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Sociais e Humanas

LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead.

3 M's: Mídia, Michel e a Mulher

Qual o papel da mulher hoje em dia? Não. Espera aí! Não seria melhor perguntar: qual o papel do ser humano na sociedade de hoje? Pois é. Estamos em defesa de quem? Do ideal masculino, do feminino ou do ser humano?


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Convém relatar sobre grandes polêmicas geradas no seio de nossa sociedade. O que quero neste texto informar tem a ver com a dignidade da mulher e também sobre a influência das opiniões midiáticas sobre os leitores passivos. Digo “leitores passivos” aqueles que só leem e o faz pouco, e ao ler não questionam, indagam ou refletem.

Bastante comuns são pessoas facilmente influenciadas pela mídia. E a mídia sabe muito bem disso, de forma que se aproveita deste estado inerte de leitor passivo que tudo que lê, crê. Não só a mídia escrita, mas também a falada procura gerar notícias que tenham sempre uma dose polêmica na informação e que cause um estado de indignação no leitor ou ouvinte. De que adiantaria para um jornalista formador de opinião escrever algo que não cause impacto? Sendo que ele quer o maior alcance de seu pensamento. Claro que um jornalista está sujeito a todas as críticas. Mas quem se importa com crítica? Os leitores querem mesmo criticar, não aquilo que o jornalista escreveu, e sim aquilo que eles mesmos sentem, e que foi dito pelo jornalista.

Em dia desses o professor e historiador Leandro Karnal, falou em uma coluna sua semanal, num programa de rádio que muita gente diz a ele: Professor! Concordo, e penso a mesma coisa e o senhor sempre fala tudo o que eu acredito. Na verdade, diz, ele não interpreta o pensamento de ninguém, mas acaba servindo como ventríloquo, ou seja, é a projeção da voz de outros. Muitas vezes os nossos pensamentos são flutuantes demais para pautá-los. Quando alguém que tem a mesma predisposição filosófica, ideológica que algum outro que expõe o seu pensamento, aquele alguém concorda. O que acontece, na maior das vezes, é que muitos artigos são “jogados” no ar para provocar a indignação e alvoroço. Isso é interessante para a política principalmente, mas também interessante para que haja uma explosão de comentários, rechaços e manifestações de ira. Isso gera audiência, cliques e compartilhamentos.

Caso exemplar para comentar aqui foi o discurso de Michel Temer no Dia Internacional da Mulher. Muitos jornais, como o El País, evidentemente um jornal de “esquerda” divulgou a notícia do discurso destacando somente algumas falas do atual Presidente da República Brasileira que de forma grotesca interpretaram como um rebaixamento da mulher. Ora, isso seria, no mínimo, estranho. Como poderia o Presidente no dia Internacional da Mulher ter uma fala que rebaixasse ou ofendesse a mulher? Antes de qualquer coisa, vamos destacar as partes desse discurso que foi polemizado e ganhou repercussão internacional:

"Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico."

“Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher […] ela é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados e identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Bom, para os opositores de plantão, essa fala significou reduzir a mulher ao papel de dona de casa e apreciadora de supermercado. Algumas mulheres muito têm criticado no sentido de dizer que ele generalizou como se somente as mulheres tivessem essa capacidade de tempo para observar e comparar preços de produtos. É verdade que Temer é conservador, e que a forma de família do qual pensa é tradicional. Isso nada tem a ver com a diminuição do papel da mulher. Se assim fosse, analisando as outras partes do seu discurso, não teria exaltado a figura feminina da forma com que fez. Por isso ser importante, todavia, ler ou ouvir na íntegra um discurso ou uma redação. Destaco algumas falas:

“E eu vejo como é importante, ou como são importantes, essas solenidades, que não basta marcar no calendário o Dia da Mulher, é preciso comemorá-lo. E comemorá-lo significa recordar a luta permanente da mulher por uma posição adequada na sociedade.”

“Eu não preciso, depois do discurso emocionado da Luislinda, de todos enfim, dizer da importância da mulher e da luta permanente que a mulher vem fazendo ao longo do tempo no Brasil e no mundo. Que aqui e fora do Brasil, em outras partes do mundo, a mulher ainda é tratada como se fosse uma figura de segundo grau, quando na verdade, ela deve ocupar o primeiro grau em todas as sociedades."

“E hoje, graças a Deus, as mulheres, sem embargo das dificuldades, têm uma possibilidade de empregabilidade que não tinham no passado. Então, a queda da inflação que nós estamos assistindo, a queda dos juros, o superávit recorde da nossa balança comercial, o crescimento do investimento externo, tudo isso significa empregos. E significa também que a mulher, além de cuidar dos afazeres domésticos, vai vendo um campo cada vez mais largo para o emprego. Porque hoje homens e mulheres são igualmente empregados. Com algumas restrições ainda. Mas a gente vê em muitas reportagens, das mais variadas, como a mulher hoje ocupa um espaço executivo de grande relevância.”

A partir disso, é possível desconstruir toda a crítica oposta feita. Em nossa sociedade ainda tem muita gente que zela pela família da forma tradicional. O Presidente cometeu uma gafe por ter dito o que poderia evitar, pois ali se vê muito de sua própria opinião ou ideologia familiar. A classe de mulheres que mais se ofendeu foi a feminista.

O feminismo começou no século XIX após a Revolução Francesa e principalmente no século passado por influência de Simone de Beauvoir em razão de sua obra “O Segundo Sexo” publicado em 1960. A princípio, a luta feminista era colocar a mulher no mesmo patamar que os homens, a terem igualdade de gênero. Isso em nosso País, no plano histórico e jurídico recente, começou com a possibilidade de mulheres votarem em 1932. Mas até então, somente as mulheres com maridos ou as solteiras e viúvas que tivessem sustento próprio poderiam votar. Durante a década de 1940, isso se estendeu a todas. Mas o movimento feminista hoje no Brasil e no mundo está bastante desconsiderado. Tanto que sua força é mínima. Até porque essa “igualdade de gênero” já vem sendo alcançada, como destacou o próprio Presidente Temer. E embora seja recente, o papel atual da mulher hodiernamente está no mesmo local que o dos homens. Ainda há o que melhorar, só que muitos passos já foram dados.

Assim, as feministas estão sendo esquecidas, pois não existe mais a possibilidade de “bater na mesma tecla” que já está desgastada. Quem ainda se envolve vorazmente com o feminismo são mulheres que insistem em causar alguma “baderna” pública como temos visto em muitas manifestações não só feministas, uma revolta insana tão grande que não se explica, por exemplo, cuspir, emitir impropérios e palavrões direcionados a opositores e personalidades públicas, quebrar o patrimônio público, fechar ruas e avenidas sem autorização da polícia ou prévio aviso.

É notória a conquista da mulher. Vivemos na época em que a mulher tem uma total independência, e que pode escolher ter ou não filhos, ser ou não dona de casa. É a chamada geração NoMO (Not Mothers) de mulheres que reivindicam o respeito pelas suas escolhas de uma sociedade ainda fundamentada numa visão tradicional. As mulheres PANKS são aquelas solteiras e com dinheiro, já as YUMMIES são as jovens urbanas com poder aquisitivo. As feministas são aquelas que fazem o grupo de mulheres que militam pela igualdade de gênero. Vale informar que não se confunde feminismo com femismo. O femismo é o sinônimo de machismo, são as que se sentem superior aos homens.

Por fim, é muito triste ver pessoas que se manifestam na internet com palavrões ofendendo a uma personalidade pública como se aquela pessoa a quem se ofende fosse inimiga pessoal dela. Está ficando pior cada dia mais. Com a facilidade de acesso a informação e manifestação de opinião, muita gente se sente corajosa para cuspir impropérios e desrespeitar os outros indivíduos. Pois assim é fácil. Estão acostumadas a opinar sem fundamentação, de forma ilógica e insana, e nada acontecer. Para elas, é cômodo falar, falar, falar e nada fazer. Para elas, nada nunca está bom.


LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead..
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