GUSTAVO SILVA

Baby Driver, um musical que não é musical

Baby Drivee é um filme todo embalado por música, aqui vemos uma trilha sonora que não só ajuda a conta o filme, mas que é o próprio filme, com as músicas totalmente sincronizadas com as ações do filme, vemos um clip musical de 2 horas e aqui vemos sobretudo uma homenagem a música.


Baby Driver ou Em Ritmo de fuga (péssima tradução...Aff!) conta a história de um jovem de 22 anos chamado baby (por isso o nome original não ia ficar estranho), que é piloto de fuga de um criminoso que planeja pequenos assaltos que se chama Doc (Kevin Spacey). Só que o mais curioso que por conta de um acidente na infância, sofre de zumbido nos ouvidos que é só é abafado quando ele ouve música, e tão ele passa o dia todo com fone de ouvido e só consegue concentrar-se dessa forma.

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E aí que está a diversão do filme, que é todo embalado por música, aliás é bom dizer que o diretor, Edgar Wright, teve primeiro a ideia das músicas, depois que escreveu o roteiro, e a gente percebi isso claramente, com as cenas articuladas com as batidas das músicas, o filme parece um vídeo clip de duas horas, o filme é um musical sem ser musical...kkkk , acho que vocês entenderam.

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Nem preciso falar da trilha sonora, que não ajuda a contar a história do filme, nesse caso é o próprio filme, com sua inserção não como uma trilha, mas dentro do filme, com telespectadores e personagens ouvindo-a ao mesmo tempo. As músicas são incríveis indo de Queen a Faith No More, alias Easy, que já era uma música preferida com esse filme torna-se épica.kkk. Constantemente ao está assistindo ao filme nos pegamos balançando a cabeça e dançando, e olha que eu nem danço, mas o ritmo do filme é tão intenso que não há quem não se empolgue.

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As atuações estão bem ok, não há nada extraordinário em nenhuma delas, Ansel Elgort (Baby) como personagem principal está bem, com a linguagem corporal muito bem-feita em suas as cenas, mas nada que outros atores não fariam, Jamie Foxx também cumpri bem seu papel de bandido assustador e ele é realmente um bom ator. Kevin Spacey é outro grande ator consagrado, mas não posso deixar de falar que para mim ele sempre faz o mesmo personagem, a expressão lembra outros personagens dele como Lester Burham em “Beleza Americana” e Frank da série “ House of Cards”. Baby Drive não tem um roteiro inovador, já vimos essa premissa em outros filmes, mas a forma como ele conta a sua história é que faz a diferença, e essa peculiaridade está em sua direção, Edgar Wright mostrou que sabe fazer uma direção ágil e sem deixar confuso o expectador, a montagem do filme é sensacional, e talvez ao lado do designer de som é o ponto forte do filme.

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Por fim, o que é interessante notar em Baby Drivee é como o som ou a falta de som é importante no filme, o pai adotivo de Baby é surdo e mudo, trazendo um contraste grande com o jovem que “depende” da música para viver, e de como de certa forma nós também precisamos da música para torna-la a vida um pouco mais bela, por isso o filme é sobretudo um musical, não no sentido clássico, mas inovador pela forma como a música ajuda no roteiro, o filme é sobretudo uma homenagem a música.


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