista de Paulo Freire, o Ministro da Educação do governo Lula.

Livros didáticos serão abolidos.

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O material utilizado será baseado em informações retiradas de grupos de zap confiáveis e de vídeos de youtubers alinhados ao governo.

No caso da Geografia ensinada nas salas de aula, não se falará mais em eras geológicas ou que nosso planeta possui 4,5 bilhões de anos.

Sem essas farsas “cientificistas”.

A Terra tem, no máximo, alguns milhares de anos, conforme está escrito na Bíblia.

Falando nisso, nas aulas sobre Cartografia, a verdade prevalecerá: a Terra é Plana. E ponto final.

Copérnico, Galileu, Newton, Einstein? Todos equivocados, pois quem tem razão é Olavo de Carvalho.

E ninguém ouse duvidar do maior filósofo brasileiro de todos os tempos.

Ainda na linha da Geografia Física, é importante entender que as queimadas na Amazônia não estão ligadas à expansão da soja, às madeireiras ou à pecuária.

A Amazônia está em chamas por causa do ator Leonardo DiCaprio. É óbvio.

Aliás, falando em questão ambiental, a medida mais eficiente para preservar o meio-ambiente é simples: “fazer cocô dia sim, dia não”.

No entanto, é na chamada “Geografia Humana” que os doutrinadores comunistas mais buscam impor as suas ideologias aos alunos.

Portanto é nesse campo que as novas diretrizes educacionais serão mais incisivas.

Nos estudos em Geografia Urbana, nada de associar a divisão da cidade em classes sociais – a chamada “segregação socioespacial” – ao sistema capitalista, como fazem os doutrinadores comunistas que querem destruir a família, a propriedade e os bons costumes.

Pobres estão em condições adversas porque não se esforçaram o suficiente; ricos possuem situações favoráveis pois mereceram.

Isso se chama “meritocracia”.

Ora, o filho de doméstica – que estudou em escola pública, em salas de aula superlotadas e trabalha fora desde os 10 anos – teve as mesmas oportunidades do filho do médico – ex-aluno de escola particular com mensalidade de 2000 reais.

É questão saber aproveitar o momento.

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Em Geopolítica será ensinado que os governo anteriores (os “socialistas”) colocavam em prática políticas externas de caráter ideológico (ao contrário do atual).

Já a URSAL e Foro de São Paulo querem implantar o comunismo na América Latina, fator que requer uma reação dos “cidadãos de bem”, pois a nossa bandeira jamais será vermelha (a não ser que tenha também o azul e o branco da bandeira americana para batermos continência).

Nessa mesma linha, será ensinado que o chamado “globalismo” propõe uma governança comunista em âmbito planetário.

Mas, se mesmo com todas essas novas diretrizes, os alunos não tiverem um rendimento satisfatório?

A resposta é simples: a culpa é do Petê.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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