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Cinema e Literatura

Pedrina Costa Lisboa

Pedrina escreve com muito prazer para diversas plataformas online. Tem três filhos e todos eles miam.

Terror é arte ou terror é ego?

O escritor busca através da sua arte aflorar emoções nas pessoas. Não importa a qualidade dessa emoção, o que um escritor talentoso quiser ele vai produzir. Seria o terror uma narrativa egoísta, considerando que a mensagem que carrega é quase sempre vazia?


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Um escritor, roteirista ou qualquer outro profissional da escrita tem como maior reconhecimento, não o dinheiro ou a fama, mas sim as reações que arranca do seu público. Fazer rir, chorar, temer, gritar, indignar ou qualquer outra emoção que o escritor receba do seu público, é para este como o prêmio mor, mais do que o dinheiro ou a fama, que outros profissionais podem conseguir sem o uso de nenhum talento artístico. O que assegura a existência do verdadeiro talento de um profissional da arte escrita é a emoção que ele vai projetar no seu público.

Sendo assim, quando pensamos nas maiores obras da literatura ou cinema já criadas pelo homem, é impossível que em uma suposta lista não esteja filmes ou livros onde o melhor do ser humano foi retratado, histórias de amor, de superação, de vencer barreiras e preconceitos, de superar doenças e toda a sorte de situações que o homem comum enfrenta no seu dia a dia ganham ares glamourosos quando retratadas nas páginas de um livro ou em uma imensa tela de cinema.

Thumbnail image for Samara2.jpgO melhor filme da vida de quem?

Alguns livros e filmes são tão marcantes que não raro vemos pessoas intitulando este ou aquele como o melhor livro que já leu na vida, ou o melhor filme que já assistiu na vida. Aquela obra de arte em questão emocionou tão fortemente a pessoa, que ela o considera o melhor que já viu, e tenta convencer seus conhecidos do seu ponto de vista, mesmo que saiba que esse é completamente subjetivo, pois trata-se do gosto de cada um.

Quando analisamos o teor dessas obras que recebem o título de "o melhor da minha vida" normalmente estamos falando de filmes ou livros com mensagens positivas. Ainda não vi uma lista onde o filme "O Chamado" entrou como o melhor filme que fulano já viu na vida, talvez como o melhor filme de terror para quem gosta de meninas mortas-vivas saindo de um poço, mas a mensagem do filme é muito fraca para merecer o título de melhor entre os melhores, aqueles que marcam a vida, cuja canção original figure no casamento do fulano.

Padre1.jpgO padre reluta em entrar na casa pois não está nem um pouco a fim de participar dessa brincadeira.

Ninguém quer nomear coisas do mal como o melhor que ele já experienciou. O terror, seja nos filmes ou livros, é sempre um gênero para entreter rapidamente, conquistar uma audiência que mesmo temerosa vai pagar para experimentar uma emoção nova, porque é muito mais fácil para alguns pagar para assistir ao remake de "O Exorcista" do que pular de paraquedas. A emoção é a mesma? Não necessariamente, mas os batimentos cardíacos vão aumentar, as mãos vão suar, os olhos vão se fechar nas partes mais terríveis, assim como no salto de paraquedas, vai ter gritos, sustos, taquicardia, desmaios e a vã promessa de que fulano nunca mais vai repetir isso. Passado alguns meses, vê-se na livraria o novo thriller de terror psicológico e o pensamento: "Eu tenho que ler esse livro!". Então alternando-se entre filmes e livros de terror a pessoa consegue seguir sua pacata vida de acordar cedo, cuidar dos filhos, pagar as contas sem considerar-se um perfeito boçal que não aproveita o dia.

E por trás disso está o escritor, o roteirista, argumentista, seja quem, for criando sustos, medos e popularizando coisas inexistentes como fantasmas, demônios e monstros. O grito de pavor do povo é o verdadeiro prêmio para o escritor que mais do que tudo quer os holofotes sobre sua genial pessoa, porque o filme de terror normalmente é vazio, tire os sustos, os seres sobrenaturais e não vai restar nada, histórias simples, clichés e enredos manjados, normalmente é essa a fórmula.

Reagan2.jpgRegan causando.

Sem o demônio, a estrela absoluta de "O Exorcista", Regan não passa de uma menina mimada que não quer levantar da cama e passa o dia dormindo e defecando ali mesmo. As bases da fé do padre Karras não seriam questionadas, nem o seu relacionamento com a mãe morta. A graça toda da história está no mal inventado e altamente dramatizado no filme. E que mensagem pode o diabo de "O Exorcista" nos trazer? Nenhuma a não ser alimentar o ego de quem o criou.


Pedrina Costa Lisboa

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