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e deixou aí para quem quiser ler

Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução.

Até que a conexão nos separe

Você sai de um emprego ruim, mas o emprego não sai de você. Termina uma relação que fez mal, muito mal, mas a relação não acabou. Briga e rompe com pessoas, mas as vidas continuam ali, pendentes diante dos seus olhos. Este é um artigo que trata diretamente da questão de se conectar facilmente e de não se desconectar com aquilo que não queríamos que fosse embora, como se apenas esta pseudo ligação de algo valesse alguma coisa.


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Li um artigo sobre o lance de se manter conectado com pessoas que rompemos, ex-namorada(o), colegas de trabalho e/ou pessoas que tínhamos e deixamos de ter intimidade, contato ou algum tipo de relacionamento que não tenha mais nenhuma sustentação mínima de amizade.

Achei interessante o apelo de nos obrigarmos a nos desconectarmos deles, mesmo que isto seja tido como uma atitude infantil - afinal, no fim das contas, é só uma rede social, estar ali nem significa que você se relacione, ligue ou preste atenção, não é mesmo?

Bom, você pode acreditar nesta teoria, mas na pratica, sabemos que não é bem assim. Esta é alguma das milhares de mentiras que nós contamos para nos sentirmos mais confortáveis em manter um contato mínimo com aquilo que não existe mais, seja por qualquer objetivo: reatar, espiar, julgar e requalificar a própria vida; a questão é, seria isto realmente saudável na nossa construção de cultura de relacionamento?

É algo que nos faz bem ou fingimos que não faz diferença e sempre reduzimos e diminuímos como se fosse algo bobo até de se colocar em pauta e, quem sabe, perder tempo escrevendo, lendo e refletindo com tantas histórias e timelines para serem espiadas e digeridas?

Um outro fato que achei bem interessante e que me fez pensar é que, por mais que a gente saiba que as redes sociais são extensões que, muitas vezes, não tem nem um mínimo de coerência com nossas respectivas vidas reais, inclusive, algumas deveriam ter uma frase obrigatória, algo como 'este perfil é meramente ilustrativo, pessoalmente, não sou nem 5% do que digo aqui'.

Mesmo com a verdade nua e crua, insistimos em acreditar que as timelines retratam muito mais do que as versões 'sábado e domingo' das pessoas e, consequentemente, deixamos isso nos afetar e criar angústia, depressão e provocar sensações e até novas doenças de algo que também manipulamos.

Tendo o parágrafo acima como referência de uma possível verdade, repense o lance de ter pessoas que se desligaram de qualquer obrigação de lhe fazer bem na sua lista de "contatos".

Pense o quão lhe afeta ver - que seja por poucos segundos ou longas horas da noite - a rotina de quem você não se relaciona mais.

Se você for composto por algorítimos e aplicativos que calculam tudo para você, talvez isso não impacte seu emocional em nada, mas se você ainda pensar e tiver muitas dúvidas entre razão e emoção como todo e qualquer ser humano, minha dica é simples: repense.

Repense o proveito que você tira das informações que você mesmo controla, às vezes, autolimitar-se a certos acessos pode ser - a curto, médio e longo prazo - uma ótima receita para estar bem.

Desligar algumas chaves pode ajudar a gente a, potencialmente, prestar mais atenção em novas coisas que estão por vir, ou que, pasmem, já estão por perto mas a gente ainda não notou em função de antigos fantasmas que não deixamos o 4G se desligar e nem o 'modo avião' se apropriar.


Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução..
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