olhar agridoce

Um olhar amargo e doce de tudo o que é, ou abriga V I D A.

K. Fonseca

Afetada por tudo que desperta meu afeto, um clichê inconstante e, por vezes, uma completa contradição.

Pessoas que amam muito, pessoas que fingem muito

De todas as experiências dolorosas que passamos, de todas as pessoas que já amamos algum dia e que não puderam nos amar de volta, de todas as promessas que já ouvimos e não foram cumpridas, de todos as músicas que estragamos porque as associamos a alguém, entre todos os presentes que ganhamos e, mesmo tendo gostado muito, jogamos fora ou nos desfazemos como se não significassem nada... O que fere mais?


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Fingir. Fazer de conta que não está doendo é o que fere mais, sorrir e ir pra balada com o coração em pedaços é o que fere mais. Beijar pessoas pra que outro veja e você não sentir nada, é o que fere mais. Ser quem você não é, apenas para não admitir que é um ser humano que comete erros e que acredita nas pessoas erradas, é o que fere mais. Mas ser de verdade, tentar de verdade, dar a cara e o coração a tapa de verdade. É pra quem realmente É alguém de verdade.

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Somos criaturas de difícil compreensão; nos afeiçoamos de maneiras diferentes e com intensidades diferentes, criamos padrões e regras próprias e muito particulares para se apaixonar por alguém, e quando nos damos conta estamos indo em direção ao extremo oposto, nos deixando levar por situações que juramos nunca passar, dizendo coisas que mais parecem ter saído da boca de outra pessoa, tamanha mudança que os sentimentos provocam.

Esperamos uma mensagem mesmo sabendo que ela não vem, relemos conversas de anos atrás só para ter certeza de que não estávamos loucos, que entendemos direito quando alguém disse “Eu estava com outra pessoa, e durante todo esse tempo só pensava em nós” pedindo uma nova chance, e então continuamos lendo e ali estão elas, camufladas como sempre, mas inegavelmente são elas... As desculpas! Ah, as famosas desculpas que sempre vêm acompanhadas de fúria quando, por um segundo, o nosso cérebro funciona e nós apenas esboçamos um pouco de descrença na história inventada.

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Porque nós somos criaturas totalmente irracionais quando se trata das questões emocionais. Ao final de mais um relacionamento que não deu certo, tentamos juntar nossos caquinhos um a um, às vezes pedimos ajuda a alguém e para algumas pessoas isso realmente funciona, mas há aqueles que precisam fazer a desintoxicação gradativamente, e ir reconstruindo sua autoestima tijolo por tijolo, e acrescentando reforços para que essa estrutura não seja abalada facilmente na próxima vez que abrirmos as portas da nossa vida.

É preciso cautela pra escolher quem pode entrar na sua vida, fazer parte da sua rotina, conhecer seus amigos, dividir o seu fone de ouvido, ver filme com você num domingo chuvoso... Mas além disso, é preciso ter coragem pra seguir em frente e dar mais um passo, compreendendo que em um mundo cheio de pessoas diferentes, se você encontrar alguém exatamente igual a ultima pessoa com quem se relacionou, é porque você anda procurando por gente ruim.

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Uma vez uma amiga me perguntou do que adiantava gostar das pessoas, e acreditar tanto que o sentimento daquele momento se prolongaria e valeria a pena, se as chances de realmente ser a pessoa certa, eram mínimas... Eu disse que não sabia a resposta exata, e que realmente é difícil encontrar alguém certo pra você, sem que antes você tenha passado por tentativas frustradas... Mas hoje eu acredito realmente que nós não encontramos as pessoas que vão nos acompanhar ao longo desta vida, até estarmos preparados para elas, podemos até encontrar a pessoa certa na hora errada mas não saberíamos o que fazer com isso e jogaríamos tudo no lixo (como vejo tantos fazendo por aí).

As vezes o aprendizado nos deixa cansados, mas isso faz parte do aperfeiçoamento. Alguns vão passando de ‘fase’ e se tornando melhor a cada dia, mas os apressados e carentes vão se contentar em ter em suas vidas medíocres, alguém pra postar foto nas redes sociais, com frases românticas, e nem é preciso ser algo tão sincero, contanto que seja bonito aos olhos, e garanta muitos likes. É uma pena! Mas ao que tudo indica, no mundo do “parecer”, o “SER” pouco importa.


K. Fonseca

Afetada por tudo que desperta meu afeto, um clichê inconstante e, por vezes, uma completa contradição..
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