Francisco Fernandes Ladeira

Mestre e doutorando em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros.

Balanço 2020

Sem exagero algum, é possível afirmar: se você sobreviveu a 2020, pode se considerar um ser humano afortunado


2020 2020.jpg

É comum, ao final de mais um ano, relembramos alguns dos principais acontecimentos do período que se encerra.

Este ano, marcado pela pandemia de Covid-19 e suas consequências negativas, certamente não deixará saudades.

Aliás, janeiro já nos alertava sobre o que teríamos em 2020: cerveja contaminada em Minas Gerais, enchentes no Sudeste, ameaça de guerra entre EUA e Irã e coronavírus na China.

Como diz o dito popular: “pelo andar da carruagem, se vê logo quem vem dentro”.

Ainda no primeiro semestre, o temível coronavírus extrapolou as fronteiras chinesas, chegou a todos os continentes.

Pela primeira vez na história, passamos por um ano em que a humanidade inteira teve praticamente uma única pauta a ser discutida: a pandemia de Covid-19.

Para evitar a rápida expansão do coronavírus, quarentenas foram decretadas em centenas de países. Como cantava Raul Seixas: “A Terra parou”.

Não era preciso ser cientista para compreender a gravidade do problema.

Indivíduos sensatos procuraram, à medida do possível, seguir todos os protocolos sugeridos pelas autoridades sanitárias e evitaram aglomerações.

Por outro lado, os chamados “negacionistas”, entre eles o presidente Jair Bolsonaro, não respeitaram o distanciamento social, propuseram que todos os setores da economia permanecessem funcionando (independentemente do número de óbitos) e, no final do ano, aderiram à campanha anti-vacina.

Mais do que nunca, em 2020, a ignorância esteve na moda.

Além da pandemia, tivemos outras notícias negativas neste ano.

O racismo, em suas diferentes manifestações, seja de classe ou de cor, apareceu em diversos lugares como Mineápolis, Porto Alegre e Valinhos. O futebol perdeu o genial Diego Armando Maradona. A Olimpíada de Tóquio foi adiada para 2021. O desmatamento no Brasil atingiu números alarmantes, principalmente na Amazônia. O Amapá sofreu um grande apagão.

Em contrapartida, alguém poderá dizer que, pelo menos, o excêntrico Donald Trump não foi reeleito para a presidência dos EUA.

Simples ilusão, pois o vencedor, Joe Biden, é um conhecido apoiador de guerras promovidas por Washington mundo afora. Ou seja, não há o que comemorar.

É plausível concluir que, na prática, 2020 foi um ano perdido. Para o bem ou para o mal, não seremos mais os mesmos após este conturbado período. Como diz a letra de um clássico do Clube da Esquina: “sei que nada será como antes”.

Sem exagero algum, é possível afirmar: se você sobreviveu a 2020, pode se considerar um ser humano afortunado.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre e doutorando em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros. .
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Francisco Fernandes Ladeira