Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

"Direita ilustrada" e "direita imbecilizada"

A "direita ilustrada" pode até criticar a falta de inteligência da "direita imbecilizada". Porém, ambas estão unidas para manter o sistema capitalista ativo, arrancando o couro do trabalhador.


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Historicamente, a direita política sempre esteve associada aos interesses das elites e à manutenção do status quo.

Para tanto, seus ideólogos produziram diversos discursos que buscavam justificar e naturalizar as desigualdades sociais, o que poderia impedir que os oprimidos se rebelassem contra os opressores.

É fato que, para levar adiante essa dominação simbólica (que caminha paralelamente à dominação física através da violência), a direita precisou recorrer a algumas das mentes mais favorecidas de diferentes áreas como Direito, Psicologia, Ciências Sociais e Comunicação.

É a inteligência humana a serviço de interesses escusos.

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Já nos últimos anos, em contraposição a essa "direita ilustrada", tem se destacado o que podemos chamar de "direita imbecilizada", representada, sobretudo, pelo governo Bolsonaro, também conhecido como "idiocracia".

Enquanto a "direita ilustrada" contava com oradores com altos poderes persuasivos (que, infelizmente, em muitas oportunidades convenciam os oprimidos a odiarem seus iguais e admirarem seus algozes) a "direita imbecilizada" tem o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e seus erros crassos de português.

"Imprecionante".

Se a "direita ilustrada" tinha a "Dama de Ferro" Margaret Thatcher, que atacava os diretos dos trabalhadores, mas produzia frases de efeito que hoje fazem a festa dos coxinhas nas redes sociais, a "direita imbecilizada" é representada por Damares Alves e seus delírios.

No aspecto intelectual, a "direita ilustrada" buscava justificar suas barbaridades recorrendo a pensadores como Nietzsche.

Por sua vez, a "direita imbecilizada" tem como guru filosófico o astrólogo Olavo de Carvalho. Para argumentar sobre o neoliberalismo, a "direita ilustrada" lê Mises e Adam Smith; e a "direita imbecilizada" compartilha vídeos de Kim Kataguiri e Rodrigo Constantino.

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No tocante ao gosto musical, a "direita ilustrada" ouve Wagner.

Roberto Alvim até tentou imitar Goebbels nesse aspecto.

Mas a "direita imbecilizada" gosta mesmo é de sertanejo universitário.

Para se manter informada e formular seus posicionamentos, a "direita ilustrada" seguia Paula Francis; e a "direita imbecilizada" compartilha fake news em grupos de whatsApp.

Se a ciência é uma das maneiras que a "direita ilustrada" encontrou para racionalizar suas maldades, a "direita imbecilizada" é terraplanista.

A "direita ilustrada" é maçônica, a "direita imbecilizada" está no MBL.

No humor, o principal nome da "direita ilustrada" era Chico Anysio"; da "direita imbecilizada" é Danilo Gentili.

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Enquanto o racismo da "direita ilustrada" é amparado na obra de Demétrio Magnoli; o racismo da "direita imbecilizada" conta com Fernando Holiday.

O ministro da Economia ideal para a "direita ilustrada" é Delfim Netto; da "direita imbecilizada" é Paulo "tchutchuca" Guedes.

Se o presidente da "direita ilustrada" tem doutorado pela USP e fala outros idiomas (para atacar o povo de uma maneira mais chique), o presidente da "direita imbecilizada" tem curso de paraquedista e escreve besteiras no Twitter.

No entanto, se engana redondamente quem acredita que "direita ilustrada" e "direita imbecilizada" têm objetivos opostos.

A "direita ilustrada" pode até criticar a falta de inteligência da "direita imbecilizada".

Porém, ambas estão unidas para manter o sistema capitalista ativo, arrancando o couro do trabalhador.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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