José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida

O desejo de ser importante

John Dewey, um dos maiores filósofos estadunidenses dizia que a mais profunda necessidade da natureza humana é o desejo de ser importante, ser reconhecido e ser valorizado.


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Sigmund Freud disse que tudo o que fazemos é provocado por duas causas: o impulso sexual e o desejo de ser grande.

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"No best-seller Como conquistar as pessoas, Allan e Barbara Pease dedicam o primeiro capítulo a abordar o assunto, ao qual eles se referem como “os três princípios da natureza humana”:

Segundo os autores, a necessidade humana de sentir-se importante é mais forte do que necessidades fisiológicas como a de alimentar-se, por exemplo, já que depois de comer deixamos de sentir fome. A necessidade de ser valorizado é mais forte do que a de receber amor, pois esta também pode ser satisfeita e é bem mais forte do que a própria necessidade de segurança e estando a pessoa segura isso deixa de ser um problema. A necessidade de ser reconhecido está diretamente relacionada com o primeiro princípio, pois ainda que isso aconteça em algum período da vida, o fato se sustenta somente quando a pessoa continua se sentindo importante, o que nem sempre ocorre".

Para Jerônimo Mendes: “sentir-se importante é uma necessidade que nasce e morre conosco e é, sem dúvida, uma das principais características que distinguem o ser humano dos demais seres existentes na face da Terra. Os animais não têm essa preocupação, pois o instinto de sobrevivência é suficiente. No passado, embora as preocupações do homem fossem parecidas com a dos animais, pelo fato de levarem em conta mais a sobrevivência e a perpetuação da espécie, sentir-se importante era uma conquista intuitiva que poderia ser obtida pela manifestação da força e outras formas de dominação”.

Foi esse desejo de se sentir importante que levou um pobre e iletrado atendente de armazém a estudar livros de direito que encontrou no fundo de um barril de coisas descartadas que havia comprado por 50 centavos. Seu nome era Lincoln.

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Foi o desejo de se sentir importante que inspirou Dickens a escrever seus inesquecíveis romances.

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A história está repleta de exemplos de pessoas lutando para se sentir importantes: George Washington queria ser chamado de “O poderoso presidente dos Estados Unidos”; Cristovão Colombo solicitou o título de “Almirante do Oceano e Vice-Rei da Índia”; a rainha Catarina, a Grande, recusava-se a abrir cartas que não se referissem a ela como “Sua Majestade Imperial”; o escritor Victor Hugo aspirava nada menos do que ver a cidade de Paris recebendo seu próprio nome, para homenageá-lo.

Como pondera Mendes: “nos dias de hoje, a importância de sentir-se importante é o que, em geral, move as pessoas, define os objetivos e redefine o conceito de relacionamento na sociedade atual. A importância está mais para o ter do que para o ser. Qual a razão para o ser humano dedicar tanto tempo e energia na esperança de se tornar ou sentir-se importante? Existem inúmeras respostas para essa questão, porém reflita sobre o seguinte: não é necessário perder tempo e energia quando se tem consciência de que todas as pessoas nascem importantes, independentemente do julgamento alheio”.

Podemos assegurar nossa importância a partir de um estudo da revista Wired. Estima que, ao considerarmos o valor monetário de nosso coração, dos pulmões, dos rins, do DNA e da médula óssea, cada um de nós vale extraordinários US$ 45 milhões. Ou seja, cada um de nós, como ser humano racional com enorme capacidade para amar e experimentar as maiores alegrias da vida, valemos muito mais do que esse valor.

Fonte: CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. https://www.jeronimomendes.com.br/a-importancia-de-sentir-se-importante/ obvious: http://obviousmag.org/ousa_saber/2016/autorretrato.html#ixzz6XGcAmStZ


José Silveira

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