oeduardocabraldigitou

e deixou aí para quem quiser ler

Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução.

Procuro mulheres rodadas

"Eu não mereço mulher rodada". É, o amigo da foto segurou um cartaz infeliz e, por conta de montagens, disseminou 'sem querer' uma mensagem que ninguém diz acreditar, mas se cai no anonimato, todos se mostram conservadores, preconceituosos e afins. Somos todos contra o Bolsonaro, mas ele esta eleito, gritando homofobia e esbanjando racismo - quem elegeu? Nunca ninguém de nós. Pois bem, vamos voltar ao básico, as mulheres, e ao básico do básico, o machismo e a hipocrisia diária do nosso dia-a-dia. Eu procuro mulheres rodadas sim, e explico:


o-RODADA-facebook.jpg

Eu mereço mulher rodada. As rodadas que conheci até agora são as que mais tem assunto, as que tornam o jantar sempre em algo de segundo plano, as que prendem pelo que falam, pelo corpo, pela boca - foda-se, estas podem prender e devem, como qualquer uma, prender como quiser.

As mais rodadas tem sempre bagagem, são decididas, se posicionam, já viveram muito - não pela idade, até porque, idade não é sinônimo de nada, mas sim por terem tido experiências. Conhecem tudo, já viram muitos filmes de moleque se fantasiando de homem, já sabem e ter um radar forte para os típicos machistinhas que sobrevivem se transvestindo de alternativo com discurso liberal em prol de objetivos pessoais e o caralho todo.

Geralmente, mulher que não roda por aí acaba por ficar parecida com uns amigos meus, que passam o dia coçando o saco, apesar dos mais de 30 aninhos nas costas, ainda vivem pegando troco no bolso do pai para pagar de rei do camarote em festinhas semanais, cheio de djs descolados e bebidas caras só para depositar todas as mágoas de nunca conseguirem ajeitar a própria vida, rodar por aí e de, também, arrumarem uma mulher rodada - o que é do caralho.

Homens e mulheres que acham um absurdo este falso rótulo de 'ser rodada(o)' são, certamente, os mesmos que ligam para o BBB e ficam aflitos na votação, são os que não sabem a diferença entre voto nulo e branco, muito provável que apoiam o Levy Fidelix, partilham imagens que brigam pelo direito de se ter um 'dia do orgulho hétero' e, certeza, nunca tem vocabulário, ou bom repertório para quase nenhum assunto que não seja aquele em caixa alta e destaque de mídia.

Se você acha que sua mãe só namorou o seu pai, que sua namorada, noiva, avó, tia ou irmã nunca fez sexo com mais de 10, 20, 40 parceiros - seja no carro, na rua ou durante o banho, bem, querido(a), marca um dia na sua agenda que o mundo precisa descer uma rodada de realidade para você.

Sou rodado pra caralho e também espero ter sorte de continuar e ter mulheres rodadas me cercando e cruzando sempre. Afinal, se apegar a bosta de um rótulo machista e hipócrita em pleno 2015 é deixar o quão claro que a porra do Bolsonaro representa SIM boa parte da sociedade e que - por incrível que pareça - quando questionados, nunca tem um de nós no meio, é sempre o outro, mas uma hora precisamos ser o outro: somos todos 'o outro'.

Por uma geração que assuma mais aquilo que fala em público e pratica na vida.


Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @destaque, @obvious //Eduardo Lima Cabral