José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA.

Por una cabeza

“A vida é um tango. Umas vezes, ela toma a cadência arrebatadora, violentamente apaixonada e entusiasmante, outras vezes, assume o sussurrar de afetos e de esperanças”.


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“Por una cabeza De un noble potrillo Que justo en la raya Afloja al llegar Y que al regresar Parece decir: No olvidéis, hermano Vos sabés, no hay que jugar”.

Esse trecho da famosa e inebriante canção Por una cabeza, de Carlos Gardel, revela a força, beleza, vivacidade, erotismo e romantismo do tango. Dizem que Gardel compôs essa canção após bem-sucedida aposta em corrida de cavalos. O cavalo apostado ganhou por uma cabeça. Que momento sublime para o tango. Um detalhe. E que detalhe!

“O tango é um estilo musical e uma dança a par. Tem forma musical binária e compasso de dois por quatro. A coreografia é complexa e as habilidades dos bailarinos são celebradas pelos aficionados”.

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De acordo com os historiadores, o tango é uma variedade musical nascida no final do século XIX, possivelmente nas periferias de Buenos Aires e de Montevidéu. Este ritmo é uma mistura de várias sonoridades, embora nada se saiba concretamente sobre suas origens. Segundo alguns estudiosos, este estilo seria descendente da ‘habanera’, criada na cidade de Havana, em Cuba.

A princípio, para muitos, o tango esteve ligado aos prostíbulos e bordéis, locais frequentados principalmente pela vasta massa masculina de imigrantes. Como só as prostitutas se aventurassem pelas veredas desta dança, no começo era normal ver pares de homens bailando ao som deste estilo musical. Os músicos desta modalidade não sabiam ler nem elaborar partituras, portanto estas são raramente encontradas.

Tudo é, portanto, obscuro no que se refere aos primórdios do tango. Sabe-se que o bandoneón, instrumento hoje associado a este ritmo, desembarcou no território do Rio da Prata em 1900.

Mas o tango logo alcançou outros níveis, deixando de se restringir ao “submundo”, atingindo primeiro as populações operárias e depois as famílias mais abastadas, especialmente após seu triunfo em solo europeu. “Seus acordes melódicos eram produzidos por flauta, violino e violão, o primeiro instrumento depois substituído pelo tradicional bandoneón”.

Seu ar de tristeza e saudade foi a receita de sucesso para os imigrantes, nostálgicos de sua terra natal. Segundo Discépolo, "o tango é um pensamento triste que se pode dançar".

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O tango é a expressão da alma, através da lágrima, que "escapa para fora na tentativa de nos jogar cada vez mais para dentro". O tango é a alma em pedaços querendo recompor-se. É um olhar alegre e triste. É um misto de aperto no peito (aflição) e o desejo de sorrir (felicidade). Cada passo envolvente é um êxtase desmedido. O tango é a desmedida, a desmesura e o desequilíbrio. O tango é a perfeição, o sublime e o divino. Paradoxal e ambivalente.

Gardel, o grande nome do tango, criou o tango-canção e se tornou famoso na vereda escolhida por seu talento ímpar. Morto precocemente em um acidente aéreo, aos 45 anos, foi o responsável por sua disseminação no exterior.

Impossível esquecer a presença do tango na cena clássica do encantador filme Perfume de Mulher.

Cena que encanta pela graça, leveza e sensualidade da dança. “Existem cenas de dança que nos apresentam um personagem, de maneira tão espetacular, que não haveria roteiro no mundo que o fizesse melhor em diálogos…”.

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José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA. .
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