José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA.

Lembranças fotográficas

"Fotografia é registrar a magia dos momentos e capturar a eternidade!!!"


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Um retrato de família eterniza um momento no tempo e espaço: os gestos, os sorrisos, as vestimentas, as feições, as pessoas envolvidas.

Após muitos anos, quando olhamos para aquela mesma imagem capturada pela máquina fotográfica, sentimos que não somos os mesmos.

O mundo mudou e nós também mudamos para bem ou para mal.

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Recorro a poetisa brasileira, no poema Retrato, para ilustrar o que significa essa ideia de mudança e transitoriedade nas fotografias e no tempo:

"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo Eu não tinha estas mãos sem força Tão paradas e frias e mortas Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não de por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil, - Em que espelho ficou perdida A minha face?"

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Um retrato, portanto, seja em família, entre colegas e amigos, numa foto de casal ou numa solitária foto representa um raro e singular evento do passado.

Como afirmava Henry Cartier-Bresson (1908-2014): "As coisas das quais nos ocupamos, na fotografia, estão em constante desaparecimento e, uma vez consumado, não dispomos de qualquer recurso capaz de fazê-las reaparecer."

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Portanto, esse retrato, muitas vezes, pode causar fortes e embriagantes emoções – de alegria ou tristeza, felicidade e rancor, saudade e melancolia -, ainda mais, quando as pessoas queridas na imagem nos deixaram por motivos diversos, e é claro, em virtude da morte: o fim inevitável.

Ao observarmos, atentamente, a fotografia impressa ou na tela do computador, tentamos resgatar o sentimento daquele momento ímpar. Não sentiremos a mesma sensação. Aquele sentimento vivido nunca mais será sentido. O olhar, o sorriso, a alegria, o contentamento descontente nunca será o mesmo.

"A fotografia reproduz ao infinito e só ocorre uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente".

Como dizia o filósofo David Hume (1711-1776), essa é a diferença entre as ideias e as impressões. De acordo com o filósofo Marcelo Ribeiro da Silva, "para Hume, as impressões são as percepções originárias, que se apresentam com maior força e vivacidade, exemplo disto são as sensações, paixões e emoções enquanto que as ideias são as imagens enfraquecidas que a memória produz a partir das impressões”.

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Nesse sentido, seguindo o raciocínio do cético filósofo David Hume, embora não viveremos os mesmos sentimentos reinantes nos momentos da fotografia, a vida nos oferece viver outras experiências, com novas pessoas, com novas percepções, com novas impressões e ideias.

E que venham novas fotografias e novas experiências.


José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA. .
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