Talita Baldin

Psicóloga por profissão, artista mais por vocação do que por profissão. Nas horas vagas atua, desenha, e rabisca um verso e outro.

A playlist da minha vida

"Minha arte é meu sintoma", já disse Bertold Brecht. E a música, tantas e tantas vezes, fala por mim.


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Há vezes em que a playlist da vida fica bem eclética. A minha tá rolando meio esquizofrênica. É que “a vida tem sido água/Fazendo caminhos esguios” como muito bem lançaram a Pitty e a Elza esse mês.

A lista é seguida pelo Oswaldo Montenegro e “Estrada Nova”, para lembrar que partir sempre é um risco e que dóooooi, ah, se dói. A gente já sabe sobre esse tal do “medo de ir embora/não saber o que fazer com a mão/Gritar pro mundo e saber/Que o mundo não presta atenção”. Partir é tão intenso que respirar começa a doer. Louco, não é? Mas “Embora não pareça, a dor vai passar”.

É que partir sempre dói. Bom que não é definitivo. Os antigos dizem que “só não se dá um jeito para a morte”, o resto resolve. Então eu chamo Esteban Tavares para falarmos que as coisas não são definitivas nessa vida. Que “é só você me chamar, que eu pego o primeiro avião/Arrumo as malas, dou tchau pros cachorros/Parcelo a passagem no cartão”. Essa é para quando a saudade bate mais forte do que o coração pode aguentar. E o coração pede partida, ou retorno, sem olhar para trás. “É só me chamar que eu deixo a bagunça no chão/Nem aviso os amigos, assumo o risco, se a vida invadir a contramão/Eu só acredito no que é dito com o coração”. Porque saudade também causa dor no peito, sabe? A gente tem que deixar muita coisa para trás. Muitos amores também. A Uyara d’A Banda Mais Bonita da Cidade sabe bem: “só vai saber pra que serve o tempo/Quem se preocupar quando houver saudade/Às vezes dói, como dói querer não sentir vontade” e a “nossa vida vai dizer o que mais importa/Todo mundo vai saber que o amor convém”.

Aliás, tem mais Esteban na lista. Porque, às vezes, a saudade faz a gente achar que tá tudo bem e que é bom mudar os ares, vez ou outra. Então, na “Sétima Maior”, “vai voar pra longe/E descobrir que longe não tem como ficar/E vai voltar”. Se acreditamos que nada na vida é definitivo, tudo bem voltar, não é não? Há tempo e alternativas. Há sim, mas elas também têm seu preço: “todo recomeço tem um preço que eu não posso pagar”. Ou posso? Sempre é uma questão. Porque, lembrou bem Frejat, “que sempre haja amor para recomeçar”, na canção de mesmo nome.

A vida prega essas peças mesmo, ela às vezes dá uns tapas, mas também estende a mão. Oferece um certo “cais sobre o caos” (Gragoatá) quando as coisas pesam demais. Mesmo que seja por pouco tempo, só para a gente poder respirar, oferece “porto que sempre traz/cais sobre caos”.

A novidade sempre assusta. Traz medo, insegurança, reacende os desamparos primitivos. Inventa pensamentos, diz que estamos sozinhos, que por mais que a gente tente, nunca vai ser possível. É uma questão de tempo e de abrir o coração para o recomeço. Partir sempre com o coração inteiro e a alma leve. Então hoje? Hoje eu encaro os novos caminhos. Se não der, Oswaldo sussurra no meu ouvido que as memórias ficam. Então “lembra se puder/Se não der, esqueça/De algum jeito vai passar”, e dá sempre para “pegar o primeiro avião” (Esteban Tavares) e pagar o preço que todo recomeço tem, é só uma questão de "givin me a million reasons to [don't] quit the show", não é, não, Lady Gaga?

“Nunca mais serei aquela/Que se fez seca/Vendo a vida passar pela janela” (“Quando fui chuva – Maria Gadú). Acho que isso é assumir as rédeas da própria vida.

Lista de referências:

Na pele – Pitty e Elza Soares

Estrada Nova – Oswaldo Montenegro

Primeiro Avião – Esteban Tavares

Sétima Maior – Esteban Tavares

A dois – A Banda Mais Bonita da Cidade

Amor para recomeçar – Frejat

Cais sobre o caos – Gragoatá

Quando fui chuva – Maria Gadú

Million Reasons - Lady Gaga


Talita Baldin

Psicóloga por profissão, artista mais por vocação do que por profissão. Nas horas vagas atua, desenha, e rabisca um verso e outro..
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