olhos no mundo

Olhares que se abrem em palavras.

Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo.

O Suporte Espiritual na Superação da Crise

Presentemente, desprotegidos, diante de uma ameaça invisível capaz de nos levar a nós e aos nossos, sem que exista um critério de escolha, fica o sabor amargo da impotência, perante o choque frontal com a constatação do quão verdadeiramente finitos e pequenos somos.


No decorrer dos dias, e ao longo dos tempos, mantivemos com o “material” uma relação de dependência que, equivocamente, nos concedeu uma falsa sensação de poder, de posse ou de superioridade, como forma compensatória. Vivendo exteriormente, para a imagem, para as rotinas e consequente recompensação, fomo-nos afastando de nós, dos nossos propósitos, daquilo que somos, do que gostamos, do que nos mantém unos, de tudo o que verdadeiramente nos impulsiona, acrescenta e atribui sentido à existência. Passámos a ser (porque também assim nos apresentamos) um determinado título, uma profissão, o vizinho do carro vermelho, o dono da empresa X, a mulher/marido de Y, o indivíduo que veste fato... mas quem somos, por trás do acessório?

A realidade que à data vivemos, entre outras premissas, veio mostrar-nos o quão frágeis e vulneráveis somos face a acontecimentos extrínsecos, incontroláveis e imprevisíveis. Veio fazer-nos pensar na insignificância do valor “material”, que em nada nos diferencia, diante de um cenário de pandemia que se abate e que a todos nos designou como alvo. Veio lembrar-nos da importância de nos questionarmos sobre três do mais importantes lugares da vida:

1 - Para onde nos dirigíamos? 2- Onde ficámos? Ou onde estamos? 3- Para onde queremos ir?

Veio fazer-nos sentir que o conforto se adquire materialmente, mas que, em confinamento, só nos confortará o que espiritualmente formos capazes de atingir (não por via religiosa), na procura pelo equilíbrio emocional. E isso não se compra.

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Presentemente, desprotegidos, diante de uma ameaça invisível capaz de nos levar a nós e aos nossos, sem que exista um critério de escolha, fica o sabor amargo da impotência, perante o choque frontal com a constatação do quão verdadeiramente finitos e pequenos somos.

Resta-nos observar o mundo e observar-nos a nós. Caminhar para dentro e ser capazes de nos encontrarmos connosco, de nos conhecermos no escuro, como à semente que germina no interior da terra, em silêncio, antes de se mostrar planta à luz do dia. Resta-nos saber olhar para o espelho e ver através dele. Não só o reflexo do presente, mas também o caminho já percorrido, para que, com firmeza, nos possamos questionar sobre o depois. Resta-nos a esperança, feita de indignação e coragem. Indignação para que sejamos capazes de apreender o que não está bem e a coragem para que o possamos mudar o possível. Resta-nos a criatividade e a arte da reinvenção. Resta-nos a observação, sem somatizar a realidade circundante, uma vez que, só dessa forma, será possível reunir a energia (positiva) necessária à transformação do velho em novo. Resta-nos a iluminação interior, conseguida através da consciência e clareza a respeito da nossa missão, assim como da conservação da vontade e honestidade do seu cumprimento.

Resta-nos ser, apenas, sem acessórios, para conseguir encontrar o caminho da superação, da libertação, do distanciamento a causas externas, mas também o rumo mais certo após a tempestade. Porque o mundo, esse, continuará no mesmo lugar, mas a vida não. O que ontem tínhamos por garantido (erroneamente), poderemos já não ter, e aquilo que pretendíamos alcançar poderá já não ser atingível ou real. A sociedade não será a mesma e a crise não será apenas económica, será sectorial e social, com toda a devastação e mudança que isso implica.

E se agora não é altura para nos dividirmos entre fortes e fracos, doravante prevalecerá a força interior. Essa força que vem de dentro e só cresce se ousarmos praticar o auto-conhecimento (por mais que nos assuste conhecermo-nos) . Essa força que só se revela se soubermos para onde vamos e por que vamos. Essa força quantas vezes desnutrida e enfraquecida, camuflada por aquilo que mostramos e/ou gostamos de parecer ser. Essa força que é preciso alimentar. Essa força que não derruba ninguém, mas ajuda a levantar.

Essa força espiritual não assente no “material” nem na religião. Essa força. A força de cada um. A força de quem se é verdadeiramente. A luz!


Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo. .
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