palavras desassossegadas

Tudo aquilo que se tornou recôndito, de uma maneira ou de outra, esforça-se por se manifestar.

Jonathas Rafael

A língua é parte integrante do ser humano: constitui sua identidade. Por sê-lo, não é estável, muito pelo contrário, é viva. A língua é metamorfose.

A condição humana no conto A igreja do diabo, de Machado de Assis

Machado de Assis (1839-1908) foi e ainda é um dos literatos mais importantes do mundo. Passados mais de 100 anos de sua morte, seus escritos ainda continuam sendo fonte inesgotável de pesquisa. Por meio da arte, da sua arte, conseguiu dissecar a condição humana de uma maneira até então desconhecida. Escancarou, sem pedir permissão, sem usar de delicadezas hipócritas, o íntimo do ser humano. Resultado: ódio e amor intensos, duas manifestações de afeto inseparáveis, em relação à sua pessoa.


Machado de Assis.jpg Machado de Assis (1839-1908), de Academia Brasileira de Letras (Domínio Público). Fonte da Imagem: Wikimedia Commons.

Por meio do conto “A igreja do diabo”, publicado originalmente no livro Histórias Sem Data, em 1884, Machado de Assis escancarou, sem pedir permissão, sem usar de delicadezas hipócritas, o íntimo do ser humano. Fez com que seus leitores se enxergassem em seus escritos. Não é por menos que se tornou uma das obras literárias mais importantes do autor.

“A igreja do diabo” foi dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, “De uma ideia mirífica”, conta-se que o Diabo, sentindo-se humilhado, teve uma ideia admirável: fundar uma igreja. Fazendo isso, a disputa não seria mais desigual, pensou ele, porque a partir de então seria “Escritura contra Escritura”. Consequência: todas as religiões seriam destruídas. No entanto, não poderia colocar seu ob