olhar além

Para informar, reformar e transformar é preciso olhar além.

Val Romanha

Uma imensa vontade de explodir em palavras para expressar meu olhar sobre fatos, emoções e relações cotidianas a fim de transformar o mundo, o meu mundo, o inconsciente e o que transcende minha derme.

O que esse tal destino quer comigo?

Caminhos que coicidem parecendo se associar em perfeita sintonia e sincronicidade. Ou, seguidos desencontros, lacunas crescentes e engrenagens que parecem não se encaixar de maneira nenhuma. Fatos associados ao que chamamos de destino. Mas afinal, o que esse tal destino quer comigo?


Caminho destino.png

Independente de teorias e discussões é inegável a existência de uma força imperante que rege todos os movimentos do universo como as correntes dos oceanos, a direção dos ventos, as forças da natureza e todos os seres vivos. Essa força está presente na sequência programada das estações do ano, nas fases da lua e seu domínio sobre as marés, bem como na definição soberana que faz com que a semente de laranja se transforme numa laranjeira, e não num limoeiro, nem num abacateiro. Ela está presente nos organismos vivos, seus instintos e funções e rege cada movimento involuntário da natureza com imenso sincronismo. Está presente em cada elemento do universo, tornando tudo fundamental para o equilíbrio e manutenção da harmonia, cada elemento em sua respectiva função em planos definidos para contribuir com a maestria universal. . Ela atua como uma empreitada de operários invisíveis que trabalham silenciosamente para manter o equilíbrio das forças sensoriais por trás dos fenômenos aparentemente acausais.

Para a humanidade essa força extrapola os componentes orgânicos e se manifesta também em pensamentos, sentimentos, emoções ações e reações que constroem uma enorme teia de fatos correlatos. Caminhos que a gente escolhe ou que nos escolhem, quer por sorte do acaso, ou por variáveis que não dependem unicamente de nós, não nos permitindo escolher. Infinitas interações costumeiramente chamadas de destino que, num instante apresentam conexões múltiplas numa valsa milimetricamente ensaiada pelo universo e noutro resultam em caminhos controversos que divergem e se distanciam em seguidos desencontros que se avolumam como uma dantesca bola de neve.

Inúmeras correntes de relacionamentos que compõe um vasto oceano de possibilidades onde todos buscam um fim comum: a felicidade. Nessa busca, alguns mergulham incansáveis à procura de um sentido para as correlações e o entendimento da direção a seguir enquanto outros navegam na superfície com velas hasteadas simplesmente admirando a paisagem, parando nos ventos brandos e seguindo a rota que eles traçarem. O fato é que ambas são rotas desconhecidas e em qualquer jornada escolhida existirá uma imensidão de possíveis descobertas. Existirão tediosas paisagens repetidas, por vezes surpreendidas por belezas encantadoras e riscos inerentes, presumidos ou não. Por mais que consigamos prever alguns fenômenos, não poderemos mudar a direção dos ventos, frear o tufão nem sugar a ressaca. Não importará se com tormentas submersas, ou ondas arrebatadoras, a verdade é que as tempestades agitarão qualquer uma das jornadas.

Dessa forma, a grande questão não está exatamente na forma escolhida para a busca já que todos os meios podem levar invariavelmente aos mesmos fins. O muda é apenas o que encontraremos pelo caminho, as paisagens, as belezas, os riscos e o impacto das tormentas. A rota é indiferente. O que é imprescindível é o fato inquestionável de que nenhum vento ou corrente é favorável ao viajante que não sabe aonde quer ir. Sem algum objetivo estaremos sempre à deriva nesse vasto oceano, a mercê das correntes e ventos fortes. Ficamos sujeitos a olhar pra caminhos diferentes do nosso e almejar a rota alheia, perdendo muitas vezes os detalhes da nossa própria viagem, seguindo sem admirar plenamente as belezas, sem neutralizar totalmente os riscos e sentindo as tormentas muito maiores do que elas deveriam ser.

Numa atualidade onde predominam a cultura do status, a concessão excessiva e a sexualidade irresponsável, a felicidade se confunde com prazeres momentâneos medidos em likes e shares. Meros caprichos do ego preocupado em satisfazer vontades fabricadas por padrões sociais e modismos massificados. Essa superficialidade gera uma forte ilusão de felicidade quando o que realmente existe é uma mera satisfação desses caprichos, totalmente passageira e normalmente sucedida por uma avalanche de frustração, ansiedade, transtornos obsessivos e sensação de vazio. Uma era superficial altamente imediatista onde estamos perdendo a capacidade de construir, de esperar e de tirar proveito dos intervalos. Estamos muito preocupados em mostrar e pouco empenhados em reconhecer o que de fato temos para mostrar.

No entanto, para a felicidade ser efetiva e o sentido dos ventos e correntes ser favorável a nossa busca é preciso, antes de tudo, entender os verdadeiros anseios da nossa alma. Esses anseios são o que refletem em nós a regência universal e o nosso papel no universo. A partir dessa descoberta vemos que em todo desencontro há uma nova possibilidade e em cada ‘não’ existe um ‘sim’ generoso que age para que o plano magistral se realize. Começamos a notar que só existem ventos favoráveis, mesmo quando eles estão contrários ao nosso desejo superficial.

Quando conhecemos o nosso papel na valsa do universo passamos a entender que nossa visão é limitada e que reclamar do que não aconteceu é fechar os olhos para tudo o que vai acontecer. Notamos que aquilo que o destino parece estar nos privando, na verdade é o universo nos dando condições mais adequadas de alcançarmos os anseios da nossa alma. Cabe a nós apenas conhecer e ser fiéis as nossas verdades íntimas, tirar melhor proveito das oportunidades do destino e aproveitar a nossa viagem.


Val Romanha

Uma imensa vontade de explodir em palavras para expressar meu olhar sobre fatos, emoções e relações cotidianas a fim de transformar o mundo, o meu mundo, o inconsciente e o que transcende minha derme..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Val Romanha