Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Todos os retrocessos acontecendo, e a esquerda na internet, escrevendo "todes"

Parafraseando Zé Geraldo, a esquerda não está nem na praça dando milho aos pombos, ela está na internet, escrevendo "todes".


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O Brasil passa por um dos períodos mais sombrios de sua história.

As portas do fascismo estão escancaradas.

Somente nos últimos dias, policiais invadiram uma escola pública em São Paulo e agrediram alunos.

Zema quis aumentar significativamente os salários das forças de repressão.

General Heleno ameaçou o Congresso.

Lula foi novamente perseguido pela Justiça.

Bolsonaro, com sua misoginia habitual, provocou jornalistas.

Até o direitista Cid Gomes foi baleado por policias/milicianos.

E a esquerda?

Foi às ruas?

Está em campanha para derrubar o governo fascista?

Convocou greves?

Não.

A esquerda está no sofá da Paula Lavigne, apoiando juiz da Lava-Jato.

Está teorizando sobre a fantasia de indígena de Alessandra Negrini ser apropriação cultural ou não.

Está no PSTU, dizendo que não houve golpe.

Está nos bastidores políticos, articulando uma Frente Ampla com Luciano Huck e FHC.

Está nas instituições, querendo proibir que homens se vistam de mulher durante o carnaval.

Está no parlamento, pedindo a demissão do ministro da Educação, mas não pede “Fora Bolsonaro”.

Está com Manuela d’Ávila, afirmando que Zeca Dirceu ter chamado Paulo Guedes de “tchutchuca dos banqueiros” reforça o machismo.

Está com Marcelo Freixo, dando beijo em Janaína Paschoal.

Está com David Miranda, tirando foto com Alexandre Frota.

Está com Sâmia Bomfim, dialogando com Kim Kataguiri.

Está confusa, achando que Tabata Amaral é de esquerda.

Está nas universidades, com a linguagem não-binária.

Está identitária, fazendo textões em apoio a Joice Hasselmann.

Está na “resistência”, esperando 2022.

Parafraseando Zé Geraldo, a esquerda não está nem na praça dando milho aos pombos, ela está na internet, escrevendo "todes".


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Articulista do Observatório da Imprensa. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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