oeduardocabraldigitou

e deixou aí para quem quiser ler

Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução.

Tenha paciência, a pressa é que faz de você uma presa fácil da solidão

Isso não é um anúncio de classificados. Nem um estudo todo esquematizado sobre como homens e mulheres se dividem, reclamam dos relacionamentos, se amam, se casam e são infelizes; este artigo trás uma provocativa e breve visão da nossa sociedade que vive na pressa. Homens na pressa de conseguir uma presa e troca-la, o quanto antes, e mulheres, explicitamente claras com suas inseguranças e insatisfações numa sociedade machista, testemunham predadores se transvestindo de vítima para conspirar exatamente com aquilo que elas clamam. Precisamos aprender a ter a porra da paciência.


sem-titulo-1.jpgNão, isso não é um anúncio de classificados ou uma publicação para autopromoção. Na verdade, aqui segue apenas um ponto de vista de quem se diz - e que talvez nem seja, muito observador. Algumas vezes acolhedor e, por agora, poucas vezes assistencialista. É que ando meio cansado de ouvir as mesmas queixas, os mesmos problemas e os mesmos erros - incrivelmente, sempre vindo e cometido pelas mesmas pessoas. E olha, nada disso vem de algum estudo ou análise crítica, são apenas constatações de fatos óbvios, alguns vividos, de um cara que está prestes a completar seus 27 anos de nada.

No universo masculino que me cerca, o sorriso amarelo, meio de escanteio, que ilustra uma cara de gol contra, é o contraste que existe impregnado em nosso primitivo comportamento. Eu explico, em conversas de bar e jantares, amigos e conhecidos tentam demarcar território numerando quantas mulheres eles tentaram, pegaram e/ou transaram. Tudo isso num clima pseudo divertido e descontraído. O estranho é que, depois deste primeiro ato teatral, segue o desabafo em bando das infelicidades. Muitos buscam um relacionamento sério, fixo e, numa resposta padrão e machista, culpam as mulheres pela imaturidade, postura e - pasmem, roupa curta, o que vai totalmente contra o discurso de 38 segundos atrás que eles gritavam e se empurravam ao contar algumas das incríveis experiencias sexuais.

Os erros vão além da muleta cultural do machismo. Os apoios se encontram em justificativas que, na teoria, tem toda uma construção de esforço. Justificam suas infelicidades explicando que estudam e aplicam técnicas de como dar mais prazer para a mulher, de como parecer (sim, apenas parecer, ser já vira prática) diferente e não dar na cara que o objetivo é só a transa ou, se quer, ser similar a qualquer tipo de ato meio galinha.

Todos estes esforços de maquiagem que os homens fazem para gerar expectativas no sexo oposto só demonstram a maior ignorância masculina: a pressa.

Todos nós - homens - sofremos desse mal. Temos pressa, pressa em atingir os objetivos, pressa em pular o papo, pressa nas preliminares, pressa em gozar rápido, pressa em partir para outra, pressa em não perder tempo, pressa em prever o que não vai virar e virar o jogo que iria virar para, simplesmente, pular fora. Pressa para arrumar alguém logo. Pressa para descartar este alguém e não perder tempo com gente errada. Pressa em ter pouca quantidade, pressa sem se importar com qualidade.

De maneira alguma os homens são vítimas, é o contrário, nós somos os predadores. Bons predadores e péssimos prestadores.

E sabe como é fácil ficar sabendo disso? Adentre o universo feminino, observe, preste atenção ou, melhor, converse com o sexo oposto - sem segundas intenções. As reclamações são exatamente as pontuadas acima, tudo aquilo que o sexo masculino tenta mudar a estratégia para parecer melhor e se dar bem rapidamente.

Acha que é mentira? Observe as verdadeiras fantasias femininas: preliminares que durem, homens dominadores, transas reais, namoros intensos, relacionamentos verdadeiros e trocas justas - sem assistência, sem grandes exigências, cumplicidade e boa convivência já basta; neste ponto, ser e servir de porto é bom, faz parte do relacionar-se.

Óbvio que existem mulheres e homens que querem o raso, o casual, o sexo e, pouco se importam em dormir sozinho depois, ou dormir sem se encostar apesar de ter acabado de transar, mas, preste atenção, tudo o que se pede, de ambos os lados - e é o que de fato a vida mais nos exige nas entrelinhas, é paciência. Se como no caso anterior for algo sem mentiras, estratégias e maquiagem: sem julgamentos, cada vida uma fase.

Buscamos relações maduras mas não queremos assumi-las, é como querer desfrutar apenas do lado bom das responsabilidades, viver de um bom salário, proveniente de um emprego que não existe - imagina como isso seria mágico?

Eu não tenho mais pressa, admito, porém, também não tenho muita paciência, acredito que as pessoas que se querem bem, se relacionam, se constroem, se apoiam, e isso tudo é a junção entre pressa e paciência, que, em minha humilde perspectiva, eu resolvi adotar como sinônimo de intensidade - palavra que infelizmente não deu rima. Intensidade quem faz é a gente, o par, ausente ou presente - mas sempre inventando, criando e melhorando, é como uma frequência, que a gente aumenta, diminui, equaliza, mantém, às vezes perde mas sempre acha.

Não tenha pressa e nem muita paciência, se eu puder lhe dar um conselho, apenas seja intenso.


Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução..
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/sociedade// @destaque, @obvious //Eduardo Lima Cabral