olhos no mundo

Olhares que se abrem em palavras.

Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo.

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    Chegados a este ponto, extraditemo-nos

    Chegados a este ponto, talvez importe questionar e/ou reflectir sobre que sociedade e cidadania queremos ter e sobre aquela que efectivamente se nos apresenta (e que integramos).
    Ouso dizer que, quando só se vê bem ao perto, se perdem as perspectivas e a capacidade de ampliar o campo de visão. Não se sai da ilha para que a ilha se veja, como diria Saramago. Ao invés, segue-se a direito, contra tudo e todos, incluindo o próprio, sem que seja sua a verdadeira noção de assim o ser, de assim proceder.

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    Nós os outros e a empatia

    Colocar-se no lugar do outro não é tão fácil quanto possa parecer, embora nos seja muitas vezes imposto. Ao longo das História, a humanidade sempre apresentou dificuldade em lidar com as diferenças, criando, nas sociedades onde se insere, lugares cativos que apenas se crê serem destinados a outros (desde logo às minorias). Desta forma, tanto a alteridade como a empatia, por serem habilidades complexas com necessidade de desenvolvimento e trabalho ao longo da vida, dão lugar à facilidade e à necessidade recorrente de classificar cada um dos demais nesse seu lugar.

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    Há mundo para além do mundo

    Agasalhados pela ditadura da vida frenética, enquanto o tempo nos engolia pouco a pouco, fomos acreditando que nada podia parar. Nem nós. A vida comia-se rapidamente, sem pensar muito nela.
    Submissos ao despotismo do tempo, fomo-nos empurrando para o fim de semana, à vida para o mês seguinte, ao coração e à alma para outro século

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    O Suporte Espiritual na Superação da Crise

    Presentemente, desprotegidos, diante de uma ameaça invisível capaz de nos levar a nós e aos nossos, sem que exista um critério de escolha, fica o sabor amargo da impotência, perante o choque frontal com a constatação do quão verdadeiramente finitos e pequenos somos.

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    Sobre liberdade e responsabilidade, mad também sobre quarentena, arte e reinvent

    Em período de quarentena, sejamos criadores e não destruidores, porque necessitaremos dessa nossa capacidade de reinvenção quando tudo isto findar. Aproveitemos o tempo para pensar, para ler, para descansar, para criar (seja qual for a nossa arte ou dom), para transformar positivamente os tempos difíceis que se atravessam, porque o mundo estagna, a normalidade tarda em retornar, mas as pausas da vida apenas nos ensinam a encará-las como oportunidades de preparação para um futuro incerto.

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    A importância de saber dizer e saber ouvir um "não"

    Ser sábio é saber aceitar o que não pode ser alterado, saber esperar o tempo certo de e para cada situação, saber usar a disciplina como veículo de melhoria em tudo o quanto tem margem para ser melhorado, retirar das lições os ensinamentos mais certos e aplicá-los construtivamente no futuro. É prestar atenção aos detalhes, ser respeitador e ter consciência de que um "não" ouvido ou dito no momento exacto, poderá ser a chave que futuramente abrirá a porta que realmente se quer.

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    Pequenos Grandes Luxos

    Temos vindo, enquanto sociedade evoluída, a perseguir aquilo que brilha, o que, por vezes, ofusca, a desejar a beleza e o que, por beleza, nos parece belo. Preferimos trocar o que os nossos corações desejam, pelos deslumbres que nos encantam os olhos. Preferimos a aparência ao conteúdo.
    Na verdade, creio eu, a única luxúria que nos realiza é os outros nos tenham, e nós os possamos ter também, sem posse, mas numa outra dimensão à qual chamamos alma e coração.

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    Sobre o amor

    Já quase ninguém quer amar. Quer-se apenas estar, conhecer melhor alguém ou conhecer alguém melhor; quer-se explorar algo que nos desperta interesse ou quer-se somente companhia...
    Quer-se, mas não se quer... Porque amar se tornou um exercício demasiado complexo e rebuscado, exigente e sujeito a regras utópicas, regulamentado por um código de ética e etiqueta social que nem sempre se encontra ao nosso alcance.
    Porque o amor não está no que se mostra ou possui, no estatuto social, num acto de conveniência ou na necessidade momentânea. O amor está no que se sente e se faz sentir.

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    A Fuga da Intimidade Lenta

    . A vida já não surpreende... Queixamo-nos, mas somos nós quem não quer ser surpreendido. Queremos, apenas, em número e velocidade, as coisas a passar e a acontecer "ao longe".

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    Saber Perder

    Durante a vida, são muito mais as vezes em que perdemos do que aquelas em que ganhamos, sendo que o primeiro passo para manutenção do equilíbrio, deverá passar pela aceitação da realidade dos factos.
    Porque qualquer que seja o nosso insucesso, a lição passará sempre por aprender com ele, utilizando o acontecimento como oportunidade de melhoria e evolução, em prol do crescimento pessoal. Nunca a falha deverá ser sinónimo de derrota, mas sim de transformação.

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    A Falsa Felicidade e as Redes Sociais

    O “estar bem” deixou de ser um caminho pessoal para se tornar uma imposição social.As fragilidades do ser humano deixaram de ter lugar, assim como a consciência de que somos falíveis, que erramos, que choramos, que sofremos, que passamos por dificuldades num ou outro momento, que a tristeza é tão válida quanto a alegria, que não acordamos nem adormecemos perfeitos, tão pouco 100% realizados e sem quaisquer problemas na vida.
    E é esta "falsa felicidade" que tantas vezes cria, em quem assiste, um sentimento de inadaptação ao meio.

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    Relações Humanas

    Vivemos hoje num mundo veloz, absorbidos por rotinas alucinantes e sem tempo para o tempo que nos é necessário (e pedido) . À mercê de um mar de informação instantânea e entregues à facilidade das oportunidades multiplas, assim como das ofertas diversificadas, giramos cada vez mais em torno do "eu", prosseguindo na utópica e inflexível procura daquilo que apenas possa funcionar à nossa maneira, satisfazendo-nos.

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    Regressaremos sempre ao lugar onde verdadeiramente nos somos

    Ser, honesta e integralmente quem somos, para nós e para os demais, jamais deverá ser sinónimo de culpa ou sentimento de inferioridade, mesmo que não nos tenham sabido sentir, viver, amar, acarinhar, respeitar e cuidar. Dar, é um dos pilares cujas fundações, bem profundas, garantem a sustentabilidade das relações pessoais e emocionais, sendo fundamental para a harmonia e equilíbrio, tanto da individualidade, como do casal.
    Contudo, é também neste ponto da doação que assenta a perigosidade de podermos deixar de nos ser, aos poucos, em relações que não entendemos, no seu início, serem unilaterais. Chamemos-lhe relações egoístas, na medida em que uma parte apenas dá e a outra se limita a receber.

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    A Possibilidade dos Recomeços

    Na vida existem - e sempre existirão - períodos de mudança e transformação. À semelhança da transição entre estações do ano, também as etapas do nosso caminho são varridas por tempestades de inverno, ou abençoadas pelo florescer da beleza tranquila da primavera. O vento leva o que já não não acresce ou não nos serve a partir daí, e a chuva lava e purifica o que fica, preparando-nos para o período fértil dos recomeços.

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    Cerca-te de Pessoas que Te Inspiram

    Pessoas. Terás sempre pessoas ao teu redor. As certas e as erradas.
    Serás obrigado a aprender a escolher entre quem te vai influenciar positivamente e entre aqueles que pouco, ou nada, te acrescentarão. Serás obrigado a perceber quem são as pessoas que te elevam e quem são os negativos que te enfraquecem.
    Pessoas que sabem utilizar tão bem o cérebro, quanto o coração. E estão contigo (e por ti) sem qualquer obrigação.