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Propagando viagens através das estantes infinitas do universo.

Tainá Fragoso

Estudante de física em busca incessante pelo conhecimento e fascinada pelo universo. Apaixonada por literatura, música e chás, transborda loucura pela sétima arte.

O Prometeu Moderno: do mito ao progresso da ciência e sua relação com a humanidade

A Criatura de Victor Frankenstein é quase uma metáfora do homem segundo Rousseau, nascemos bons, mas a sociedade nos corrompe. A Criatura aprende naturalmente tudo aquilo que o faz bom, adquire conhecimento, sente pela primeira vez o amor, as emoções e a gentileza de forma oculta e silenciosa, apenas observando. Tudo isso é tomado de si abruptamente quando se atreve a aparecer e interagir pessoalmente com a "sociedade", que apenas analisa sua aparência e o ignora nauseante. Uma história de regresso? Ou uma evolução negativa do homem?


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Um dos livros mais incríveis da minha estante, sem dúvidas, é Frankenstein de Mary Shelley. O Prometeu Moderno, como também é chamado, traz uma história de regresso e evolução, inovação e problemas antigos, uma trama quase barroca do bem e do mal e uma relação perturbada entre um ser e o seu criador. Mary Shelley foi uma mulher à frente de seu tempo, filha de dois intelectuais da época e uma delas defensora dos direitos femininos, Mary Wollstonecraft e William Godwin, a menina desde muito pequena recebera influência da literatura e do conhecimento, algo muito incomum para a época. Depois de perder a mãe, Mary tornou-se ainda mais diferente e sendo amante de outro intelectual, Percy Shelley, com o qual se casou mais tarde, tinha encontros casuais no castelo de Lord Byron. Em uma noite de tempestade, Byron propôs a todos que escrevessem uma história de horror para participar de um concurso e dos quatro presentes no castelo, Mary foi a única que prosseguiu com a história; queria escrever algo inovador, algo realmente assustador, que "gelasse o sangue nas veias e fizesse os corações pararem". Prosseguiu com a escrita de seu livro em meio a muitos pesadelos envolvendo a criatura que criara.

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A história de horror que Mary terminou de escrever em 1817 - teve seu bicentenário em 2017 - é o drama de um gênio que ousou se comparar a um criador. Victor Frankenstein era um homem com a família perfeita, apaixonado por Elizabeth, uma mulher linda e sonhadora, e com uma carreira de sucesso praticamente garantida na medicina. Victor, porém, não estava satisfeito com o conhecimento científico da época e queria mostrar que podia fazer mais, descobriu áreas da ciência que eram obscuras e não mais consideradas como conhecimento científico. Usando diversos métodos e recolhendo partes de corpos de várias pessoas diferentes, Victor finalmente consegue dar vida à criatura que durante toda a narrativa não possui nome; símbolo máximo da indiferença do seu criador para qual a sua criação. O objetivo do médico era exterminar as doenças do mundo, mas com isso, acaba criando apenas sofrimento e arrependimento. A história de um gênio e de suas criações se repete ao longo da literatura, a própria Mary Shelley cita, diversas vezes ao longo de seu livro, o clássico de John Milton "Paraíso Perdido", que também traz a relação do homem com o criador.

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A Criatura de Victor Frankenstein é quase uma metáfora do homem segundo Rousseau, nascemos bons, mas a sociedade nos corrompe. A Criatura aprende naturalmente tudo aquilo que o faz bom, adquiri conhecimento, sente, pela primeira vez, o amor, as emoções e a gentileza, de forma oculta e silenciosa, apenas observando. Tudo isso é tomado de si abruptamente quando se atreve a aparecer e interagir pessoalmente com a "sociedade", que apenas analisa sua aparência e o ignora nauseante. Uma história de regresso? Ou uma evolução negativa do homem? Frankenstein de Mary Shelley é uma narrativa sempre atual, de preconceitos, de medo, uma crítica aos padrões de estética e ao olhar superficial da sociedade em relação às coisas ao seu redor e, principalmente, um questionamento ao limite da ciência em tentar imitar ou modificar uma natureza milhões de anos mais experiente.


Tainá Fragoso

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