Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

O governo que parece um grupo de WhatsApp

Com seus devaneios, autoritarismos e medidas antipopulares, Bolsonaro, em poucos dias de governo, já é um fortíssimo candidato a ser o pior presidente da história do Brasil.


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Seria cômico, se não fosse trágico. O atual cenário político brasileiro nos tem demonstrado que o governo Bolsonaro mais parece um grupo de WhatsApp, daqueles da pior espécie, infestado de notícias falsas, teorias da conspiração, delírios e, é claro, discursos de ódio.

Em suas falas, o atual presidente já mencionou que pretende livrar definitivamente o Brasil da "ameaça socialista" (já houve esta "ameaça" alguma vez?), criticou a suposta "ideologia de gênero" (menino veste azul, menina veste rosa, okay?) na educação básica, prometeu o fim do "politicamente correto" (o que significa, na prática, uma carta branca aos discursos preconceituosos) e afirmou que vai eliminar o "lixo marxista" das salas de aula (em quase quinze anos de magistério, ainda estou procurando pela tão comentada "doutrinação comunista" nas escolas).

Mas as pérolas do grupo de WhatsApp, digo "governo", não param por aí. A pastora evangélica e ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, já afirmou ter visto Jesus em um pé de goiaba.

Já o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, promete uma diplomacia brasileira que será contrária ao chamado "globalismo" (seja lá o que isso queira dizer).

Por sua vez, Vélez-Rodrigues, ministro da Educação, abomina o "marxismo cultural" nas escolas (sabe-se lá o que isso queira dizer também). Só falta ele retirar o nome de Paulo Freire como Patrono da educação brasileira e substituí-lo por Alexandre Frota.

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Do jeito que a situação está, não demorará a aparecer algum ministro da Ciência e Tecnologia adepto da Terra Plana ou um ministro da Saúde que seja contra vacinas. Em suma, este é o show de horrores do Brasil pós-golpe: um governo que combina pitadas de fascismo com doses de neoliberalismo.

Nesta espécie de grupo familiar de WhatsApp que se transformou o Planalto, Bolsonaro, o "Führer", é o pai fascistóide; Damares é a tia delirante e Ernesto Araújo e Vélez-Rodrigues são os primos alienados formados na "Unizap", que constroem seus argumentos a partir de Fake News.

Com seus devaneios, autoritarismos e medidas antipopulares, Bolsonaro, em poucos dias de governo, já é um fortíssimo candidato a ser o pior presidente da história do Brasil.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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