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Propagando viagens através das estantes infinitas do universo.

Tainá Fragoso

Estudante de física em busca incessante pelo conhecimento e fascinada pelo universo. Apaixonada por literatura, música e chás, transborda loucura pela sétima arte.

Interestelar: a importância do conhecimento humano para o universo e a responsabilidade de estar entre as estrelas

Apesar de a sétima arte frequentemente conseguir arrancar algumas emoções de dentro de mentes tão ocupadas, algumas obras do cinema marcam de forma diferente, trazem reflexões que remetem a questões existenciais que são intrínsecas ao ser humano, faz-nos pensar sobre a imensidão de possibilidades que existem no Cosmo e, possivelmente, além dele. "Interestelar", o filme do diretor Christopher Nolan que foi roteirizado também por seu irmão, Jonathan Nolan, possui exatamente essas características, além de trazer em seu enredo diversas discussões sobre ética, amor e o futuro da espécie humana.


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Olhando para o céu em noite bem escura consegue-se enxergar estrelas muito brilhantes, planetas e até mesmo outros corpos celestes. Afastando-se um pouco da poluição urbana à noite, já é possível observar uma quantidade ainda maior de estrelas e até mesmo um pedaço de nossa galáxia, isso é tudo o que podemos ver com esses pequenos globos oculares humanos. Apesar disso, nossos olhos foram cada vez mais estendidos com a evolução tecnológica que hoje permite enxergar muito mais longe do que em qualquer outra época na história. A importância da evolução científica para a humanidade é inegável e impedir que ela siga seu caminho, como ocorre no filme "Interestelar", é negar a toda a humanidade o conhecimento.

Sabe-se que o planeta não passa por um bom período em seu ciclo natural e que boa parte dos problemas foram causados pela espécie humana. A solução seria, entretanto, acabar com o desenvolvimento científico? Não, em momento algum a ciência foi responsável pela forma como o homem utilizou-a e se com ela conseguimos tantos feitos, com ela também podemos ser capazes de procurar e encontrar uma forma de salvar a espécie.

O filme, porém, tem um caráter único no sentido de misturar o mistério que é o universo e de que forma nós nos encaixamos nesse quebra-cabeças, ele acaba pondo em questionamento, até mesmo, onde o ser humano é capaz de chegar para manter sua espécie, mesmo que isso signifique mentir e abandonar pessoas queridas. Quem somos nós nesse emaranhado de cores e radiações que todos os dias se comunicam com nossas sondas e telescópios através de todas as variações de frequência? Esse incrível lugar que chamamos de universo, que estudamos tão profundamente desde que começamos a olhar para o céu, guarda enigmas tão complexos que a inteligência de todas as nossas ferramentas ainda não consegue captar e que, provavelmente, somente nosso subconsciente conectado a essência do que é o cosmo, consegue imaginar.

Somos muito mais do que pequenos seres perdidos em um planeta que, através de diversos fenômenos aleatórios, conseguiu evoluir e é capaz de procurar vida em outras regiões do macrocosmo. A física moderna desconstruiu nossa percepção de espaço e tempo absolutos e com isso nem mesmo podemos ter certeza de que tudo o que ocorre no universo não foi criado por nós mesmos; se aquilo que não podemos ver não foi escondido do homem, pelo próprio homem.

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O tempo como uma dimensão física, da forma como é mostrada no filme, é apenas uma dimensão a mais das várias que são teorizadas pela ciência moderna; controlando o tempo, tudo o mais pode ser controlado e, portanto, o universo passa a ser um brinquedo de criança, os vários móbiles ficam girando...girando...como planetas ao redor de seu Sol.

Gargantua, o terrível buraco negro que foi apresentado magnificamente na trama e que trouxe ainda mais questionamentos acerca de sua origem, representa, através da relatividade de Einstein, a perda de tempo e o arrependimento que as escolhas tomadas com pressa podem significar, também simboliza a esperança e a coragem do ser humano ante o desconhecido, tendo no fim uma referência muito sutil de outro clássico do cinema: "2001: Uma Odisseia no Espaço", em que repentinamente a personagem aparece, depois de viver uma experiência inimaginável, em uma região próxima à Terra, representando que, querendo ou não, esse é o lugar do qual pertencemos.

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Conhecemos no filme os "fantasmas" que cercam nossas vidas, os fantasmas da incerteza, do arrependimento, do descrédito e da falta de fé, em qualquer coisa que seja. Pode ser que todos sejamos Murphy, sabemos inconscientemente o que vai acontecer, está intrínseco a nós e conhecemos o que é necessário, porém, somos humanos, amamos, deixamos de amar, criamos vínculos tão fortes que somos capazes, como a Doutora Brand falou, de atravessarmos o universo apenas pelo amor e quem sabe se esse também não é uma dimensão.

Cooper é a coragem, Amelia é a fé, Professor Brand é a razão, Doutor Mann é o egoísmo humano e Murphy é o futuro de toda a espécie humana, o destino de Murphy já havia sido decidido no momento em que recebeu o seu nome. O que pode acontecer, vai acontecer! Todos os acontecimentos são premeditados por nós mesmos tentando salvar a espécie em mais uma linha temporal, até mesmo os erros são parte da grande missão que Murphy precisa realizar, mesmo que para isso precise perder o pai em todos os outros universos para poder receber as horas, através de um relógio, há milhares de anos-luz.

A humanidade está representada na menina que insiste em aprender, que comete erros e que possui uma variedade de sentimentos, Murphy é a própria esperança que devemos ter para enfrentarmos um futuro que julgamos obscuro e desconhecido. "Interestelar" é, sem dúvida, uma das obras mais humanas já representada pelas telas de cinema.

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Tainá Fragoso

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