José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA.

Uma coisa é certa

A verdadeira filosofia nada mais é que o estudo da morte. Isaac Newton


still-life-pieter-claeszoon-vanitas-c-c-x-cm-8725504.jpg Um retrato de família eterniza um momento no tempo e espaço: os gestos, os sorrisos, as vestimentas, as feições, as pessoas envolvidas.

Após muitos anos, quando olhamos para aquela mesma imagem capturada pela máquina fotográfica, sentimos que não somos os mesmos. O mundo mudou e nós também mudamos para bem ou para mal.

Recorro a poetisa brasileira, no poema Retrato, para ilustrar o que significa essa ideia de mudança e transitoriedade: Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo Eu não tinha estas mãos sem força Tão paradas e frias e mortas Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não de por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil, - Em que espelho ficou perdida A minha face? (MEIRELES, 2013, p. 29-30).

Um retrato, portanto, seja em família, entre colegas e amigos, ou numa solitária foto representa um raro e singular evento do passado.

Esse retrato, muitas vezes, pode causar fortes e embriagantes emoções – de alegria ou tristeza, felicidade e rancor, saudade e melancolia -, ainda mais, quando as pessoas queridas na imagem nos deixaram por motivos diversos, e é claro, a morte.

A morte está presente como um dos profundos e significativos aspectos de uma cultura. A morte é a mudança radical por excelência.

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De acordo com Epicuro, “a morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais”.

Para o escritor francês Victor Hugo, “a vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace”.

Acho incrível a frase do filósofo romano Sêneca: “nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte”. Acredito que viver intensamente a cada dia e amar aqueles ao nosso redor é uma forma de eternizar.

Como diz o Padre Fábio de Melo: “uma coisa é certa...o que ficará de nossa passagem pelo mundo é o amor que amamos, o bem que fizemos”.


José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida. Escrevi Sob o signo da Fênix pela Canal 6 editora; A tragédia da política em Ricardo III pela Beco do Azougue editora e eventos; A tragédia da política em Ricardo II pelo Beco do Azougue editora e eventos; Sob o signo das Valquírias pela editora MouraSA. .
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