José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida

Lições do passado

Ainda não aprendemos as lições históricas que podem evitar tragédias.


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Sabemos que a História é útil quando usada com propriedade, visando ao entendimento do modo como pensamos e reagimos. Mas, ao mesmo tempo, é suscetível a manipulação e distorção. Os nacionalistas contam versões falsas ou unilaterais do passado, enquanto os ditadores omitem as que ameaçam suas pretensões de onisciência e autoridade.

Os líderes políticos arregimentam seus públicos contando-lhes bravatas. Hitler mentiu sobre a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e sobre o papel dos judeus.

Tirar lições do passado pode também se tornar problemático – pois elas oferecem interpretações que podem servir a muitos fins.

Pensemos no caso de Hitler. “Hitler foi tanto o produto das circunstâncias quanto de qualquer outro fator. Se as coisas tivessem sido diferentes, ele jamais poderia ter chegado à proeminência política”.

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Hitler era visceralmente xenófobo, nacionalista, antidemocrata, belicoso, e estava empenhado na luta por um partido fanático, pan-germanista.

Em sua obra, Minha Luta, “Hitler considerava o conflito racial o motor, a essência da história, e os judeus o inimigo jurado da raça alemã, cuja missão histórica era, sob a orientação do Partido Nazista, arrebentar seu poder internacional e aniquilá-los inteiramente”.

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Em seu caminho para o poder, ele se mostrou astuto o bastante para fingir amor pela legalidade e a democracia, enquanto eles serviam à sua própria causa; ao mesmo tempo ele sabia correr todos os riscos que seu jogo perigoso lhe acarretava.

Hitler pensava, intimamente, ao ascender o poder em janeiro de 1933: “sempre considerei uma fraqueza de meus inimigos políticos que me deixassem escapar impune com tanta facilidade todas às vezes”.

Em 30 de janeiro de 1933, Hitler fez o juramento de Chanceler do Reich.

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O governo que ele chefiava era dominado em termos numéricos por Papen e seus companheiros conservadores. Apenas três dos principais cargos do Estado foram para os nazistas, mas ambos eram posições-chave, nas quais Hitler insistiu como condição para o acordo: o Ministério do Interior, ocupado por Wilhelm Frick, e a própria chancelaria do Reich, ocupada por Hitler.

Herman Göring foi nomeado ministro sem pasta do Reich e ministro provisório do interior prussiano o que lhe conferiu controle direto sobre a polícia na maior parte da Alemanha. Os nazistas podiam, assim, manipular a seu favor toda a situação doméstica da lei e da ordem.

Papen e seus aliados conservadores viam Hitler e os nazistas como vulgares, incultos e inexperientes no governo. Por certo seriam fáceis de controlar. “Você está errado”, disse um desdenhoso Papen a um assistente cético que manifestou seu temor: “Nós os absorvemos para nós”. “Dentro de dois meses, falou Papen a um conhecido conservador, “teremos apertado Hitler de tal forma que ele cederá”.

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Caro leitor, o resto da História a gente conhece.

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José Silveira

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