os caminhos do pertenc-(s)er-se

Para se fazer caminhos é essencial sentir-se, buscar-se e pertenc-(S)er-se.

Veruska Queiroz

Psicanalista, escritora, consultora de estilo e de moda, consultora de decoração, lifestyle coach, uma apaixonada por pessoas, pela arte do viver, por cultura em todos os seus segmentos e por todas as expressões de artes. Sou muitas de mim e uma aprendiz de infinitos...

Xeque Mate

Um ser humano pode ser – seja lá por quais motivos forem – seu próprio melhor amigo ou pior inimigo, pois é dentro de cada um que são – ou deveriam ser - travadas todas as lutas, todas as batalhas e o que um homem precisa vencer é a si mesmo em primeiro lugar. Se não há inimigos interiores, não há também nenhum inimigo exterior que possa vencer um ser humano que pertence-se a si mesmo.


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Um amigo escreveu em sua página: "O inimigo mais terrível é aquele que já foi nosso amigo, pois conhece as nossas fraquezas."(Fernando Guimarães). No entanto, dentro de um contexto pessoal ou até mesmo social, olhando com mais atenção e cuidadosamente, podemos ver algo um pouco diferente, ou seja, um ser humano pode ser – seja lá por quais motivos forem – seu próprio melhor amigo ou pior inimigo, pois é dentro de cada um que são – ou deveriam ser - travadas todas as lutas, todas as batalhas e o que um homem precisa vencer é a si mesmo em primeiro lugar.

Se não há inimigos interiores e se por dentro de si mesma uma pessoa está em paz, se sua conduta está alicerçada em ética, retidão de caráter, bons valores que a conduzam a olhares e vivências onde o aprendizado e o crescimento são um dos maiores objetivos que a motivam a buscar a si mesma e assim, conhecer-se, fazer suas travessias e descobertas, entrar em contato com sua essência em estado puro e ir em busca da maior conquista e da maior vitória que um ser humano pode alcançar, que é pertencer-se a si mesmo, não há nada exterior que mude seu direcionamento interno.

Só uma pessoa pode decidir se ela será sua própria amiga ou sua própria inimiga. É uma questão de conduta e postura de vida, de escolhas e de atitudes. Não há inimigo maior de um ser humano que ele próprio, se assim ele o fizer – e o contrário naturalmente confira-se uma realidade.

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Mas, voltando a frase que deu origem à inspiração deste texto e mesmo que um ser humano possa ser seu próprio maior inimigo e algoz e, ainda que exista a possibilidade de, através desse imenso desamor consigo mesmo, ele consiga transformar-se também no inimigo de alguém ou não que outrora tenha sido seu amigo(?) – porque quem não consegue ser amigo de si mesmo, fatalmente e irrefutavelmente, por uma questão de lógica, não conseguirá ser amigo de mais ninguém, mesmo que consiga fingir... até para si mesmo – tanto em relação a si quanto em relação a todas as pessoas – podemos anular e "acabar" completamente com a força deste "nosso inimigo", pois se o rabo do gato é o gato e o avesso do bordado é o próprio bordado, podemos usar as "fraquezas" que esse "nosso inimigo" conhece de nós – ou julga, na maioria das vezes equivocadíssimamente conhecer – jogando, inicialmente o mesmo jogo dele ou deixando-o achar que estamos jogando o mesmo jogo - e, como elemento surpresa, ainda inventando outro que ele jamais supôs e imaginou existir.

Se o "nosso inimigo", amigo(?) de outrora, conhece nossas fraquezas, o jogo fica empatado, pois nós também conhecemos as fraquezas dele. E aqui lembrando Freud: "Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza, mas com frequência são também a fonte de nossa força". Ou seja, se o "nosso inimigo" conhece nossas fraquezas – lembrando sempre que nós também conhecemos as dele - ele não as pode conhecer mais do que nós mesmos – ou não deveria conhecer – uma vez que somente nós nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa. Sendo assim, se nós nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa – inclusive milhares de vezes melhor do que "nosso inimigo" - podemos fazer o que ele ainda não conhece e nunca conseguirá imaginará que possamos fazer, ou seja, podemos transformar nossas fraquezas em nossas maiores forças.

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Como o "nosso inimigo" é antes um inimigo de si mesmo e sendo assim não se conhece verdadeiramente e não pertence-se a si mesmo - avançamos todas as casas e damos o xeque-mate.

O inimigo pego de surpresa - pois só conhecia ou julgava conhecer nossas fraquezas - nada mais poderá contra nós, pois, a partir do momento que transformamos fraquezas em forças indestrutíveis – por nos conhecer melhor do que qualquer outra pessoa – saímos totalmente da zona de conhecimento do "nosso inimigo" ou do que ele julgava conhecer e nos apropriamos da nossa zona de conhecimento – nossa zona de força que foi transformada de nossas fraquezas, que ele ainda não conhece e também da zona de conhecimento de "nosso inimigo" que já conhecemos - e nos apropriamos definitivamente de quem realmente e verdadeiramente somos e sempre fomos, no maior ato de coragem que existe que é exatamente pertencer-nos a nós mesmos – algo desconhecido por quem é inimigo até de si mesmo, no caso "nosso inimigo", tão mais inimigo de si do que de qualquer outro ser humano.

E quem conhece dois, conhece mais e joga o jogo muito melhor. Agora lembrando Zé Ramalho, se "em terra de cego, quem tem um olho é rei", imagina quem tem os dois diante desse "nosso inimigo", que passa a não tem mais nenhum? Xeque-mate.

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Veruska Queiroz

Psicanalista, escritora, consultora de estilo e de moda, consultora de decoração, lifestyle coach, uma apaixonada por pessoas, pela arte do viver, por cultura em todos os seus segmentos e por todas as expressões de artes. Sou muitas de mim e uma aprendiz de infinitos....
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