Talita Baldin

Psicóloga por profissão, artista mais por vocação do que por profissão. Nas horas vagas atua, desenha, e rabisca um verso e outro.

11 lições que aprendi com minha nutricionista

Sobre os perigos implícitos em dietas restritivas ou A liberdade de não ser mais refém de dietas.


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Geralmente as pessoas começam a escrever coisas assim por ordem de importância, então não vou romper com a tradição e começarei pela mais importante. No entanto, os demais itens não vão em sequência de importância, mas conforme minha memória for ditando.

Lição nº 1: a coisa mais importante. Sem dúvida, o que mais importa nesse processo todo é que eu finalmente pareço ter compreendido que baixo peso não tem correlação direta com felicidade. No meu caso, baixo peso significou muita, muita, muuuuita, infelicidade. Da mesma forma, não há “incorrelação” direta, mas na verdade o que há dentro da gente é que diz o quanto estamos satisfeitos ou não com o mundo. Nosso corpo, nossas relações, nossos investimentos e desinvestimentos são apenas consequências.

Lição nº 2: aprendi que não existem comidas boas e comidas ruins. Todas elas são necessárias de forma equilibrada. Finalmente consegui romper com minha listinha de “alimentos proibidos” e como de tudo – no momento, frequência e quantidades necessários à manutenção saudável do meu organismo.

Lição nº 3: aprendi a ouvir as necessidades do meu corpo. Embora por muitos anos eu tenha negligenciado os pedidos do meu corpo acerca de suas necessidades, finalmente ele voltou a falar e solicitar quando precisa de doce, salgado, quando tem sede ou precisa dormir. Hoje consigo ouvi-lo e respeita-lo, estando consciente de que posso fazer escolhas saudáveis sem ser leviana com meu corpo.

Lição nº 4: mais é sempre menos. Excessos só me levaram a perder: menos saúde, menos autoestima, menos disposição. Hoje consigo compreender qual a necessidade e limite de meu corpo para praticar exercícios, comer, descansar. Agora sei que posso ponderar e maximizar os resultados de meus treinos, de minha alimentação e da minha rotina de forma geral.

Lição nº 5: no dia em que compreendi que eu poderia comer qualquer coisa, consegui ficar consciente de que todo e qualquer alimento estaria disponível a hora que quisesse e então a compulsão pôde ser deixada para trás, assim como os períodos de privação. Hoje sei que posso comer de tudo - apenas não posso comer tudo o que aparecer na minha frente! (risos)

Lição nº 6: pesar menos não significa necessariamente emagrecer. Percentis de gordura e peso corporal são determinados não só pelas calorias que ingiro, mas também pelo tipo de alimento (se retém líquido, se é mais líquido, se meu intestino funciona direitinho, se estou vestida quando me peso, etc.), logo, meu desespero ao subir em uma balança não é somente por aquilo que como, mas também por aquilo que continua em meu organismo, mas que não é gordura, e mesmo por aquilo que estou vestindo no momento.

Lição nº 7: se eu não tenho controle sobre a imagem que faço de mim mesma, devo ser cautelosa quanto a medidas que não dão a extensão exata de quem eu sou. Logo, abolir balanças, fitas métricas e contagens de calorias, no meu caso, foi uma medida cautelosa e prudente.

Lição nº 8: meu peso não determina quem eu sou. E só hoje eu consigo perceber que independente da minha forma corporal, NUNCA ninguém me amou mais ou menos por aquilo que minha imagem mostrava ser. Ao contrário, eu pesar menos do que um ano atrás não me garantiu as coisas que conquistei – minha dedicação para conquista-las sim.

Lição nº 9: há um peso saudável para a manutenção equilibrada do meu organismo. Ao longo dos últimos 8 anos, período em que constantemente recorri aos transtornos alimentares, tenho observado que há um peso para o qual eu sempre volto. Este é o peso que me permite fazer as coisas que eu gosto e me mantém saudável. Talvez seja este o peso que meu corpo pede para estar e, embora ele seja maior do que eu gostaria de pesar, garante minha nutrição e qualidade de vida.

Lição nº 10: descobri que pessoas que fazem dieta não querem ficar magras, elas querem emagrecer. E quanto mais emagrecerem, maior será a meta sob a qual se colocarão. No final das contas, vão descobrir que quando perdem muito peso, como foi meu caso, mais próximas estarão de ser uma pessoa menor, mas com problemas maiores.

Lição nº 11: quando alguém gasta mais tempo pensando em saúde, do que sorrindo, ele está com sérios problemas. Eu estive. Tive compulsão, pré-obesidade, bulimia, anorexia. Parece tanto para alguém que só tem 23 anos. E o pior, nunca nenhuma dessas coisas me fizeram feliz! E mesmo quando eu recebia elogios sobre meu corpo e “boa forma”, eu só tinha vontade de chorar. No fim das contas, o que eu queria mesmo era ajuda. Mais ajuda.

Essas são apenas algumas das lições que aprendi ao longo da minha “terapia nutricional”. Eu, como terapeuta, sempre me pergunto sobre como avaliar o sucesso de um paciente diante de um processo cujo objetivo se concretiza a longo prazo. No meu caso, como paciente, penso que possamos ter uma avaliação bem positiva, afinal, já faz mais de um ano que encerrei o trabalho com minha nutricionista, mas tudo o que aprendi a construir junto com ela no caminho de mudar/salvar minha vida se mantém bastante presente no dia a dia. Eu consigo realmente acreditar nessas 11 "lições" e de lá para cá, a vida pesa bem menos. Preciso agradecer a ela por muito. E mesmo que ela diga que não teria feito nada sem a minha participação, obrigada por estar presente neste caminho todo, me dando força, acreditando em mim, segurando minha mão. Muito amor pela minha nutri!


Talita Baldin

Psicóloga por profissão, artista mais por vocação do que por profissão. Nas horas vagas atua, desenha, e rabisca um verso e outro..
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