Manuela Pérgola

gosta das palavras - escritas e faladas -, da escuta, café e sempre está em busca. de vez em quando descobre do quê. picada pelo bicho da psicanálise, é incurável no que diz respeito à análise não-óbvia das coisas, do mundo e das pessoas.

  • 22490051_962750887196435_4776389047861700818_n.jpg
    cai no poço; quem me tira?

    É difícil enxergar o outro como um igual, lançado na mesma tarefa de continuar vivendo, quando não me vejo como parte do processo. Ordem e progresso. Progridam, caminhando sempre destinados a vencer na vida. Quem vence?

  • honestamente.jpg
    Atenção: você não está sozinho no mundo
    De tempos em tempos, algumas pessoas passam por períodos em que perdem a esperança na humanidade. Essas pessoas dizem "olha, estou muito decepcionado, a ponto de desistir"; "essas coisas me fazem questionar a evolução do ser humano"; "tudo isso ...
  • obvious.jpg
    Vida: teste

    A vida é curta demais para gastar tempo e energia montando esquemas neuróticos que nos afastam daquilo que diz respeito a uma verdade, que diz respeito ao desejo. A vida é curta demais para não reclamar do suco que veio com açúcar, mas também é grande demais para reclamar por qualquer coisa. Achar a medida certa é o andar na corda bamba dos aprendizados.

  • IMG_7714.JPG
    Viver é bom?

    A gente, esse poço de inconstâncias, dores, alegrias, mal entendidos.
    A gente quer bolo de chocolate e come bolo de chocolate, a gente quer abraçar, vai e abraça. E aí sente aquela sensaçãozinha boa em estar vivo, a brisa fresca da tarde bate no rosto e... Na mesma medida, a gente odeia ir à academia mas vai, não simpatiza com aquele parente mas deseja um ano novo maravilhoso, faz promessa e não cumpre, come sete uvas, faz yoga e no dia seguinte tem vontade de cuspir na humanidade inteira. Isso significa que viver não é bom? Não. Significa que é? Também não. Porque viver é bom e não é, viver é tudo isso, ser humano é tudo isso.

  • cordabamba.jpg
    a arte de se (des)equilibrar

    Depois de um tempo, percebo que os momentos de angústia são necessários para que se chegue a algum lugar. Perder-se é extremamente necessário para que se possa encontrar. Quem se acha demais talvez fuja do abismo. Quem é bem resolvido demais talvez se defenda de olhar para os próprios medos. Porque dá medo olhar para os próprios monstros. Eles são horríveis, e têm exatamente a nossa cara.

  • copenhagen2.png
    A suportável leveza de Ser

    Tudo o que tenho coube em uma mala, e por isso consigo partir de repente. Carrego os pesos mais leves do mundo. Ter uma bagagem leve pode parecer contradição, mas é "só" estória costurada, que agora tem o tamanho exato do que cabe a mim.

  • hsmsd.jpg
    o peso da simplicidade

    Em tempos em que precisamos (ou acreditamos precisar) carregar um monte de tralha, a simples ideia de esvaziar a "bolsa interna" se torna complexa e dolorida. Por que a simplicidade é uma conquista tão difícil?

  • boyhood-richard-linklater-4807.jpg
    Boyhood e a maravilha das mesmices

    Boyhood é um filme para olhos sensíveis. Boyhood é um filme sobre despertar. É sobre a batalha de permanecer vivo e continuar amadurecendo; é sobre continuar “apesar de”.

  • sonhos.jpg
    aquele pedaço que não está satisfeito

    Uma vez escutei de um professor que quando o bolor atinge um pedaço do pão, não adianta jogar apenas aquele pedaço fora, porque o pão inteiro está embolorado. É preciso olhar em volta, para o ambiente em que o bolor foi criado: está úmido demais? quente demais? E o que fazer com aquele pedaço que, mesmo depois de retirado o bolor, não nos mata a fome? Assim também é na vida. O que vamos fazer com aquele pedaço que não está satisfeito? Há quanto tempo não levamos nossos projetos, pirações e desejos engavetados pra tomar um vento na cara? É preciso parar e abrir as janelas das possibilidades, "porque pão é igual gente: se não respira, endurece".

  • imagina que louco.jpg
    alegria difícil

    Em algum momento, introjetamos mal máximas como “Tristeza não tem fim, felicidade sim” e “A felicidade não é deste mundo”, e nos privamos de tudo que nos arranca a dor. Parece que a alegria dispara algum mecanismo de luta-e-fuga, que, instintivamente, faz todo nosso sangue ser enviado às pernas: tudo o que queremos fazer é sair correndo.

  • birdy.jpg
    Por que estamos tão cansados?

    Começamos a trabalhar mais, a ganhar menos e a Terra a girar mais rápido, ou há algo mais escondido nessa canseira nossa de todo dia?

  • transiçoes.jpg
    abençoadas transições

    São as transições que complicam tudo, este período entre duas coisas relativamente estáveis. O período que pode ser definido como “ainda-não”. As semanas seguintes que se seguem às perdas: do ser amado, do emprego, do amigo que foi morar na Europa. Por isso é no entardecer que as pessoas relatam sentir as piores angústias, crises de pânico e ataques de ansiedade. Porque o entardecer é a expressão literal da transição: é o quase-noite e ainda-dia. Temos de suportá-lo, diariamente.

  • 11905406_945064872201991_2160081038933001911_n.jpg
    a dádiva da dúvida

    Se não deixarmos espaço vazio entre a dúvida e o passo, o desejo não surge; porque ele nasce justamente de onde falta. É uma questão de física (que, aliás, se eu pude entender, qualquer um pode).

  • annamuylaert.jpg
    sobre a força do não-dito

    Há um tempo eu penso sobre palavras que não são ditas, mas o filme "Que horas ela volta?" me deu imagens de sobra para fechar (e abrir) algumas reflexões. O que acontece com as palavras que não dizemos? E com as que nunca dissemos?

  • telhado.jpg
    o poeta é um eterno insatisfeito

    Não tentem definir o poeta.