olhos no mundo

Olhares que se abrem em palavras.

Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo.

Sobre liberdade e responsabilidade, mad também sobre quarentena, arte e reinvent

Em período de quarentena, sejamos criadores e não destruidores, porque necessitaremos dessa nossa capacidade de reinvenção quando tudo isto findar. Aproveitemos o tempo para pensar, para ler, para descansar, para criar (seja qual for a nossa arte ou dom), para transformar positivamente os tempos difíceis que se atravessam, porque o mundo estagna, a normalidade tarda em retornar, mas as pausas da vida apenas nos ensinam a encará-las como oportunidades de preparação para um futuro incerto.


blogger-image--48257364.jpg

Nós, os humanos, não vivemos sozinhos. Estabelecemos relações diariamente, vivendo em sociedade com normas estabelecidas. Entre moral, ética, responsabilidade e liberdade importa reter a relação de complementaridade que existe entre elas. Desta forma, o Homem será sempre responsável pelos actos que pratica, com e em liberdade. E se a liberdade pressupõe capacidade de escolha, pressupõe igualmente ponderação de riscos e competência para os assumir. O acto livre é, e continuará a ser, um acto pelo qual devemos responder e responsabilizar-nos, mas, para tal, é necessário maturidade.

Quando vivemos sobre a autoridade de um país é fácil apontar o dedo e lamentarmos as medidas mais ou menos rígidas que nos são impostas, mesmo perante um surto epidémico, onde a palavra de ordem é agir no sentido da redução da propagação descontrolada do vírus, através da aplicação de métodos de controlo. Embora impopulares, medidas como a quarentena são necessárias e de eficácia comprovada em momentos anteriores da nossa História. E como tal, devemos respeitá-las. Com eventos cancelados, viagens suspensas, edifícios fechados, o crescimento diário de casos de isolamento, a vida fica mais chata… mas aglomerações humanas na praia, shopping’s ou jardins também não são opção. Sim, é necessário evitar temporariamente o contacto humano, embora sejamos animais de relações.

E é aqui que recai a nossa liberdade de escolha em se ser ou não responsável, em dar ou não ouvidos à persuasão do facilitismo e em continuarmos ou não a ser hospedeiros de um outro vírus, o do egoísmo e egocentrismo, que raras vezes tememos. Não seria agora diferente. Pensar que somos, nós próprios, um risco para os demais, obriga-nos a olhar para o mundo e para os outros, ao invés de estarmos e continuarmos aqui apenas como passageiros na nossa bolha. Afinal servimo-nos dos olhos e do entendimento, assim como das situações, na óptica do favorecimento pessoal e, por isso, permaneceremos reclusos dos actos que em liberdade praticamos. Queremos ser livres, mas não sabemos sê-lo.

Por outro lado, e por oposição ao desinteresse existe o medo, que não será um comportamento tido como de menor risco. É certo que o nosso cérebro está programado para reagir de uma determinada maneira quando vivenciamos situações de grande incerteza ou stress. O lado emocional facilmente se sobrepõe ao racional, resultando, muitas vezes, em comportamentos irracionais: luta, bloqueio ou fuga. Em alerta constante, num instinto de sobrevivência, tornamo-nos igualmente egoístas, e as corridas aos supermercados enchendo carrinhos são reflexo disso mesmo. Ganha a inconsciência e quem tiver maior poder de compra ... sim, não chegará para todos. Quer-se bom senso e consciência, respeito, equilíbrio e mais uma vez responsabilidade na liberdade individual.

Apedrejar autocarros com pessoas suspeitas de infecção como ocorreu na Ucrânia, ou discriminar cidadãos chineses e italianos também não será um acto responsável. Porém, vale-nos um outro lado, o da entreajuda, o da união, o da consciencialização que muitas vezes nos chega através do meio artístico, o da vontade de vencer as vicissitudes tendo por base a magia humana (que, espantem-se, existe), a bondade, o amor e o altruísmo.

Em período de quarentena, sejamos criadores e não destruidores, porque necessitaremos dessa nossa capacidade de reinvenção quando tudo isto findar. Aproveitemos o tempo para pensar, para ler, para descansar, para criar (seja qual for a nossa arte ou dom), para transformar positivamente os tempos difíceis que se atravessam, porque o mundo estagna, a normalidade tarda em retornar, mas as pausas da vida apenas nos ensinam a encará-las como oportunidades de preparação para um futuro incerto.

Encontramo-nos por aí, na esquina de um abraço musical, de um olhar poético, de um beijo fotográfico, do êxtase de uma pintura… do amor resultante do encontro entre as mãos e alma.


Rita Palma Nascimento

Olha para o Mundo com os teus olhos e não com os olhos do mundo. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Rita Palma Nascimento