José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida

Sonho, logo venço

Diz Gandhi: “Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”. Afinal, qual é o segredo de vencer, de ser bem sucedido, de sair vitorioso nas batalhas da vida?


Sylvester Stallone

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Sylvester Stallone nasceu com uma paralisia facial o que lhe rendeu apelidos e bullying na infância. Na fase adulta, estava tão pobre que roubou as poucas joias que sua mulher tinha e as vendeu.

Nesse período, Stallone protagonizou o filme erótico de baixo orçamento "O Garanhão Italiano" (1970). Trabalho pelo qual ganhou duzentos dólares por dois dias de filmagem. "Eu estava morrendo de fome quando fiz [o filme], eu estava desesperado. Você sabe que quando está com fome faz coisas que não faria normalmente".

As coisas ficaram tão ruins que ele acabou morando na rua. Stallone dormiu na estação de ônibus de Nova York por três dias. Incapaz de pagar aluguel ou comprar comida. O fundo do poço chegou quando ele teve de vender seu cachorro em uma loja de bebida para um estranho qualquer, pois não tinha dinheiro para alimentá-lo. Ele o vendeu por vinte e cinco dólares, entregou seu cachorro e saiu chorando.

Duas semanas depois, ele viu uma luta de boxe entre o legendário Mohammed Ali e Chuck Wepner. Essa luta o inspirou a escrever o roteiro de Rocky. Stallone escreveu o roteiro durante 20 horas seguidas. Tentou vendê-lo e recebeu a oferta de 125 mil dólares, mas ele fez apenas um pedido: ele queria estrelar o filme como o personagem principal Rocky. No entanto, o estúdio disse não. Eles queriam uma “estrela” de verdade.

Disseram que ele “tinha um rosto engraçado e falava engraçado”. Ele saiu com seu roteiro. Depois de algumas semanas o estúdio ofereceu 250 mil dólares, novamente ele recusou. Então ofereceram 350 mil dólares. Ele recusou novamente. Queriam o seu filme, mas não o queriam. Ele disse não! “Eu tenho que estar nesse filme”. Depois de um tempo, o estúdio concordou em lhe dar 35 mil dólares pelo roteiro e o deixaram estrelar o filme. O resto entrou para a história do cinema.

O filme ganhou inúmeros prêmios: melhor direção, melhor edição e o prestigioso Oscar de melhor filme. Stallone ainda recebeu de melhor ator.

O filme Rocky entrou para os registros americanos da indústria de cinema como um dos maiores filmes até então feitos.

Stallone comprou de volta o cachorro amado, seu melhor amigo e confidente. Stallone esperou na loja de bebidas por 3 dias até que o homem voltasse com seu cachorro. O homem recusou vender o cachorro por 100, 500 e 1000 dólares. Stallone pagou 15 mil dólares pelo mesmo cachorro que ele vendera por 25 dólares. O mesmo Stallone que morou na rua, vendeu seu cachorro, pois não podia alimentá-lo é hoje um dos maiores ícones do cinema mundial.

Corrida de cavalos

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Diz-se que os melhores cavalos perdem quando competem com os mais lentos, e vencem contra os melhores rivais. Nessa linha de raciocínio, o polêmico autor Nassim Nicholas Taleb afirma na sua obra Antifrágil – coisas que se beneficiam com o caos – “que subcompensações pela ausência de um agente estressor, a hormese reversa, a ausência de desafios, degrada o melhor dos melhores”.

Na época da grande depressão aparece um cavalo puro-sangue inglês de pequeno porte e indisciplinado, com pernas curtas e uma personalidade inicialmente preguiçosa, chamado Seabiscuit, que nunca teve grande destaque nas corridas.

Seabiscuit parecia ter pouco potencial apesar de ser descendente de lendário cavalo de corrida Man o’ War e, mais atrás, seu pai, o Godolphin Arabian. Isto é, até que ele desembarcou nas mãos do treinador Tom Smith e do jóquei Red Pollard.

“Foi através de uma abordagem de treinamento não ortodoxo de ambos os homens, bem como a fé inabalável deles no garanhão, que Seabiscuit finalmente encontrou seu passo, por assim dizer, e correu com um espírito que deslumbrou os espectadores. Apesar dos desafios e lesões de Seabiscuit e Pollard, o conjunto passou a ganhar muito, incluindo o Santa Anita Handicap”.

Seabiscuit correu até 1940 e morreu sete anos depois, aos 14 anos de idade.

O médico Pablo G. Blasco afirma: “Seabiscuit é a história de um cavalo de corridas. Ou melhor, a história de um cavalo desajeitado, quase manco, que participa nas corridas, se supera, e conquista os louros do triunfo. Seabiscuit é também a história dos que, como satélites, vivem à volta desse cavalo. São seres perpassados de limitações e fraquezas, machucados, que vão se construindo, se arrumando, saem adiante. Pensam que pegamos esse cavalo estropiado e o consertamos! Não é verdade: foi ele quem nos consertou. Em certa maneira, fomos nos consertando uns aos outros”.

Jovem caipira

Corria o ano de 1964. Aos dezoito anos, um jovem rapaz do interior de São Paulo sonhava em se tornar engenheiro. O desafio primordial para alcançar o seu objetivo era simplesmente conseguir terminar o ginásio e o colégio (atual ensino fundamental e médio). Ele só concluíra o primário numa escola rural sete anos atrás; desde então trabalhava e residia no sítio da família.

Dia-após-dia sentia que o sonho adormecido ficava mais e mais distante, mas ele se recusava a esquecê-lo. Entretanto sonhar acordado nas atividades agrícolas e pecuárias trouxe-lhe muitos embaraços e problemas; os céticos familiares julgavam que uma pessoa com mente distraída jamais alcançaria sucesso ou se realizaria em uma cidade grande. O lugar dele, protegido e seguro, era ali no campo. Apesar da oposição, ele persistiu, em silêncio, na vontade de seu entusiasmado coração.

Dois anos mais tarde um primo falou-lhe sobre um concurso público nos Correios. Decidido a sair do sítio ele se inscreveu; passou a estudar com livros e apostilas doados pelo primo. Todas as noites, após o trabalho árduo, quando todos iam se deitar, ele apanhava a lamparina de querosene (não havia energia elétrica) e se debruçava sobre os livros. Dormia duas ou três horas por noite.

E para espanto geral passou no concurso considerado difícil. Em abril de 1967, ele ingressou no antigo DCT (Departamento de Correios e Telégrafos) na cidade de Botucatu no cargo de Postalista.

Decidiu continuar os estudos; conseguiu com o curso de Madureza (curso de educação de jovens e adultos).

Faltava apenas concretizar o sonho de sua juventude: a faculdade de Engenharia. Apesar de ter demonstrado e provado às pessoas ao seu redor possuir capacidade, vontade e talento, não conseguiu convencer o pai a investir nele, pois, precisaria sair do serviço e dedicar-se aos estudos em período integral.

E o orgulho não lhe permitiu a aceitar a oferta generosa da tia amorosa e gentil que enxergava a rara inteligência do sobrinho e quis bancar os seus estudos. Bem, não se saiu de todo mal: formou-se em Matemática, Economia, Administração, e não terminou o de Ciências da Computação.

Dos irmãos, sete, foi o primeiro a conquistar um diploma de nível superior. O destino não quis que, este homem amante da natureza; observador de pássaros; meteorologista e astrônomo amador; poeta e prosador, se tornasse engenheiro.

“Quem sabe, ele responde, do alto dos seus 74 anos, quando perguntamos se ainda tem a intenção de estudar engenharia”. Ao longo de sua vida não se permitiu e nem se permite refrear os seus sonhos.

Este homem é meu pai.

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“ (...) Ninguém sabe do que você é capaz a não ser você mesmo. Enquanto você estiver vivo, a sua história ainda não acabou” (Sylvester Stallone).


José Silveira

Professor universitário, bon vivant, hedonista e feliz com a vida.
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