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Sociais e Humanas

LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead.

Um Quarto Escuro Um Gato Preto

Já imaginou sua vida resumida em um gato preto? O que você é? O que estuda? Em que acredita? Imagine um gato preto num quarto escuro. Ou imagine que está num quarto escuro em busca de um gato preto? O que você faz? Você sabe se realmente o gato está lá? Tem certeza ou só especula? Que tipo de pessoa você é em busca do gato preto?


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O que comanda as nossas vidas? O que nos move? Fé, valores, desejos? Independentemente do que acreditamos, nós certamente escolhemos o que queremos.

Sempre estamos a pensar e algumas pessoas estão inteiramente despreocupadas com o sentido da vida; já outras, estão interessadas em saber qual seria esse sentido. E a pergunta que fica é se realmente existe qualquer sentido para a vida.

Nós escolhemos acreditar no que queremos, pois tudo depende de nossa vontade. Mas até aí, o que nos incita a essa ou aqueloutra crença? Penso que sejam nossas disposições filosóficas. Mas, muito de nossa cultura, regional, familiar e religiosa, determina nossas predisposições interiores.

Haverá no mundo possibilidade para todas as crenças, respostas para todas as perguntas? Estamos em busca dessas respostas. A questão que nos incomoda é se essas respostas são verdadeiras. Então, cada um estabelece um sistema. Para isso existem os métodos.

O mais exemplar é o método lógico, de assertivas e conclusão, chamado de silogismo lógico. É uma possibilidade donde podemos partir para criar respostas às questões envolventes. Outro método é o cartesiano.

Em sua obra, René Descartes em Discurso do Método, ele descreve o que utilizou e como utilizou o sistema que criou para haurir respostas. Descartes é exemplo de filósofo que conseguiu equilibrar sua fé, segundo ele, essencial na sua vida, com a razão. Outros filósofos usaram métodos diversos para conhecer da vida aquilo que seja possível.

Contando rapidamente sobre uma fase de minha biografia. Fui um rapaz que estudou muito o esoterismo, o misticismo, o ocultismo, a magia, e suas vertentes. Embora eu não tenha dado por completo os estudos, pois sei que precisaria de muitos anos para entender o geral de todos eles, não quer dizer que eu não tenha me aprofundado de uma certa maneira em muitos deles por bons anos.

Pratiquei magia, meditação, devoção, elevação de consciência etc. Conheci várias escolas ou Ordens místicas. Todas elas proporcionam respostas ou caminhos para essas respostas, e todas falam da mesma coisa de forma diferente, pois usam caminhos diferentes. No fim das contas, o que eu conquistei com isso? Na vida real, palpável, existencial, nada. O que mudou em mim é a forma como me dou com a vida, como ter mais paciência, ouvir mais, ter mais gentileza, etc. Ou seja, coisas básicas de humanidade, que me fez ser melhor humano. Mas em nada muda a realidade, é como a fé.

Eu já deixei de acreditar seja possível alcançar o estado búdico. Claro que depende de muito trabalho no processo. Mas estou enfadado com essas questões.

Antes tentava mesmo procurar o sentido da vida. Já desacredito que possa haver um sentido lógico. Penso que a melhor coisa para mim, neste momento, é observar os mitos, lendas, histórias como de Buda e de outras tradições, e enxergar os deuses, o herói, o vilão, o mentor, como aspectos de nós mesmos, nosso interior: o ego, o self, o Eu Superior, a consciência, a subconsciência, etc.

Os mitos nos dão sentido pras coisas da vida e mostram aspectos de nós mesmos. A força do nosso Eu é o arquétipo do herói, que enfrenta o inimigo (seus sentimentos negativos), e encontra no mentor (sua consciência, intuição) o melhor caminho para si em sua Jornada, que deverá ser no final de tudo uma Ressureição; o herói nascerá transformado, um novo homem, melhor que antes. E voltará ao mundo comum "iluminado", ou seja, plenamente feliz e satisfeito de ter se encontrado, alcançado o "autoconhecimento". Esse é o autoconhecimento necessário.

Com essa compreensão, consigo até mesmo entender a própria religião que iniciei, o Candomblé. Antes do processo iniciático, achava que a experiência espiritual era de fora para dentro, por causa dos conceitos e experiências de possessão e incorporação que, a priori, acredita-se que partem de fora. Mas ao iniciar percebi que o processo é, na verdade, de dentro para fora. Daí descobri, o sentido da frase: "O Òrìsà (Orixá) é uma manifestação do seu próprio Orí (cabeça)". Ou seja, onde ele mora, rege, comanda, atua, é na cabeça, seja sub ou conscientemente.

Entendi melhor então a utilidade existencial dos mitos africanos e o que eles podem representar em minha vida. E posso usar isso como sustentáculo para fé ou como apoio filosófico para a vida.

Vivi alguns bons anos de fé, e entendi que a fé é boa, mas é ilusória. A fé não muda a realidade existencial, nem move montanhas, ela pode ter o poder de mudar a pessoa porque a pessoa quer entrar nesse processo de mudança.

No mais, pensar sobre aspectos da fé, é vagar o pensamento no vazio, sempre digo isso: "Raciocinar a fé, é vagar o pensamento no vazio".

Não existe fé racional, ela é um pote sem nada dentro. É como aquela história do gato preto:

A Filosofia é tipo procurar um gato preto num quarto escuro.

A Metafísica é como procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá.

A Teologia é como procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá e dizer: ACHEI.

A Ciência é como procurar um gato preto, num quarto escuro, usando uma lanterna.


LUAN DE BARROS

Acadêmico de Direito. Ator, estudante de Teatro. Sagitariano. Potterhead..
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