Felipe Marçal

Ar frio, vento, movimento, céu aberto e olhar distante.

Ficção e solidão: o que Lost e Sense8 têm em comum?

Sabe aquela sensação de estar na multidão e se sentir sozinho? Ela parece distante do tema das duas séries, mas, se você parar pra pensar, é isso que faz as duas gerarem tanta identificação.


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Desde o fim da série Lost (2010) fiquei me perguntando porque tanta gente, mesmo não vendo coerência alguma na trama, continuou vendo a série até o final e, mesmo no final, sem ter qualquer resposta objetiva sobre onde o avião caiu, se apaixonou pelo seriado.

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Uma das coisas que mais preencheu os episódios de Lost foi o passado incrívelmente dramático de cada personagem. Ao ver a história de cada um deles, você acaba notando um sentimento em comum: o de solidão. A gente fica se perguntando: pra quem eles voltariam se saíssem da ilha?

Parece que nenhum deles tinha uma conexão sentimental tão grande com as pessoas das suas cidades a ponto de ter um grande motivo para sair da ilha. Vi até um vídeo girando pela internet com a música “Nobody’s home” da Avril Lavigne como tema da personagem Kate Austen. A música diz: “ela queria voltar pra casa, mas ninguém estava lá”. Um sentimento de solidão permeia a história de todas as personagens: todos querem voltar pra casa, mas “nobody’s home”.

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Mas não é aquela solidão precisamente dita, de que você está num quarto fechado e escuro, é aquela sensação de estar sozinho no meio da multidão. Temos muitas pessoas ao nosso redor com as quais até saímos, damos risadas, falamos todo dia, mas com quantas a gente tem um relacionamento puro e verdadeiro? Com quantas podemos ser nós mesmos sem medo de perder a relação? Com quantas a gente tem uma ligação profunda, a ponto trocar olhares e magicamente se entender?

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Aí que entra o ponto em comum entre Lost e Sense8. Ao que parece, os 8 “sensates” de diferentes cidades tem suas vidas cheia de pessoas com as quais até trocam sentimentos, mas nenhuma tem essa “conexão mágica”. Na série, essa conexão só é possível no momento em que a transcendência começa e os personagens começam a magicamente se conectar telepaticamente. Em Lost, além de terem o mesmo objetivo (sair da ilha), as personagens se encontram em um grupo de pessoas que procuravam um "lar", um lar precisamente sentimental.

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A ficção científica de Sense8, assim como a de Lost, mesmo não tendo nenhuma explicação um tanto que racional é completamente ignorada pelos fãs, que dão atenção muito maior ao drama, à conexão sentimental que existe entre os personagens. A ficção é apenas uma ferramenta para unir pessoas que viviam suas vidas normalmente, mas que, no fundo, queriam encontrar seus “sensates”: pessoas com as quais você cria uma empatia inexplicável e loucamente profunda que se você morrer durante essa conexão, sua vida já valeu a pena.

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