olhos no mundo

Olhares que se abrem em palavras.

Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo.

Relações Humanas

Vivemos hoje num mundo veloz, absorbidos por rotinas alucinantes e sem tempo para o tempo que nos é necessário (e pedido) . À mercê de um mar de informação instantânea e entregues à facilidade das oportunidades multiplas, assim como das ofertas diversificadas, giramos cada vez mais em torno do "eu", prosseguindo na utópica e inflexível procura daquilo que apenas possa funcionar à nossa maneira, satisfazendo-nos.


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Das relações humanas... e da sua complexidade.

Vivemos hoje num mundo veloz, absorbidos por rotinas alucinantes e sem tempo para o tempo que nos é necessário (e pedido) . À mercê de um mar de informação instantânea e entregues à facilidade das oportunidades multiplas, assim como das ofertas diversificadas, giramos cada vez mais em torno do "eu", prosseguindo na utópica e inflexível procura daquilo que apenas possa funcionar à nossa maneira, satisfazendo-nos. Não é por isso de estranhar que, cada vez mais, tenhamos dificuldade em nos alinhar com os demais, em encontrar pontos de convergência, em experienciar a empatia e em vivenciar a possibilidade de nos identificarmos com alguém, de sentir o conforto da verdadeira partilha (de ideias, de momentos, de vida, de paz, de bem-estar físico e emocional, dos dias curtos e dos mais longos, da gargalhada, do sorriso, das lágrimas ou de um abraço sincero, de uma conversa banal ou do mistério dos sonhos...) - nós nos outros e os outros em nós.

Perdemos a capacidade de saber esperar o tempo devido, de ser tolerantes, compreensivos, altruistas e de nos saber colocar no lugar do outro. Caímos na armadilha e somos, nós próprios, animais de apetites, gostos, quereres, prazeres, vontades, ideias, momentos, relações e emoções instanteneas. Banais, diria. Desistentes, afirmo. Apaixonados pelo facilitismo do agora.

Sem espaço para o diálogo, perde-se a capacidade de se ser humano e, por consequência, de dar a oportunidade ao outro (de ser, de se expressar, de se justificar, de pedir desculpa, de errar, de chorar, de sorrir, de sentir, de chegar a nós...). É mais fácil, e quantas são as vezes em que esta é a escolha, terminar a viagem e sair na paragem seguinte, porque, afinal, há sempre um próximo combóio.

Ou então, permanecemos sozinhos (uns sós, outros plenos) ... pela incompatibilidade social, comportamental, sentimental e ideológica; de valores e princípios.

Certo é que o relacionamento humano exige maturidade, tolerância, altruismo e respeito, tornando-se um dos exercícios mais difíceis e desafiantes da vida. Todavia, é tão certo, também, que são os caminhos mais sinuosos que nos levam aos melhores lugares.

Porque no fundo, e no final de cada dia, aquilo que todos queremos é sentir felicidade, ter por perto quem nos eleve, nos acrescente, nos inquiete e nos remexa as entranhas, nos acarinhe, proteja, faça um esforço por nos compreender, nos abrace, nos surpreenda, quem permaneça nos momentos mais difíceis e construa connosco dias inesquecíveis. Quem nos faça. Quem possamos fazer. (ou não sejamos nós a soma de tudo o quanto nos rodeia).

As relações humanas saudáveis são, muito provavelmente, a maior e mais bonita magia da vida.

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Há quem por ti passe, tal como vês o tempo passar. E há quem com o tempo fique, ou ganhe um lugar para ficar.


Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo. .
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