José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida

Controle a sua fúria. Se você guardar rancor contra os outros, eles terão controle sobre você

A maior vitória de nossa vida é vencer a si mesmo, conhecendo-se e escolhendo o próprio caminho. “Meu adversário sou sempre eu mesmo. Vencer a si. Vencer os ódios e as vinganças. Vencer o medo e a fúria. Essas são as verdadeiras vitórias”. Monja Coen


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“Musashi, quando jovem, era um guerreiro valente e audacioso, mas não sabia controlar sua força e seu temperamento. Estava sempre criando problemas e um dia foi preso. Seria julgado e talvez executado. No caminho, passou pelo templo de sua infância, e o monge Takuan o reconheceu. Insistiu com os soldados que deixassem Musashi amarrado de ponta-cabeça na árvore e sob seus cuidados. Ele dobraria a fera. Monge Takuan era confiável, amigo do senhor feudal. Assim foi feito.

Furioso, o jovem Musashi gritava para que o monge o soltasse, mas esse apenas ria debaixo da árvore. Musashi cuspia, falava de forma grosseira, mas o monge apenas ria, até que disse: - Essa sua raiva pessoal não serve para nada. Se sua indignação fosse maior do que você, creio que poderia sair dessa árvore.

Foi assim que o monge Takuan soltou Musashi e o treinou na arte zen do autoconhecimento para que se tornasse um dos maiores samurais do Japão”.

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O Santo da Espada

Miyamoto Musashi, conhecido como Kensei, o Santo da Espada, dedicou sua vida a alcançar a perfeição através da arte da espada. Lutou e venceu mais de 60 duelos de vida ou morte, e nunca foi derrotado. Travou contato com outras formas de arte, como pintura, escultura, caligrafia e poesia, além da meditação Zen e o Budismo. Deixou seu estilo de luta, um grande legado de obras de arte e o mais importante tratado de estratégia do Japão, O Livro dos Cinco Anéis (Gorin no Sho).

Na história citada, Musashi que treinava o uso da espada, adquiriu longos ensinamentos do monge Takuan numa arte sutil e profunda, o zazen. Depois disso, passou a respeitar seus adversários – o que não fazia antes – e a dizer:

- Meu adversário sou sempre eu mesmo. Eu controlo a raiva, o medo e a fúria. Eu não guardo rancor contra os outros, eu não deixo que eles tenham controle sobre mim.

Quantas vezes?

Quantas vezes já perdemos o controle e deixamos que o rancor, o ódio, o ressentimento, o vitimismo guiasse nosso comportamento, nossa conduta? Deixamos de respirar normalmente e permitimos que o nosso espírito belicoso estivesse liberto e sem freios?

Quantas vezes fomos caluniados, difamados e tentamos controlar o nosso "deus da guerra" diante de tamanha injustiça?

Quantas vezes nossa reputação e honra foi manchada por um bando de fanáticos irresponsáveis e inconsequentes?

Quantas vezes já permitimos que os outros controlassem nossas atitudes e já soubessem (ou tentassem) manipular nossos próximos passos?

Enfim, quantas vezes perdemos batalhas e saímos "derrotados" quando não sabíamos controlar nossos sentimentos e emoções à flor da pele?

O último embate e o Livro dos Cinco Anéis

O último embate de Musashi não foi vencido não pela força, mas pela estratégia. Usou uma espada de madeira contra a espada longa de um jovem e poderoso adversário. Musashi havia vencido a si mesmo. Controlado. Preciso. Centrado. Soube colocar-se contra o sol nascente. Venceu sem matar, sem cortar e “depois se isolou em uma remota caverna e escreveu o Gorin No Sho (O Livro dos Cinco Anéis), deixando registrado para seus discípulos sua estratégia e sabedoria, adquiridas em uma vida dedicada ao aprimoramento técnico e espiritual”.

O Livro dos Cinco Anéis não é limitado apenas aos praticantes da arte da espada. Hoje é referência para os homens de negócios e de marketing do Japão. É considerado um dos melhores guias psicológicos de estratégia, excelente para profissionais que precisam impor sua marca, por meio de campanhas e táticas de vendas no competitivo mercado globalizado.

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11 Ensinamentos de Miyamoto Musashi

O Livro dos Cinco Anéis é dividido em cinco capítulos, cada qual com seu respectivo elemento: Terra, Água, Fogo, Vento e Vazio.

Confira 11 ensinamentos que destaco do livro:

1) “A percepção é forte e a visão é fraca. Em estratégia, é importante ver o que está distante como se estivesse próximo e ter uma visão distanciada do que está próximo”.

2) “Na batalha, se você fizer o seu adversário recuar, você já ganhou”.

3) “Se você não controlar o inimigo, o inimigo irá controlá-lo”.

4) “Não faça nada que não tenha utilidade”.

5) “Perceba as qualidades positivas e negativas de tudo, distinguindo entre ganho e perda nas questões mundanas”.

6) “Conhecer a virtude de todas as profissões”.

7) “Não pense desonestamente, pense no que é correto e verdadeiro”.

8) “Percebam aquilo que não pode ser visto com os olhos”.

9) “Desenvolver a capacidade de discernir a verdade em todas as coisas”.

10) “O sedentarismo é o caminho para a morte. A fluidez é o caminho para a vida”.

11) “Um homem não pode entender a arte que está estudando se apenas procura o resultado final sem ter tempo para se aprofundar no raciocínio do estudo”.

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José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida.
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