Francisco Fernandes Ladeira

Mestre e doutorando em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros.

A (agressiva) política externa de Biden

Se o mundo não já era um lugar muito bom de se viver com Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, não há motivos plausíveis para acreditar que será melhor com Joe Biden à frente da Casa Branca.


trump-biden-montagem.jpg

Um dos equívocos mais comuns em análises geopolíticas consiste em reduzir o complexo cenário das relações internacionais às personalidades de determinados chefes de Estado, em vez de focalizar no que, de fato, importa: as ações concretas das diferentes nações. Este tipo de viés interpretativo, chamado de "personalização" nos estudos em Comunicação, mais obscurece do que propriamente, explica a realidade.

Vejamos, por exemplo, os casos do ex-presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, e de seu sucessor, o democrata Joe Biden. À primeira vista, Biden, enquanto mandatário da Casa Branca, é muito mais confiável do que o excêntrico Trump, conhecido por seus posicionamentos ligados à extrema direita e pela divulgação excessiva de fake news.

No entanto, como diz o jargão popular, as aparências enganam (e muito!). Diferentemente de seu antecessor (relativamente isolacionista nas relações internacionais); Biden, em apenas seis meses de mandato, já promoveu bombardeios na Síria e no Iraque e, ao que tudo indica, está por trás das recentes convulsões sociais em Cuba e no Haiti. Recentemente, ainda tivemos as obscuras visitas de integrantes da CIA a Brasil e Colômbia.

Isso não significa, evidentemente, afirmar que Trump tenha sido um excelente presidente ou algo similar. Longe disso. Não há espaços para análises maniqueístas. Mas, pelo menos no tocante à geopolítica, conforme os fatos nos mostram, é fácil concluir que Biden, em um semestre, já colocou em prática uma política externa muito mais agressiva do que a feita pelo seu antecessor em quatro anos de mandato. A suposta defesa da agenda ambiental global por parte do presidente democrata, com o retorno estadunidense a acordos internacionais, é mera cortina de fumaça.

Em relação à política externa, Trump se limitava ao âmbito retórico: mais falava do que propriamente fazia. Em contrapartida, Biden é mais efetivo. Ela menos fala do que faz. Lembrando o dito popular, cão que ladra não morde. Já aquele cão que não ladra, morde muito.

Se o mundo não era um lugar muito bom de se viver com Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, não há motivos plausíveis para acreditar que será melhor com Joe Biden à frente da Casa Branca.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre e doutorando em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Francisco Fernandes Ladeira