José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA.

Amor, poesia e cozinhar

Cozinhar exige um misto de curiosidade e desejo de aprender. Como afirma Mia Couto: Cozinhar é o mais privado e arriscado ato. No alimento se coloca ternura ou ódio. Na panela se verte tempero ou veneno. Cozinhar não é serviço.
Cozinhar é um modo de amar os outros."


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Cozinhar é um dom. Não é simplesmente uma fórmula matemática, ou seguir a receita. Muito depende da inspiração e muitas vezes o que temos na geladeira. Há algo mágico no ato de cozinhar. É uma espécie delicada de feitiçaria. Está presente a criatividade e o prazer.

Cozinhar nos situa num lugar muito particular. São momentos sublimes, de êxtase e genialidade. De fato, “carrega uma força emocional e psicológica do qual não podemos ou queremos nos livrar”. Cozinhar é um ato de amor. Se o amor é o ápice mais perfeito da loucura e da sabedoria, cozinhar é uma forma poética de juntar elementos genuinamente diferentes e torná-los agradáveis.

Cozinhar faz parte da poesia da vida.

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Cozinhar abre perspectivas e novos horizontes. Porque vamos aprendendo sobre os ingredientes, logo queremos saber a procedência (o produtor), como as coisas são feitas, sua trajetória.

E é um momento festivo e nostálgico a hora de comer. As conversas, os olhares, o silêncio saboroso e o barulho dos talheres. Quando estamos na presença de nossa família e de pessoas especiais, sentimos uma centelha divina. É um raro momento de epifania.

Para Michael Pollan, cozinhar é uma das atividades mais interessantes e recompensadoras que podemos fazer. Dizem que a escritora Agatha Christie fazia da cozinha seu refúgio predileto. Quando seu pai morreu, em 1901, ela estava com 11 anos. Em vez de ir ao funeral, preferiu passar o dia entre pratos e fogões. Certa vez, a autora admitiu que os melhores momentos para inventar uma história eram aqueles passados ao fogão, que cozinhar e escrever eram ofícios muito parecidos.

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Tanto o ato de cozinhar como de escrever requerem um eterno aprendizado. Dissolvem angústias, minimizam as aflições, orientam uma decisão sábia e ajudam a construir saídas no labirinto criativo.

“Cozinhar é a única coisa que, enquanto eu faço, sinto poder confiar inteiramente. Quando monto um prato, minha mente se esvazia por completo. Tudo se baseia no sentimento”.

É um momento doce, salgado, picante de amor e poesia.

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José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA. .
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