José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA.

O pêndulo da felicidade

As pessoas mais felizes e realizadas são as que sabem aonde querem chegar e têm metas. No entanto, a felicidade completa e positiva é impossível: em vez dela, pode-se esperar apenas um estado relativamente menos doloroso. É o pêndulo da felicidade.


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“No verão às quatro da manhã, o sono do amor ainda dura, sob o arvoredo se evapora o odor da noite de festa”. Nesses breves e sublimes versos, o poeta simbolista Arthur Rimbaud (1854-1891) atinge, com imediata facilidade, o real das explosões festivas, coloridas e intensas de gostos, sabores inigualáveis, emoções únicas e sensações de alegria e esperança que brotam em nossos corações.

Dias de festividades são diversos em nossas vidas: aniversários, casamentos, formaturas, entre outros. Inebriamos com o doce perfume de felicidade. Nesses momentos festivos, sentimos a presença de uma luz divina que nos agracia com uma rara epifania. Esses singelos momentos são únicos, plenos e mágicos.

A verdadeira felicidade, repare, está perto de si. Está nas flores do seu jardim. Nas crianças que olham a mãe com ternura, nos amantes que se apertam um contra o outro, em todas essas pequenas casas onde há famílias que procuram alimentar-se, amar, brincar.

Momentos de felicidade são inúmeros.

No entanto, esses momentos de felicidade passam. Devemos saber que a felicidade plena e estável não existe. Ser feliz não é ter uma vida perfeita...

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Realmente, a nossa vida se caracteriza pelo pêndulo da felicidade que vai e vêm.

Para Platão, “a noção de felicidade é relativa a nossa situação no mundo”.

Conforme Epicuro, “a felicidade é essencialmente a ausência de dor e sofrimento”.

Para Zenão, “a felicidade é o bem fluir da vida”.

O filósofo Schopenhauer dizia que a “felicidade e o prazer são apenas quimeras, mostradas a distância por uma ilusão, enquanto o sofrimento e a dor são reais e manifestam-se diretamente por si, sem a necessidade da ilusão e da espera”.

De fato, a felicidade é breve, frágil e volátil, pois só é possível senti-la em certos momentos. Na verdade, se pudéssemos vivenciá-la de forma ininterrupta, ela perderia o valor, uma vez que só percebemos que somos felizes por comparação.

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Após uma semana de céu nebuloso, um dia de sol nos parece um milagre da Criação. Do mesmo modo, a alegria aparenta ser mais intensa quando atravessamos um período de tristeza. Os dois sentimentos se complementam, pois, da mesma forma que a melancolia não é eterna, não poderíamos suportar 100 anos de felicidade.

Imaginar que temos obrigação de ser felizes o tempo todo e em todo lugar é um grande fator de estresse na sociedade moderna. A negação da tristeza dispara o consumo de antidepressivos e a busca de psicoterapias.

Hoje em dia, não exibir um sorriso permanente parece ser motivo de vergonha.

Contra essa perspectiva falsa e infantil, Nietzsche nos lembra que a felicidade vem em lampejos e que tentar fazer com ela dure para sempre é aniquilar esses lampejos que nos ajudam a seguir em frente no longo e tortuoso caminho da vida.

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José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA. .
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