José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida

Viemos das estrelas

O astrônomo americano Carl Sagan, provavelmente o maior divulgador científico de todos os tempos, costumava dizer que nós – humanos, seres vivos da Terra, o próprio planeta e todo o sistema solar – somos poeira das estrelas. Era o modo lírico dele de explicar nossas origens no Universo. Só surgimos porque outras estrelas morreram há bilhões de anos, espalhando pelo espaço matéria composta de elementos químicos que viriam a nos constituir tempos depois.


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A Astronomia é um campo fascinante. Ouvimos diversas teorias e hipóteses da criação do Mundo, sobre as estrelas, cometas, asteroides, o Universo, extraterrestres, buraco negro e etc. Sempre gostei e me interessei sobre essa área científica tão nobre e distinta.

Outro dia, o meu interesse aumentou sobre a diversidade temática da Astronomia quando soube que um colega me chamou de “estrela apagada”. Lembrei que os especialistas dizem que muitas estrelas que vimos no céu já se apagaram há muito tempo. Em síntese, a luz de galáxias longínquas que podemos hoje contemplar necessitaram de milhões de anos para chegar até nós.

Durante o longo caminho da luz, muitas de suas estrelas acabam perdendo sua existência. Como diz sabiamente o Padre Beto: a consequência é simples: ao olharmos para o céu, estamos sempre vendo um estágio não mais atual, mas um documento do passado, um retrato de constelações já extintas. Portanto, meu caro colega (e desafeto!) e leitores, um olhar para o céu é sempre um olhar para o passado.

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O mito africano de origem Dogon

Fui buscar nos estudos de Astronomia, algumas curiosidades (sou curioso e professor de curiosidades históricas A, B e C!) sobre os segredos da mitologia dos Dogons, relatado por Parrinder em África. Li com interesse o artigo.

Diz o mito:

“No princípio, o Deus único criou o Sol e a Lua, que tinha a forma de cântaros, a sua primeira invenção. O Sol é branco e quente, rodeado por oito anéis de cobre vermelho, e a Lua, de forma idêntica tem anéis de cobre branco. As estrelas nasceram de pedras que Deus atirou para o espaço. Para criar a Terra, Deus espremeu um pedaço de barro e, tal como fizera com as estrelas, arremessou-o para o espaço, onde ele se achatou, com o Norte no topo e o restante espalhado em diferentes regiões, à semelhança do corpo humano quando está deitado de cara para cima”.

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Povo das estrelas

No início do século XX, foi descoberta uma misteriosa tribo radicada em uma remota região desértica, no interior da África Ocidental, situada próximo à Tinbuktu, no Máli, mais precisamente na Falésia de Bandiagara, local onde há uma falha geológica de aproximadamente 200 km de extensão, localizada entre o rio Níger e a savana.

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Seus habitantes vivem em um território bastante hostil e árido, com chuvas anuais de apenas 40 milímetros e temperatura de até 60 graus centígrados e seu modo de vida é considerado primitivo para os padrões modernos. Apesar de todas as adversidades impostas pelo meio ambiente, este povo conseguiu sobreviver através da caça e do cultivo de milho, pequenos grãos, cebolas, amendoim, algodão e fumo. Suas casas são construídas com uma mistura de argila, palha e esterco bovino e sua estrutura social é composta basicamente de camponeses, caçadores, artesãos, feiticeiros e sacerdotes, estes últimos detentores de posição hierárquica mais elevada na tribo.

Este povo se autodenomina Dogon e, atualmente, são conhecidos como “Povo das Estrelas”, apelido este devido aos profundos conhecimentos astronômicos e relatos com seres de outros planetas. A cultura da tribo Dogon se estende há mais de 5 mil anos e suas lendas antigas, passadas de geração em geração pela forma oral, descrevem a vinda à Terra, na antiguidade, de uma raça de seres denominados Nommos, de origem extraterrestre, que chegaram a nosso planeta utilizando-se de uma embarcação “acompanhada de fogo e trovão”, ocasião em que trouxeram ensinamentos à humanidade.

Segundo a lenda, estes seres Nommos relataram aos antigos sacerdotes Dogons terem vindo de um distante planeta que órbita uma das estrelas no Sistema Sirius, contando-lhes detalhes de seu local de origem, o que, em tese, explicaria os profundos conhecimentos astronômicos desta tribo.

Interessante notar que, a cada 50 anos, os Dogons celebram, com danças típicas e uso de fantasias, a passagem do ciclo de Sirius. Este seria o tempo que Sirius B demora para completar uma órbita ao redor de sua companheira maior Sirius A – sendo que os modernos astrônomos calcularam que tal período é de 50,4 anos. Tal tradição é mantida por milênios em honra aos Nommos, considerados deuses para os Dogons e comumente são venerados como “Mestres das Águas”, “Vigias” ou “Salvadores”.

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Fonte: Revista Enigmas.


José Silveira

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