palavra pulsante

Propagando viagens através das estantes infinitas do universo.

Tainá Fragoso

Estudante de física em busca incessante pelo conhecimento e fascinada pelo universo. Apaixonada por literatura, música e chás, transborda loucura pela sétima arte.

O explorador do mundo das ideias e profeta contemporâneo

Como será o futuro? Temos um destino traçado? O ser humano vive em busca de respostas para questões sobre o universo e ao mesmo tempo procurando alternativas para as possibilidades imaginadas, Asimov, através da literatura e do sábio uso das palavras, nos traz uma perspectiva esperançosa acerca do nosso destino e em seu mundo das ideias consegue prever uma imensidão de sentimentos e caminhos para nossa evolução e para o sentido da vida.


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Algumas obras da literatura possuem a capacidade de transcrever intimamente o comportamento humano de forma tão real e profunda que parecem ter sido retiradas na essência da mente de cada indivíduo. Essa sensibilidade, transmitida através de palavras, reflete o conhecimento e o sentimento que alguns dos grandes escritores possuem, o dom de entender os tortuosos caminhos da humanidade e até mesmo prever muitas das evoluções e criações do futuro.

Um dos escritores que ficou imortalizado em várias de suas obras por conseguir transmitir tão bem esses sentimentos e profecias foi o mestre da ficção científica, Isaac Asimov.

Platão, em uma de suas teorias sobre o mundo sensitivo, afirmava que o mundo das ideias era o espaço onde as criações eram perfeitas, era o local onde tudo surgia e apenas passava a se concretizar no mundo real. Com Isaac, o mundo das ideias foi o ambiente em que ele passou grande parte da sua vida de escritor, imaginando o futuro que viria a se concretizar.

Em diversas obras, o autor que nasceu em data imprecisa por volta do fim de 1919 e início de 1920, previu o surgimento de diversos equipamentos tecnológicos, descobertas científicas e até mesmo a criação e utilização da rede de internet. Porém, em uma de suas sensacionais obras, ele conseguiu ultrapassar o limite do espaço-tempo em um conto que transcende nossa imaginação e consegue questionar a conexão que possuímos com o Cosmo. Em "A Última Pergunta", Asimov questiona a humanidade sobre seu rumo e o futuro que nossas descobertas levarão, ao mesmo tempo, cita a inteligência artificial como um pedaço de nós mesmos e cria uma reflexão sobre a importância dessa tecnologia.

Na história, após a conquista da energia solar para abastecer o planeta, dois controladores do maior e mais completo computador discutem sobre a entropia e até quando eles possuirão tal energia, surge então uma questão, é possível reverter a entropia? O computador, apesar de sua inteligência avançada, não tem dados suficientes para responder a pergunta. Aqui é apresentada a preocupação do homem com seu futuro e o avanço da ciência. Nosso autor salta para outra geração, nota-se a mudança nos nomes, ambientação e tecnologia, agora os humanos já dominaram outros planetas e outras estrelas, ainda assim não conseguem encontrar a resposta para a pergunta, mesmo com um computador muitas vezes mais avançado, o que representa o mistério que circula o destino da humanidade. Novamente um pulo no futuro, o homem conquistou outros sistemas, estamos habitando o universo, mas ainda sem resposta.

Em dado momento da narrativa, o autor nos põe numa realidade espiritual, nossos corpos físicos já não são mais necessários e nossa consciência vaga livre pelo universo. O AC, incrível computador do início da história, é quase que uma entidade, ele controla a consciência do universo e é onipresente. Quanto mais evoluímos, maior é a escuridão e a entropia que ronda o universo e maior também é o sentimento de solidão e impotência.

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Em seu conto, Asimov critica o comportamento do homem perante seu planeta e seu universo, que são tratados como descartáveis, e lembra a todos a ideia da entropia, de que em algum momento o universo entrará em colapso e nós não teremos poder para mudar esse destino. O texto nos mostra que nem toda a tecnologia do mundo é capaz de conhecer inteiramente a natureza do nosso universo e que através da nossa incansável busca por respostas, acabaremos, um dia, criando novos universos.

Asimov também traz uma reflexão acerca da própria inteligência e a conexão que todos os seres humanos possuem entre si, através de suas mentes, e com o universo através da ciência, "Somos a maneira como o universo conhece a si mesmo", uma visão muito semelhante à ideia propagada pelo astrônomo Carl Sagan.

O grande "blown mind" do conto é a parte em que realmente descobrimos a resposta para a última pergunta, e com isso, Isaac acaba mostrando uma face metafísica de sua ciência, experimentando uma espiritualidade psicodélica e nos transformando, legitimamente, em Deus. Nós podemos ser pequenos quando observamos a imensidão do cosmo, mas nossa capacidade imaginativa é tão potente que pode alcançar até mesmo aquilo que não podemos ver, nossa inferioridade no universo não significa a falta de importância, assim como um broto crescendo em uma imensa floresta, um dia alcançará tamanho suficiente para fazer a diferença.

“A Última Pergunta” é claramente a reflexão que todos já fizeram um dia, é a íntima dúvida humana sobre a origem e o destino do nosso berço cósmico e representa um sentimento que o homem necessita sentir, a esperança.


Tainá Fragoso

Estudante de física em busca incessante pelo conhecimento e fascinada pelo universo. Apaixonada por literatura, música e chás, transborda loucura pela sétima arte..
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