Talita Baldin

Psicóloga por profissão, artista mais por vocação do que por profissão. Nas horas vagas atua, desenha, e rabisca um verso e outro.

Perda do sentido da vida e suicídio na velhice

A “cultura do descarte”, como denuncia o Papa Francisco nas encíclicas Laudato Si’ e Amoris Laetitia, é um dos motivos que levam os idosos brasileiros ao entristecimento, depressão e suicídio. Com as pessoas mais envelhecidas os dados aumentam em mais de 70%. Que amparo há para nossa velhice?


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A “cultura do descarte”, como denuncia o Papa Francisco nas encíclicas Laudato Si’ e Amoris Laetitia, é um dos motivos que levam os idosos brasileiros ao entristecimento, depressão e suicídio.

(...) O índice de suicídios na terceira idade é preocupante. Na média nacional, a cada 100 mil habitantes, 5,5 pessoas cometem suicídio. Acima dos setenta anos, a média quase duplica. A cada 100 mil habitantes, há 8,9 idosos se suicidando. Isso sem contar as tentativas de suicídio e as subnotificações – quando a morte é declarada, mas não é notificado o motivo, não entrando nas estatísticas. Na América Latina, a média é de 16,8 por 100 mil habitantes. Percebe-se, então, que as pessoas que estão nas extremidades da vida – infância, adolescência e velhice – são as que estão mais propensas a cometer suicídio.

São muitas razões que podem levar um idoso a pôr fim na própria vida, como o transtorno psíquico, o isolamento social, a perda de familiares próximos e a perda de sentido de utilidade na sociedade podem ser apontadas como causas para o aumento destes casos.

“Na maior parte das vezes, a aposentadoria representa um rompimento brusco, porque no Brasil não existe a cultura de planejar a aposentadoria de forma consistente. Aposentar-se significa romper abruptamente com a rotina de trabalho e com o ciclo de pessoas formado durante a vida”, aponta Talita. Outro problema pontual desta fase é a mudança na renda familiar, com um decréscimo monetário e aumento nos gastos com medicamentos. Com o isolamento social e baixa renda, os idosos tendem a se entristecer, o que pode levar a um quadro depressivo, que quando não tratado, pode culminar no suicídio.

Outra característica da vida na terceira idade é a morte de cônjuges e familiares, aumentando ainda mais o sentimento de solidão e deslocamento. “Do ponto de vista psicológico, são pessoas que começam a perder seus cônjuges, irmãos, amigos. Isso vai dando à pessoa um sentimento de abandono, um vazio, a ideia de não fazer falta ou não servir para nada. E esse nada é muito cheio de significados, pois a pessoa era muito ativa em todos os seus contextos e, de repente, sente-se substituível”.

Uma forma de ajudar os idosos a passarem por este processo é inclui-los na vida familiar, ouvindo com atenção e paciência suas partilhas e incentivá-los permanecerem ativos, através de atividades promovidas especificamente para a pessoa idosa, por exemplo, as universidades para a Terceira Idade. “Estes são espaços em que eles podem aprender algo novo, ensinar aquilo que eles sabem e socializar, mantendo relações, trocando afeto. Isso é extremamente importante em qualquer fase da vida e, na velhice, é muito mais necessário, porque é a forma de garantir vínculos”.

Entrevista concedida e publicada originalmente a e por Érika Augusto, na Província Franciscana da Imaculada Conceição - OFM. Disponível em: franciscanos.org.br/noticias/suicidio-quando-a-vida-perde-sentido-para-os-idosos.html


Talita Baldin

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