Manuela Pérgola

gosta das palavras - escritas e faladas -, da escuta, café e sempre está em busca. de vez em quando descobre do quê. picada pelo bicho da psicanálise, é incurável no que diz respeito à análise não-óbvia das coisas, do mundo e das pessoas.

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    Viver é bom?

    A gente, esse poço de inconstâncias, dores, alegrias, mal entendidos.
    A gente quer bolo de chocolate e come bolo de chocolate, a gente quer abraçar, vai e abraça. E aí sente aquela sensaçãozinha boa em estar vivo, a brisa fresca da tarde bate no rosto e... Na mesma medida, a gente odeia ir à academia mas vai, não simpatiza com aquele parente mas deseja um ano novo maravilhoso, faz promessa e não cumpre, come sete uvas, faz yoga e no dia seguinte tem vontade de cuspir na humanidade inteira. Isso significa que viver não é bom? Não. Significa que é? Também não. Porque viver é bom e não é, viver é tudo isso, ser humano é tudo isso.

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    a arte de se (des)equilibrar

    Depois de um tempo, percebo que os momentos de angústia são necessários para que se chegue a algum lugar. Perder-se é extremamente necessário para que se possa encontrar. Quem se acha demais talvez fuja do abismo. Quem é bem resolvido demais talvez se defenda de olhar para os próprios medos. Porque dá medo olhar para os próprios monstros. Eles são horríveis, e têm exatamente a nossa cara.

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    A suportável leveza de Ser

    Tudo o que tenho coube em uma mala, e por isso consigo partir de repente. Carrego os pesos mais leves do mundo. Ter uma bagagem leve pode parecer contradição, mas é "só" estória costurada, que agora tem o tamanho exato do que cabe a mim.

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    o peso da simplicidade

    Em tempos em que precisamos (ou acreditamos precisar) carregar um monte de tralha, a simples ideia de esvaziar a "bolsa interna" se torna complexa e dolorida. Por que a simplicidade é uma conquista tão difícil?

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    Boyhood e a maravilha das mesmices

    Boyhood é um filme para olhos sensíveis. Boyhood é um filme sobre despertar. É sobre a batalha de permanecer vivo e continuar amadurecendo; é sobre continuar “apesar de”.

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    aquele pedaço que não está satisfeito

    Uma vez escutei de um professor que quando o bolor atinge um pedaço do pão, não adianta jogar apenas aquele pedaço fora, porque o pão inteiro está embolorado. É preciso olhar em volta, para o ambiente em que o bolor foi criado: está úmido demais? quente demais? E o que fazer com aquele pedaço que, mesmo depois de retirado o bolor, não nos mata a fome? Assim também é na vida. O que vamos fazer com aquele pedaço que não está satisfeito? Há quanto tempo não levamos nossos projetos, pirações e desejos engavetados pra tomar um vento na cara? É preciso parar e abrir as janelas das possibilidades, "porque pão é igual gente: se não respira, endurece".

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    alegria difícil

    Em algum momento, introjetamos mal máximas como “Tristeza não tem fim, felicidade sim” e “A felicidade não é deste mundo”, e nos privamos de tudo que nos arranca a dor. Parece que a alegria dispara algum mecanismo de luta-e-fuga, que, instintivamente, faz todo nosso sangue ser enviado às pernas: tudo o que queremos fazer é sair correndo.

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    Por que estamos tão cansados?

    Começamos a trabalhar mais, a ganhar menos e a Terra a girar mais rápido, ou há algo mais escondido nessa canseira nossa de todo dia?

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    abençoadas transições

    São as transições que complicam tudo, este período entre duas coisas relativamente estáveis. O período que pode ser definido como “ainda-não”. As semanas seguintes que se seguem às perdas: do ser amado, do emprego, do amigo que foi morar na Europa. Por isso é no entardecer que as pessoas relatam sentir as piores angústias, crises de pânico e ataques de ansiedade. Porque o entardecer é a expressão literal da transição: é o quase-noite e ainda-dia. Temos de suportá-lo, diariamente.

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    a dádiva da dúvida

    Se não deixarmos espaço vazio entre a dúvida e o passo, o desejo não surge; porque ele nasce justamente de onde falta. É uma questão de física (que, aliás, se eu pude entender, qualquer um pode).

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    sobre a força do não-dito

    Há um tempo eu penso sobre palavras que não são ditas, mas o filme "Que horas ela volta?" me deu imagens de sobra para fechar (e abrir) algumas reflexões. O que acontece com as palavras que não dizemos? E com as que nunca dissemos?

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    o poeta é um eterno insatisfeito

    Não tentem definir o poeta.

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    aperta que cabe

    Quando eu era pequena (e nem tão pequena assim), às vezes me lançava na tarefa difícil de montar quebra-cabeça. Depois de um tempo ali, parada na frente das peças sem conseguir encaixar nenhuma, eu forçava uma pecinha na outra. Ali, bem na borda. Ali, onde ninguém vai ver. "Shhhh, pronto, deu super certo, até parece que essa peça foi feita pra ser encaixada exatamente aqui."

    No quebra cabeça até dá. Mas e na vida?

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    é preciso aprender a falhar.

    Talvez viver seja a busca, e sempre a busca, deste estado de equilíbrio, mas não se conquista o equilíbrio em cima de uma montanha no Tibet ou em uma casa no campo em Valinhos. O equilíbrio está aqui, no caos em que me encontro. O equilíbrio está em fazer o que está ao meu alcance, o equilíbrio está na vírgula que me permito usar, em meio a essa verborragia insana que de vez em quando é a vida.

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    fazer análise é falar na primeira pessoa

    A análise nos ensina, basicamente, a sermos protagonistas da própria história. A nos responsabilizar pelas nossas mazelas e encantos, paixões e tormentos; sem chicotes, sem asperezas insuportáveis: a análise nos ensina a tomar as rédeas, escutar o próprio desejo, pra depois dizer do próprio desejo, amar e viver, fora da plateia marcada pela impessoalidade e passividade.

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