oeduardocabraldigitou

e deixou aí para quem quiser ler

Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução.

A síndrome do Netflix

Vivemos hoje um mar de opções, onde é mais prazeroso navegar e contemplar tudo o que temos acesso do que realmente escolher algo para viver de verdade, com ônus e bônus; vivemos hoje a síndrome do Netflix, preferimos navegar por trailers do que sermos protagonistas de nossas vidas e relações - um texto que vale o clique:


maxresdefault.jpg

Uma estatística da Netflix comprovou que a maior parte dos usuários passa mais tempo passeando entre as milhares de opções de filmes do que, efetivamente, assistindo um.

Sim, pode parecer uma informação supérflua, mas isso nos diz muito sobre a nossa atual relação com o mundo.

É sintomático que estejamos cada vez mais vivendo de opções e impressões do que de fato concretizando as coisas. Nos saciam muito as ideias e as possibilidades do que de fato a ação.

Muito mais prazeroso do que assistir um filme, é ver 30 trailers e ler 15 sinopses. Parece que temos um mundo em nossas mãos e ao nosso alcance, mas no fim não consumimos nada, não nos conectamos com nada. Não existe a exposição, não sentimos a emoção, o medo ou a tristeza que aqueles 90 minutos deveriam nos proporcionar.

Estendemos isso para filtros e relações sociais cada vez mais envidraçadas por espelhos negros que se conectam por 4G. Resumimos amizades de anos em curtidas de fotos posadas. Conversas que deveriam ser um conforto para curtos diálogos divididos em caixinhas dentro de um aplicativo. Afagos que se transformam em emojis bizarros.

Melhor do que se relacionar com um é estar conectado com 500. Esquecemos que cultivar esta falsa realidade significa também se tornar uma solitária conexão, um avatarzinho que interage com outros iluminando o próprio rosto numa cama vazia. Rindo para uma tela. E chorando para uma tela.

Se apenas nos contentarmos com trailers e se deixarmos de nos aventurarmos em filmes que poderão nos surpreender, morreremos sonhando que somos protagonistas enquanto na verdade o que fazemos é meramente atuar como figurantes de um filme barato, sem graça e que nem tem os papéis que realmente gostaríamos de interpretar.

Por uma vida com mais ação e sem tantos filtros.


Eduardo Lima Cabral

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que - na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious //Eduardo Lima Cabral