olhos no mundo

Olhares que se abrem em palavras.

Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo.

Regressaremos sempre ao lugar onde verdadeiramente nos somos

Ser, honesta e integralmente quem somos, para nós e para os demais, jamais deverá ser sinónimo de culpa ou sentimento de inferioridade, mesmo que não nos tenham sabido sentir, viver, amar, acarinhar, respeitar e cuidar. Dar, é um dos pilares cujas fundações, bem profundas, garantem a sustentabilidade das relações pessoais e emocionais, sendo fundamental para a harmonia e equilíbrio, tanto da individualidade, como do casal.
Contudo, é também neste ponto da doação que assenta a perigosidade de podermos deixar de nos ser, aos poucos, em relações que não entendemos, no seu início, serem unilaterais. Chamemos-lhe relações egoístas, na medida em que uma parte apenas dá e a outra se limita a receber.


Regressaremos sempre ao lugar onde verdadeiramente nos somos.

Depois do naufrágio, da tempestade que se abate e não se prevê, da névoa duvidosa nos inquietos caminhos do coração que nos levam ora atrás, ora adiante.

É frequente, e acima de tudo humano, sofrer. E nas relações, sabemo-lo, nunca a isenção da dor e dos maus momentos é garantia. Contudo, não deixarmos de ser (quem somos) é determinante para a minimização das feridas que possam um dia ser abertas, por motivos diversos e que nos são comuns a todos. Ser, honesta e integralmente quem somos, para nós e para os demais, jamais deverá ser sinónimo de culpa ou sentimento de inferioridade, mesmo que não nos tenham sabido sentir, viver, amar, acarinhar, respeitar e cuidar. Dar, é um dos pilares cujas fundações, bem profundas, garantem a sustentabilidade das relações pessoais e emocionais, sendo fundamental para a harmonia e equilíbrio, tanto da individualidade, como do casal.

Li, por aí, que “precisamos de morrer algumas vezes de amor para percebermos o que queremos da pessoa ao nosso lado e o que é que temos para lhe dar.” Para mim, que me assumo pouco sabedora da “ciência” do amor, amar reside no dar e nao no receber, embora sem partilha uma relação não possa coexistir.

Contudo, é também neste ponto da doação que assenta a perigosidade de podermos deixar de nos ser, aos poucos, em relações que não entendemos, no seu início, serem unilaterais. Chamemos-lhe relações egoístas, na medida em que uma parte apenas dá e a outra se limita a receber. Não raras são as vezes em que estas relações se estabelecem entre pólos opostos: um alguém manipulador e outro puramente honesto e sensível, um ser emocional se assim quisermos, em que o primeiro estuda o segundo para que se possa moldar inequivocamente à sua medida e daí, pouco a pouco, conseguir retirar dele tudo aquilo de que a sua alma e vida carecem. A imagem que o manipulador alimenta no ser emocional, cria elos profundos e desperta emoções e sentimentos genuínos como a empatia, a atração, a amizade, a confiança, o respeito, a admiração, o amor… Na verdade, este quase se revê a si na imagem criada. Não é vergonha assumi-lo. Não é vergonha afirmar que se amou alguém que, afinal, nunca existiu. Chorar sobre os bocadinhos de si próprio caídos no chão, sempre que, inadvertidamente, se vê desmoronar um ideal enraizado do lado de dentro do coração, é humano e puro.

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Dá-se. Dá-se sempre mais e procura-se dar ainda mais sempre que a relação não está bem, para que o equilíbrio do parceiro estabilize o barco que, um sozinho, dificilmente faz mover. Sem se dar conta, o ser emocional reduz-se sempre que se constata ser necessário caber nos ideais, vontades, caprichos ou necessidades do manipulador. Cede com frequência e, mesmo quando se impõe, perante situações em que os seus valores são colocados em causa ou estremecem, acaba sempre por apresentar um pedido de desculpa, apenas para ter o prazer de ver o parceiro sorrir e poder sentir a paz reinar novamente. (No fundo, e embora duro de aceitar, são esses momentos em que o outro sorri, ri, se demonstra saciado de amor e transparece bem-estar que dão alimento ao primeiro). E enquanto de barriga cheia segue um, vai o outro ficando sem si, até ao limite em que deixa de ser e se perde…

Habituado a viver numa solidão assistida, vai ficando até não mais ser possível. Aqui, das duas uma, ou é libertado (ou se liberta) para que se possa restabelecer e (ou não) voltar depois, com mais para dar, ou poderá ser descartado e culpabilizado pelo fracasso da relação. Podendo, também, em alguns casos, ser utilizado como o "mau da fita" na relação seguinte, garantido a explicação para a suposta fragilidade do manipulador que, assim, garante a repulsa do novo manipulado para com o anterior, abrindo espaço para jogar com duas peças sempre que isso se justificar.

Desengane-se quem julga que situações destas apenas acontecem aos patetas ou pessoas mais frágeis, porque um dia, sem esperarmos, podemos ser nós. Os mesmos que hoje dizemos "isso comigo não aconteceria". Basta ter coração e permitir que este se sobreponha à razão. Por mais inteligentes que possamos ser, o nosso lado emocional também nos comanda, boqueia ou liberta, de acordo com as circunstâncias. Do coração, poucas razões lhe conhecemos.

“As relações mais importantes são profundamente frágeis, porque estão sempre debaixo de um sufrágio muito apertado da nossa parte.” (Professor Eduardo Sá)

Mas, e porque há sempre um mas… Regressaremos sempre ao lugar onde verdadeiramente nos somos: a nós!


Rita Palma Nascimento

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