Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros.

A Grandiosidade do Rio Amazonas

Nós aprendemos nas aulas de Geografia na educação básica que o Amazonas é o maior rio do planeta em volume d’água e o segundo em extensão, perdendo apenas para o Nilo (de acordo com alguns estudos, o Amazonas seria maior). No entanto, poucos conhecem os fatores que estão por trás da grandiosidade do Rio Amazonas.


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Todos nós aprendemos nas aulas de Geografia na educação básica que o Amazonas é o maior rio do planeta em volume d’água e o segundo em extensão, perdendo apenas para o Nilo (de acordo com alguns estudos, o Amazonas seria maior).

O rio foi assim batizado me meados do século 16, após uma expedição a serviço da Espanha ter sido atacada por mulheres indígenas, na altura do médio Amazonas, fato que remeteu os espanhóis às amazonas, mulheres guerreiras da mitologia grega.

Coincidentemente, o rio era chamado por indígenas de “Icamiabas”, palavra utilizada para designar as mulheres que viviam sem homens, como as míticas amazonas.

Desde então, o rio tem maravilhado povos de várias partes do mundo.

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De fato, os números do Amazonas impressionam.

20% da água doce global que desemboca nos oceanos vêm de lá.

A bacia amazônica tem uma reserva de água subterrânea de mais de 160 trilhões de metros cúbicos.

A profundidade média do Amazonas é de 50 metros, sendo que seu ponto mais profundo apresenta 120 metros.

Em média, o rio tem 15 quilômetros de largura – na foz, atinge 300 quilômetros.

Já o fenômeno conhecido como pororoca provoca uma onda contínua que faz com que as águas do Amazonas adentrem por cerca de 300 km no Oceano Atlântico.

Isso faz com que o litoral do setentrional estado do Amapá, por exemplo, não tenha águas claras, como os demais; mas uma tonalidade amarronzada, devido à grande quantidade de sedimentos provindos do Amazonas.

Desse modo, enquanto outros rios são “invadidos pelo mar”, o Amazonas, pelo contrário, “invade o mar”.

Não por acaso, o Amazonas também é conhecido como “rio-mar”.

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No entanto, poucos conhecem os fatores que estão por trás da grandiosidade do Rio Amazonas.

Apesar de o Amazonas receber essa nomenclatura apenas aqui no Brasil – mais precisamente na confluência dos rios Negro e Solimões – sua nascente fica bem distante, na Cordilheira dos Andes, em território peruano, a 5270 metros de altitude.

Por isso seu regime é conhecido como “nival”, classificação utilizada quando as águas de um determinado rio são provenientes de degelos em montanhas.

Por aí já dá para termos uma noção da grande quantidade de água que vai para o Amazonas.

Mas isso é só o começo.

Literalmente.

Embora a maior parte de seu percurso esteja em áreas de planície, os cerca de 1500 afluentes do Amazonas (isto é, os rios que nele deságuam) estão localizados em regiões planálticas.

Basta imaginarmos o Amazonas como uma área baixa que recebe toda a água que desce dos morros vizinhos.

Outro fator importante é o clima equatorial – marcado pelos altos índices de chuvas, ocasionadas, em grande medida, pela convergência dos chamados “ventos alísios”, responsáveis por levar umidade dos trópicos para as áreas próximas à Linha do Equador.

Além da pluviosidade elevada, há a grande porosidade das rochas do entorno do Amazonas, fator que tende a facilitar a infiltração de água no solo (que posteriormente também abastecerá o rio).

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Para terminar este breve texto, é importante mencionar aquela que talvez seja a maior curiosidade sobre o Amazonas. Durante o período Cretáceo – entre145 milhões e 66 milhões de anos atrás – o rio corria de leste para oeste, em direção ao Pacífico, e não rumo ao Atlântico, como é atualmente.

Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte e da Universidade Federal do Amazonas, o rio Amazonas só passou a correr em direção ao Atlântico, quando foi “empurrado” pelo surgimento da Cordilheira dos Andes, há cerca de 65 milhões.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros. .
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