Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Doutorando em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Autor de nove livros.

Leonardo Boff e o pós-pandemia

Para o teólogo Leonardo Boff, se não modificarmos drasticamente nosso modelo civilizacional,estaremos "cavando nossa própria sepultura".


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No último dia 17 de fevereiro, o professor, escritor e teólogo Leonardo Boff ministrou uma aula online para o "Instituto Conhecimento Liberta", em que abordou as virtudes fundamentais para o novo tempo "pós-pandemia de Covid-19".

Considerada a "grande crise ecológica global", esta pandemia, causada pelo patógeno novo coronavírus, é consequência direta da pressão humana sobre o meio natural.

Desse modo, o veterano teólogo apontou em sua fala quais serão as práticas indispensáveis que devemos assumir se quisermos garantir um futuro minimamente aceitável para todos.

Preliminarmente, é importante frisar que a conturbada relação homem/natureza não é algo recente. Há séculos, nosso planeta tem sido desrespeitado e explorado de modo ilimitado por capitalistas desenfreados, cujas ações destruidoras acabam desregulando o clima, o meio ambiente, e todos os demais fatores que sustentam a vida na Terra.

Diante disso,temos um grandioso desafio pela frente: trabalhar um novo paradigma, a fim de unificar ciência, ecologia, teologia e todas as outras áreas que estiverem de fato intencionadas em promover mudanças significativas em favor de um mundo melhor.

O primeiro ponto destacado por Boff, para que tenhamos um amanhã mais harmônico com a natureza e digno para todos, diz respeito a como vamos lidar com o aquecimento global, haja vista que, futuramente, seres humanos poderão morrer e espécies entrarão em extinção por não conseguirem se adaptar ao aumento das temperaturas no planeta.

Para tanto, é fundamental, entre outras possibilidades, combater o consumismo exarcerbado, responsável pela grande demanda por recursos naturais, além de fazer com que os indivíduos, de maneira geral, privelegiem o "ter" em detrimento do "ser".

Outro ponto enfatizado é a solidariedade, pois todos estamos ligados: uns aos outros e ao planeta. Assim, diante de situações adversas, como a pandemia de Covid-19, "ou nos salvamos todos, ou ninguém se salva". Nesse sentido, devemos nos perceber como "integrantes" e não "acima" da natureza.

Sobre a convivência em sociedade, Boff destaca que a tolerância é uma das virtudes indispensáveis para o "novo tempo pós-pandemia", o que significa viver com alegria as diferenças.

O teólogo também chama a atenção para as medidas de mercatilização da água que, como elemento vital para a existência humana, jamais deve ser tratado como mercadoria.

Conforme Boff, o novo coronavírus é um sinal que a "Mãe Terra" não aguenta mais as investidas nefastas do ser humano. Sendo assim, não poderemos voltar à "antiga normalidade pré-pandemia', pois isso significa que não aprendemos nada com a Covid-19.

Se não mudarmos nossa relação com a natureza, o próprio planeta nos mandará vírus mais letais do que o corona. Em outros termos, se não modificarmos drasticamente nosso modelo civilizacional, estaremos "cavando nossa própria sepultura".


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Doutorando em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Autor de nove livros. .
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