ouvi falar...

Crônicas sobre cinema, teatro, livros e a vida

Luciana Targino

Luciana Targino
Cearense, morando no Rio de Janeiro, Publicitária e Escritora/Cronista.
Escreve semanalmente no blog - http://blog.opovo.com.br/parissodeida.
Quinzenalmente na http://www.somosvos.com.br/categoria/colunas/

SULLY, (A inveja sobre) O Herói do rio Hudson


SULLY O HERÓI DO RIO HUDSON

Ontem, eu nem ia não, tava com uma preguiça danada de sair de casa, mas meus pais iam e eu que moro longe acho que não posso perder nem um segundo da companhia deles... Ansiosa, a moça.

Mas o fato é que fomos os três pro cinema. Adendo cinema em Fortaleza: Achar um filme bom que esteja passando nos cinemas de Fortaleza é, acima de tudo, um fator de sorte e outro de timing. Você tem que ficar ligada, se lançar, por sorte, o filme ao qual seus amigos, parentes e amantes que moram no eixo Rio-São Paulo te indicaram, corre e vai, pois, não sendo um filme de ação, terror e comédia romântica, é bem difícil de se ver por aqui.

Feita à crítica, vamos à crônica.

Fomo assistir “Sully, o herói do rio Hudson”, aquele mesmo, o cara que pousou uma jamanta voadora, vulgo avião, no Rio Hudson, no coração de Manhattan, logo, no coração do mundo, em New Yourk, New York.

Vá assistir! O filme é maravilhoso! Com direção do Clint Eastwood, com o protagonismo do Tom Hanks – que sempre tendo a achar que já deu pra ele, que o gajo só faz mais do mesmo, mas sempre me engano redondamente, ele está perfeito no papel principal – e grande elenco, o filme te arranca lágrimas, te prende na cadeira sem piscar pela hora e meia que se fica lá dentro.

TOM HANKS

Uma história real de um milagre feito não por Deus, mas pela competência, profissionalismo e, principalmente, serenidade e discernimento para tomar a única decisão correta, que salvou 155 pessoas de um trágico acidente aéreo, como todos são.

Mas a questão aqui não é nem o grande feito, isso foi indiscutível. O lance é que, mesmo depois da bem sucedida operação realizada pelo piloto, Sully, a American Airlaines insistiu, a todo custo, em provar que o comandante tomara a decisão errada, que deveria ter desviado para um dos aeroportos que havia perto e blá, blá, blá, e o desfecho disso seria spoiler, então melhor você ir lá conferir.

SULLY O HERÓI DO RIO HUDSON

O que me chamou a atenção, fazendo um paralelo com a vida da gente, é que, quantas e quantas vezes, por mais que você dê o seu melhor, por mais que tudo dê certo, por mais que você esteja no caminho do bem, sendo correto e coerente, muita gente ainda tenta te derrubar, te colocar pra baixo, apagar teu brilho, enfim, te destruir?

Certa vez ouvi uma conhecida falar de uma garota que é unanimamente linda, faz até sucesso como blogueira dessas aí que trabalham pra manter a beleza e o social. Pois bem, dizia essa minha conhecida, o seguinte: - Me disseram que ela só está com esse namorado por interesse financeiro. Dizem que ela é antipática... Cortei logo o assunto dizendo: - Sabe qual é o defeito dela, Celeste*? É que ela é magra, linda, trabalhadora, vive viajando, tem um namorado que é lindo, duas filhas também lindas. O problema também é que ela cuida do corpo, do cabelo, come saudável e malha muito. Isso é de lascar, é pra matar de ódio qualquer pessoa invejosa.

Muita gente tem a mania de ver no sucesso do outro o seu fracasso e faz de tudo pra derrubar a criatura que deu duro pra chegar lá.

Outro costume do ser humano é de “rotular” pessoas. Dia desses uma amiga (que pode ser uma prima. kkk) veio me dizer que TODO MUNDO me acha mesquinha. Na hora fiquei meio mal, mas logo refleti e disse: Olha, eu cuido do meu dinheiro sim, adoro ter a segurança que o dinheiro traz. Agora, você não sabe de nada sobre quem eu ajudo, quanto eu doo por mês, para quem que dou os presentes mais caros... Disso você não sabe e nem precisa saber, pois nada vai mudar já que você me “rotulou” assim.

Fico pensando de onde vem essa capacidade que temos de ser maus, de querer fragilizar o próximo, botando em cheque a sua capacidade, ou seu caráter, sua ética a troco de nada, só para denegrir, machucar e fazer com que o herói se torne um algoz.

Não sei se agimos assim por instinto, não sei se é fruto de um meio competitivo que o capitalismo promove, não sei se é por puro prazer - sadismo – que o ser humano age assim, só sei que esse comportamento provavelmente contribuiu para termos parado de evoluir internamente, como humanos e não apenas como seres.

Para mim, a experiência com o Sully ontem foi muito mais de reflexão sobre a pequinês de alma dos nossos conterrâneos, mas também foi de emoção quando a justiça, que também é dos homens, é soberana.

Temos chance! Mas apertem os cintos e se preparem para o impacto.


Luciana Targino

Luciana Targino Cearense, morando no Rio de Janeiro, Publicitária e Escritora/Cronista. Escreve semanalmente no blog - http://blog.opovo.com.br/parissodeida. Quinzenalmente na http://www.somosvos.com.br/categoria/colunas/.
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