outras frequências

Constantes inquietações que transbordam e vibram em outras frequências.

O brega é cool, o brega é chique!

E mesmo quem não goste, não pode negar o sucesso que o brega fez ao longo dos anos. Como legítimo gênero brasileiro, virou música popular e agora está mais em alta do que nunca, porque virou cool, muito cool!


O brega é cool, o brega é chique.jpg

Não gosto de rótulos. Nunca gostei. É uma maneira muito limitada de ver a vida. Na música então, eles são inevitáveis. O brega, por exemplo, gostaria de entender os critérios que as pessoas usam para classificar o som de bandas e cantores como tal. Qual é o ritmo do brega? Existe? Não existe.

Na década de 70, quando “supostamente” o brega surgiu, foi enquadrada assim toda música de mau gosto, cafona, românica, pouco elaborada e letra fácil. Oi? Eu conheço tanta música hoje assim e que não faz parte do estilo brega, né?! Vai entender! Pois é, não tem um ritmo propriamente classificado brega, e mesmo assim, sem essa definição, o termo virou um gênero musical.

O fato é que sempre existiu muito preconceito em torno da música tida como brega. A imprensa da época, (ah, sempre a imprensa!), ajudou a estigmatizar artistas como brega, mas de uma forma até mesmo pejorativa. Isso sustentou, e como dizem por aí, lacrou esse estilo musical. Mas acontece que o brega popularizou, se difundiu e passou a influenciar outros artistas e gêneros musicais, deixando ainda mais confuso esse universo.

E mesmo quem não goste, não pode negar o sucesso que esse estilo musical fez ao longo dos anos. Pra mim, brega mesmo é quem rotulou isso! Sério mesmo. E é tanta imprecisão conceitual que o pobre do termo brega carrega, que nos anos 90 outras características se incorporaram ao gênero, diferentes até daquelas que o fizeram assim, tornando o brega parte da cultura pop e por isso, ganhando outras ramificações em diferentes regiões do país. E depois, com tanta pluralidade musical em voga no Brasil, como definir hoje o que é e o que não é brega? E também tem outra história, a música pode até não ser classificada, mas tem gente por aí cantando que com certeza se encaixa na condição e status de brega.

Então, o brega como legítimo gênero brasileiro, virou música popular. Que beleza! E o povo tem mau gosto é?! Não, já era tarde demais, e independente de significado, o nome já estava batizado, impregnado. O saudoso e ícone máster do brega, Reginaldo Rossi, não abria mão de se intitular assim. Já Amado Batista, outro representante dessa música, recentemente declarou em um programa de televisão que para ele só existem dois tipos de música, a boa e a ruim. E que música brega é aquela que a pessoa não gosta e acha de mau gosto, e se ele vendeu mais de 30 milhões de discos até hoje, é porque tem muita gente que gosta. Tá certo, Amado. Não deixo de concordar com você. E muitos outros fazem companhia para esses dois quando o assunto é “música brega”: Wando, Sidney Magal, Altemar Dutra, Odair José, Waldick Soriano, Fagner. E pasmem! Até Tim Maia foi considerado militante do brega. Isso é o que eu chamo de suprassumo do brega!

A questão é que o brega agora virou cool minha gente. Presta atenção. Desconfio que pega carona nessa onda vintage, porque os clássicos do brega, apesar de muitos atuais, ficaram lá nos anos 90. Mas aí todo mundo agora deu pra gostar e valorizar o brega, acham cult total! Coisa que eu sempre achei. Afinal é MPB, e não tem nada de letra chula não, é até poético, é sim. E olha, não muito longe de Roberto, Chico, Caetano e outras coisas do tipo não, viu?!

E outra, estão desenterrando muita gente dessa época. Tá mesmo é na moda cultuar os gêneros da década passada, elevando-os como top, porque fez sucesso, muito, e a crítica pegou no pé porque naquela época não sabia o que era bom. Isso me faz pensar numa coisa: será que “beijinho no ombro” vai ser cool para minha filha?! Bom, melhor deixar pra lá!

E posso falar? Eu tive uma infância muito brega, porque era só o que rolava na radiola da minha casa. Ainda bem. Acho o brega chique!


deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/musica// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Manu Marques