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Sociais e Humanas

LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead.

reflexão sobre a preguiça

A preguiça é um dos sete defeitos capitais. Alguns deles são considerados mais importantes ou até mais perigosos que outros, como o Orgulho, que seria considerado o pior de todos os defeitos. A preguiça muitas vezes é confundida com o nadismo, com o vagabundo, com o ócio. Mas o que é cada coisa?


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A preguiça pode ter nuances de significados para mim. Ela pode ser um comodismo ou um nadismo. O comodismo é situar-se numa situação costumeira e nela deleitar-se. É não preocupar-se com possibilidades diferentes, com o atingir da causalidade contrária à situação cômoda. É manter-se na mesma perspectiva, no mesmo estado físico e psicológico sem alteração do mesmo, sem novas perspectivas, atitudes. Comodismo não é a ausência de ação, é uma ação única para determinada situação, pode ser a ação de quietude, a ação de manter-se numa posição específica.

O nadismo sim é uma inação. Essa palavra não existe no dicionário brasileiro, o que não quer dizer que não seja usada. Nadismo é um termo aceito na língua que significa mais ou menos “fazer nada; momento em que o indivíduo decide não fazer coisa alguma; curtir não fazer coisa alguma por algum tempo”.

A preguiça como comodismo busca adequar-se a um estado confortável de vivência, de ser, de fazer. A preguiça como nadismo ocorre quando um indivíduo mesmo sem fadiga, cansado se situa numa circunstância desconfortável para mente e para o corpo. O nadismo é a falta de trabalho intelectual e físico. Não confundir com o descanso mesmo que este seja prolongado como quando um trabalhador tira suas devidas férias por direito e resolve aproveitá-las com o descanso prolongado. No entanto, ele não deixa seus afazeres e muitas vezes aproveita o período para resolver atrasos e situações diversas.

O nadista, digamos assim, tira seu momento para deixar de fazer tudo o que poderia tão somente para não fazer coisa alguma. Poder-se-ia dizer de um nadismo imaterial e um material. O material aquele em que em matéria física, estrutural, corporal o indivíduo quieta em inação, o imaterial quando este deixa de exercitar o cérebro, somente divagando devaneios sem trabalhar a mente com algum afazer que requer este tipo de trabalho, com cálculo, leitura ou raciocínio. Só que isto é muito vago e não deve haver uma separação, pois o nadismo é a característica dupla de fazer nada material e imaterialmente, mesmo que não haja trabalho físico, qualquer que seja, no emprego, em casa, num exercício, pode o indivíduo estar deixando de fazer algo para refletir, ler, meditar, etc.

Acredito que qualquer forma de preguiça que possa haver se encaixe em uma dessas duas categorias. A preguiça faz com que o indivíduo se torne cômodo no sentido geral por não querer nada mais do que aquilo que lhe é confortável ou ainda por querer fazer nada. Pensemos que tudo é movimento, ação, criação, transformação.

Os ossos apodrecem sem algum esforço físico, o cérebro também definha em qualidade sem o esforço para pensar e raciocinar. A falta de movimento, de ação, o quietismo por si só são formas gerais do que é a preguiça. Diz-se que quem não gosta de trabalhar é vagabundo e preguiçoso. Ou este ser está cômodo, realmente um vagabundo ou não tem coragem, determinação, ousadia e é preguiçoso. De certa forma sempre haverá vários outros defeitos que acompanham um mais geral ou abrangente, assim como haverá várias virtudes que acompanham outras mais abrangentes ou maiorais. O que tem defeitos “menores” pode desenvolver esses de modo retrógrado até alcançar aos maiores que abrange todos os outros (sic). Penso que quem tem preguiça, também tem o nadismo e o comodismo, pode ser um grande ou um pequeno vagabundo.

Recentemente li um livro de Paul Sartre, o existencialista, alguém que não busca negar Deus ou provar sua não existência, somente não se convenceu disso; nos termos de hoje seria um agnóstico.

A sua doutrina ensina que o homem é responsável por tudo o que faz, seus atos, suas conquistas, tudo mesmo, e ainda responsável pelos outros, pois toda escolha individual engaja uma humanidade inteira. Eu sou como fenômeno de ser, eu penso e existo. Penso de mim, sei de mim mesmo e faço de mim o que quero e se até agora eu fui incompetente na minha vida até aqui sou totalmente responsável por isso.

Isso é existencialismo, a existência antecede a essência, e mesmo que esta premissa não valha para alguns segmentos esotéricos é uma boa filosofia, é otimista, pois trabalha com a responsabilidade, a autonomia, a autoconsciência. Isso é bom! O homem é o que quer ser, acreditar no que quer. Sartre fala que não existem signos, senão significados. Damos significados às coisas, aos signos. Ou seja, interpretamos cada coisa conforme queremos que seja. Esta é uma realidade muito subjetiva, consciente e individual. É a verdade existencial que existe fora de si. A verdade abstrata, subjetiva é de cada um. E sei que o existencialismo pode dar as mãos ao cristianismo, budismo, protestantismo, espiritismo, pois não é filosofia religiosa.

Uma vez li que, o universo não conspira ao nosso favor quando desejamos algo e que, na verdade, quando realmente desejamos alguma coisa para a nossa realização pessoal aguçamos nossa sensibilidade para as oportunidades, temos mais vitalidade para ir atrás do que queremos. Um exemplo: meu pai compra uma marca de carro azul. Por muitas vezes havia passado na rua, suponhamos, e sem qualquer preocupação não estava atento aos carros. Só que agora vendo um carro da marca do de meu pai e azul, minha atenção manifesta-se como um código a decifrar, a saber, se aquele carro é o do meu pai. Ao ver a placa ou enxergar pelo vidro posso confirmar se é ou não ele. Ora, eu estava a pé, desejando uma condução e sabia que meu pai tinha um carro, e por isso percebi o carro, pois ali poderia haver uma oportunidade, uma conquista. Assim é.

Não nego o poder da visualização no plano cósmico confirmo, antes de tudo, a capacidade humana em potencial, e como tudo está conectado é óbvio que à primeira vista pareça que o “universo conspire a nosso favor”, na verdade nós mesmos fazemos isso e a busca interior ensina que somos parte integrante do universo como uma só consciência que necessita de harmonia e o universo, dentro de nós, ensina todos os seus segredos.

SÉRIE DEFEITOS CAPITAIS

LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead..
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